Av.Brigadeiro Faria Lima, 201, Pinheiros - São Paulo - SP
Ícaro Lira e Julia Coelho

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Alameda Fernão Cardim, 116 - Jardins, 1983.

Escultura sobre a piscina no jardim da galeria, em concreto pintado, com 7 metros. Cálculo estrutural de Mario Franco e execução de Nelson Vitorino.

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O Aché é uma empresa 100% brasileira, com mais de 40 anos de atuação no mercado farmacêutico. Conta com dois complexos industriais, um em sua sede, em Guarulhos (SP), e outro em São Paulo (SP), mais de 3.000 colaboradores e uma das maiores forças de vendas do segmento no Brasil.

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Todos os dias, por volta das 17:30, era quase igual. Uma luz cor-de-rosa invadia o apartamento refletindo nas paredes do quarto e da sala. Era a hora do café, já sabia, do café e das duas pílulas que o Dr. Adolfo havia lhe receitado fazia alguns meses. Problema de pressão, ela respondia, hipertensa, mas fiel ao seu pingado.

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Devido às paralisações de diversos setores programadas para 28 de Abril, o Instituto Tomie Ohtake não prevê condições para o bom atendimento de seu público e avisa que estará fechado durante toda a sexta-feira.

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Parabéns! Paramos todos contra esse ataque horrível contra os trabalhadores!

 

Gentemmm.. A nota não diz que eles apoiam a greve! Serão afetados pela (suposta) paralisação e preferem não abrir. O quanto difícil é entender isto?!

 

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Complexo Aché Cultural, Rua Coropé , 88 - Pinheiros, 2003.             

Obra com estrutura metálica em poliuretano e revestimento em fibra de vidro. 16 metros de comprimento, 6 metros de largura e  90 centímetros de espessura. Obra realizada pelo laboratório Aché, com colaboração de Jorge Utsunomiya e Vera Fujisaki.

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Para atender às necessidades dos profissionais de saúde e consumidores, o Aché oferece um portfólio diversificado com mais de 210 marcas e 500 apresentações entre medicamentos sob prescrição, genéricos e MIP (isentos de prescrição). No mercado internacional, exporta para 12 países da América do Norte, América Latina e África. Em 2008, o Aché registrou receita operacional bruta de mais R$ 1,9 bilhão.

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Daquela luz, o que diziam era que se olhasse diretamente, podia cegar. Uma frequência insuportável aos humanos, embora fosse sedutora a sua cor. Insuportável porque seu efeito parecia maior que todas as nossas forças: gigante, autoritário, imbatível. Em nós causava uma sensação de letargia, de paz e silêncio, mas de um peso enorme, acima de tudo.

Este simulador fácil de operar gera não só sopros cardíacos mas também ruídos respiratórios e torna possível a sua determinação ligando um de seis diferentes menus que são vendidos separadamente.

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Não desistam. Vão aderir ao carnalula?

Fixação no Lula... Já falou disso com seu analista?

 

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Estação Consolação de Metrô, 1991.

4 painéis, cada peça com 15 metros de comprimento. Executado pela Vidrotil em pastilhas de vidro. Coordenação do arquiteto Sergio Seeches, colocação das pastilhas por Martin Chagas, produção de Guilherme Franco. Inaugurado pelo Governador Orestes Quércia.

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Foi no dia 30 de março de 2017 que cientistas australianos e britânicos publicaram um artigo sobre os efeitos do veneno de um peixe ornamental que vive em recifes de coral do Oceano Pacífico. Alguns peixes da espécie Fang Blenny, quando engolidos por seus predadores, podem escapar com uma mordida que os paralisa, pois liberam, por meio de glândulas associadas aos seus pequenos caninos, um composto similar à morfina e heroína. Nessa situação, seus predadores sofrem uma queda de pressão. Sem sentir dor, percebem-se confusos e incapazes. Paralisados. Silêncio e paz. Os bleenies medem poucos centímetros, mas se fazem notáveis pelas cores que carregam, um combinado de azul com amarelo que às vezes inclui um padrão de listras. Irresistíveis em seus trajes, desfilam destemidos pelas águas.

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Tomie Ohtake criou a obra "Quatro Estações" para a Estação Consolação do Metrô. Este trabalho, tão grandioso no tema como na forma, composto por quatro painéis de 2,00m x 15,40m, instaura um delicado jogo de sinais transpondo para o subterrâneo obscuro a sazonalidade das estações. As cores introduzidas por Tomie têm significados sutis: o verde evocando a primavera, remetendo ao movimento em que a natureza renasce em seu esplendor. O amarelo vem retratar o poder do sol no vigor do verão, a luminosidade resplandece forte e plena convertida em energia. O azul, um tom neutro e frio, simboliza o outono, a estação rica e suave que revela a expectativa de recolhimento e reflexão. O inverno, a mais fria das estações do ano, é representado pelo vermelho num instante de contraponto. Um tom quente que nos faz pensar no fogo que aquece e conforta, envolvendo com calor e prazer. [Acervo da Companhia do Metropolitano de São Paulo - Metrô]

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O cara deve achar que a CLT foi uma elaboração do Lula que voltou no tempo... rs

A greve não é para o Lula. O Lula é aposentado. E eu quero aposentar também!

 

 

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Laboratório Aché, Rodovia Presidente Dutra, Km 222,2, s/n - Porto da Igreja, Guarulhos - SP, 1997.

Laboratório Aché, Bloco 5, Via Dutra, Guarulhos, arquitetura Ruy Ohtake, 1997. Escultura com 13 metros, secção de 25 x 100cm. 4,5 toneladas, em ferro pintado com tinta automotiva, cálculo estrutural de Aluísio Margarido, executada por Garra Metalúrgica. Edmundo Canado e equipe e montagem de Método Engenharia, colaboração Jorge Utsunomiya e Vera Fujisaki.

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Independente de esferas governamentais, ocupa um empreendimento do Laboratório Aché, cedido em comodato por 30 anos. Divulgar a arte, preferencialmente do período que Tomie Ohtake produz, ou seja, a partir de 1952, através de exposições, debates e publicações (impressos e vídeo). Foi 2001 o ano de inauguração do Complexo Aché Cultural. Situado no bairro de Pinheiros, o conjunto de prédios, idealizado e financiado pelo Aché Laboratórios Farmacêuticos, abriga em sua torre central um instituto cultural. Embora conhecido pelo nome de uma artista e comprometido com o seu legado, o Instituto se instala em um projeto arquitetônico que se vale predominantemente do magenta, cor que define a identidade visual da marca.

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um sonho, uma história, grandes realizações,

melhorando a vida das pessoas,

Saúde, Cuidado, Inovação, Confiança, Bem-Estar.

Marcando presença no brasil e no mundo.

diversificando

respiratório, cardiovascular, sistema nervoso central, osteomuscular, aparelho digestivo metabólico, dermatológicos, oncologia, oftamologia, saúde feminina, trazendo conveniência, acessibilidade, eficácia.

 

Lamentável… É ISSO RICARDO O.......

 

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MAC USP, Av. Pedro Álvares Cabral, 1301 - Ibirapuera, 1999.

Escultura com 9 metros de comprimento, em aço tubular de 11,8 cm de diâmetro. Inaugurado pelo Reitor Jacques Marcovitch e pelo Diretor do MAC Teixeira Coelho. Executado pela SCA de Ribeirão Pires, com colaboraçãoo de Jorge Utsunomiya e Vera Fujisaki.

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As placas de vidro que compõem a fachada dessa torre possuem uma propriedade reflexiva, emitindo, todos os dias, por volta das 17h30, uma luz cor-de-rosa, alcançando, aproximadamente, um raio de 2 km. É um novo tratamento que ainda está em fase de testes. E corre em sigilo, embora já afete os moradores do bairro. Serviria como uma alternativa aos remédios sintéticos, às cápsulas, às embalagens de plástico, aos compostos químicos nocivos ao organismo.

ousados! <3

eles vão fechar "para o bom atendimento do público" e não por preocupação com os direitos do público.

 

 

 

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Renaissance São Paulo Hotel, Alameda Santos, 2233 - Cerqueira César, 1996.

Arquitetura Ruy Ohtake. Hall de entrada do 2° andar. Painel de 2x5 metros, cerâmica Portobello.

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Interessante notar que a mistura de usos foi reforçada, por obra do acaso, pela presença de uma igreja presbiteriana. Localizada na esquina da rua Coropés com a avenida Faria Lima, ela foi objeto de polêmica acerca de sua desapropriação, já que o espaço (de caráter arquitetônico desprezível), segundo seus defensores, marcava a presença nipo-brasileira no bairro.

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Simbolicamente, o magenta está ligado à espiritualidade e à intuição, remetendo ao mundo metafísico. Em tempos ancestrais foi ligada à alquimia e à magia, à energia cósmica e à inspiração espiritual. Segundo estudiosos, a cor auxilia na purificação e cura, nos níveis físico, emocional e mental. Aconselhado para locais de meditação e paz, o magenta simboliza respeito, devoção, piedade, purificação e transformação.

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"A pintura normalmente está muito próxima da filosofia, mas Tomie Ohtake traz uma carga filosófica intensa, densa, que permite pensar a natureza no seu sentido geral. Seja a natureza mínima, da vida biológica do mar ou um evento cósmico. Então o mundo inteiro, o universo, cabe na pintura da Tomie Ohtake." Miguel Chaia


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Memorial da América Latina, Barra Funda. 1990.

Arquiteto Oscar Niemeyer, 1990, painel na lateral interna no Auditório, com 70 metros. Realizado em tapeçaria pela Tabacow e inaugurado pelo Governador Orestes Quércia.

 

Um ano antes da inauguração do Complexo Aché Cultural, descobriam, em uma obra de revitalização do parque da Luz, um aquário subterrâneo abandonado. Ricardo Ohtake, irmão do arquiteto responsável pelo projeto do Complexo Aché Cultural, Ruy Ohtake, e também filho da artista que dá nome ao instituto cultural do complexo, Tomie Ohtake, foi secretário municipal do verde e do meio ambiente da época e esteve à frente da reforma. Hoje, assim como o prédio magenta, o aquário é parte integrante do conjunto de estratégias para novos modelos de tratamento de saúde, desenvolvido pelo setor de neurociência do laboratório farmacêutico.

 

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Avenida 23 de Maio, Bela Vista, 1998.  em frente ao Centro Cultural São Paulo, 1998. Escultura em concreto armado, cada peça medindo 30 metros de comprimento, total 40 metros. Calculada, executada e patrocinada pela Método Engenharia.

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O fundo magenta, cor tradicional do fabricante, foi adotado como unidade dominante na comunicação. Sobre esta, uma testeira metrizada por um arco branco sintetiza, ao lado da marca Aché, um movimento ascendente de avanço, como se apontasse o futuro, num traço de modernidade. A cor garantiu maior visibilidade da marca e se faz clara, objetiva e inconfundível no pdv. “O design das novas embalagens revela características da nossa marca das quais nos orgulhamos e perseguimos: crescimento, amplitude e maior presença do Aché nos pontos de venda, horizonte para os colaboradores, futuro para a empresa e grandeza para enfrentar e superar desafios”, afirma Vânia.

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Construído na década de 1880, o aquário foi projetado como um dos muitos pontos de lazer do Jardim da Luz, e recebe hoje, em sua maioria, idosos aposentados, famílias de imigrantes e jovens desencantados de sua própria juventude. Seu Felipe costuma visitar o aquário todos os domingos: "É bom pra distrair. Escolho uma das janelas e daqui fico no meu canto, acompanhando os peixes. Eles gostam quando a gente vem ver e até sentem falta se demoro a voltar." Layza, de 17 anos, prefere dar um tempo no aquário antes de voltar pra casa no fim da tarde depois da aula, quer ficar sozinha, em paz. Apoia a testa no vidro, os braços na mureta, e ali fica por mais 50 minutos na companhia de seu mp3 player.

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Monumento projetado pela artista plástica Tomie Ohtake para homenagear os 80 anos da imigração japonesa no Brasil, está localizado no canteiro central da avenida 23 de Maio.As quatro faixas de 12 metros de concreto representam as gerações de japoneses que vieram para o Brasil, desde os primeiros imigrantes que aportaram do navio Kasato Maru, em Santos (SP), até os seus descendentes: os issei, os nissei, os sansei e os yonsei.

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1 – Perguntada como teria sido sua vida se tivesse permanecido no Japão, respondeu em tom peremptório: “Não teria sido artista, né!”

 

 

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Av Paulista, 1111 - Jardins, 2015.                                 

Escultura em aço carbono, pintada com tinta automotiva vermelha e prata, medindo 8,5m de altura, pesando 7 toneladas. Realizada em parceria com a Associação Paulista Viva, com patrocínio do Banco Citi. 

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O acesso ao aquário se dá por uma espécie de caverna construída com pedras artificiais, produzidas em cimento, e sua arquitetura segue o estilo do jardim, paysager, modelo inglês de época que exacerba a imitação da natureza. Lá dentro, você se percebe em um estreito e mal iluminado corredor, rodeado por paredes rochosas e úmidas, dividindo com os peixes a sensação de estar submerso. Do fundo do lago, através do vidro que te separa dele, emana uma luz verde-azulada, eventualmente modificada pela interferência de peixes dourados, prateados, muito brancos ou muito pretos que ali habitam.

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Te acho um fofo, mas precisamos de posicionamento, político sim. Na área cultural, nunca tivemos esses direitos trabalhistas, porém não podemos calar, sobre este tremendo desrespeito, com os direitos trabalhistas. É preciso posicionamento, e esse posicionamento é Estamos em Greve.

 

Comentário rápido: todos podemos e devemos fazer greve, especialmente hoje. Os trabalhadores fazem greve. Quando os trabalhadores organizados de uma instituição fazem greve, a instituição não funciona e o patrão perde dinheiro etc... Então a gente pode discutir se e como os funcionários do tomie poderiam e deveriam ter se organizado para lançar um documento de que estão em greve; esta nota é outra coisa: é a instituição dizendo que não vai abrir, que não vai "testar" a greve geral, tentar agir normalmente apesar dela, nem colocar seus funcionários na posição de ter de furar ou driblar a greve em nome de seus empregos, nem comunicar a seu público que está tudo bem, tudo normal. Enfim, é a posição - política sim, porque as ações são sempre políticas, mesmo quando sem discurso retórico - da instituição, não confundir com as possíveis atitudes e posicionamentos dos funcionários...

 

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Edifício Address, R. Amauri, 513 - Itaim Bibi, 1995.                                           

Mural localizado no hall do Edificio, projetado pelo arquiteto Ruy Ohtake e construído  pela Construtora Encol. Painel  em mosaico de vidro, medindo 2,50x2,10 metros.

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O laboratório vem desenvolvendo estudos sobre os efeitos da exposição à frequências de luz, de que maneira alteram o funcionamento de nosso cérebro, como tais efeitos poderiam ser manejados e direcionados para tratamentos de saúde. A tais esforços se somam as pesquisas da síntese de analgésicos a partir de compostos naturais, como por exemplo o veneno indolor do Fang Blenny, espécie de peixe que habita a Costa do Pacífico. "Estamos diante do esgotamento de um modo de vida, a indústria farmacêutica não poderia ficar indiferente à isso."

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Nada pessoal, apenas como comentei abaixo acho que a Instituição deveria se posicionar a favor dos direitos trabalhistas, como o fez o pessoal da Casa Tombada e outros. Coloquei a questão a vc pois vi que você estava respondendo as questões. Muito mais em respeito do que qualquer outra coisa, e não me estenderei aqui, qualquer se quiser conversaremos. Bjs

 

Pode ser, até onde me concerne, vou levar essa reflexão sobre o que poderia estar escrito para a instituição, que, salvo engano, está fazendo alguma paralisação deste tipo pela primeira vez em sua história. Só é importante lembrar que, por princípio, quem poderia dizer Estamos em Greve, como vc pede no primeiro post, são os trabalhadores organizados - e daí a instituição poderia ratificar isso como fizeram várias escolas…

 

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Cidade Universitária USP, Av. das Nações Unidas, 6200 - Pinheiros, 1997.

Escultura com 5 metros de altura, 7,30 metros de comprimento e 4 metros de largura. Inaugurada pelo Imperador Akihito, pela Imperatriz Michiko e pelo Reitor Jacques Marcovitch. Executado pela Atal, em estrutura treliçada de perfis de ferro, revestimento em aço inoxidável. Colaboração de Jorge Utsunomiya e Vera Fujisaki.

 

Dona Dorinha não sabia, mas fazia parte do experimento. Morava numa rua próxima à Praça dos Omaguás e habitava um apartamento de tamanho razoável, não fossem suas coleções de garrafas e caixas de cereais que ocupavam mais da metade do espaço. Tinha certa dificuldade para se locomover dentro da própria casa, mas fazia questão de garantir que seu quadro preferido, cópia de uma pintura da artista Tomie Ohtake, pendurado na parede da sala, estivesse à vista. "Comprei em uma molduraria da Teodoro, já vai mais de 20 anos. Hoje já deve valer uma fortuna, mas não vendo por preço nenhum." Acontece que Dona Dorinha era acumuladora, e além do transtorno era também hipertensa e tinha crises de ansiedade.

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Se não houve posicionamento por parte dos trabalhadores a nota de que a instituição apóia a greve e luta trabalhista/ direitos trabalhistas caberia muito melhor, do que melhor atendimento, está fala é clientelista, se justifica ao público e não ao trabalhador. Talvez os trabalhadores da instituição temam retaliação, ou apenas não estejam articulados e conscientes, mesmo. Aí já não possa opinar.

 

Talvez fosse difícil opinar, mesmo, mas na prática é tão fácil julgar o que os outros deveriam ter feito. Isso não é construção política, é julgamento moral; por isso estou respondendo, pq acho que temos que praticar outra lógica de política diferente desse apontar de dedos tão cômodo.

 

 

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SESC Vila Mariana, R. Pelotas, 141, 1997.                            

Estrutura de ferro sobre parede. Total de ferro usado, 1,500 metros. Inaugurado pelo Diretor Regional do SESC, Danilo Santos de Miranda. Executado com ferro de 1,8cm de diâmetro, pintado com tinta epoxy pela equipe de Edmundo Canado, colaboração com Jorge Utsunomiya e Vera Fujisaki.

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Outras pinturas de Tomie lembram as imagens – obtidas através de instrumentos tecnológicos – da visão geral de galáxias espiraladas ou elípticas e, muitas vezes, a artista também cria formas semelhantes a bojo e braços, disco ou halo destes sistemas estelares. Um outro conjunto menor de pinturas é composto por obras nas quais o orgânico apresenta-se exacerbado, colocando uma discussão próxima ao realismo (fantástico), insinuando configurações de estranhos seres vegetais ou animais: criaturas de qual mundo?

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Dona Dorinha costumava sair a passeio pelo bairro. Mas tinha que ser cedo, ali por volta das 6 da manhã, quando a rua ainda era tranquila e silenciosa. Andava devagar e não gostava de se sentir mal por isso. Mas também, justiça se faça, acordava sempre antes do sol nascer. Não tinha despertador nem passarinho, já era o costume de se levantar de imediato, sempre na mesma hora, pra tomar três dos doze comprimidos que administrava diariamente. Depois do banho, o destino da caminhada era certo: Padaria Cisne. Ali, Dona Dorinha conhecia todo mundo: Carlinhos, do balcão, Soraia, do caixa, Margarete, dos frios. Era talvez a cliente mais antiga, e parecia sustentar, com alegria, esse título. 

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Entre os milhares de monumentos espalhados por S. Paulo, o ‘Obelisco do Piques’, ou ‘Pirâmide do Piques’, é especial, porque foi a “primeira obra inútil” construída na cidade. O que diferenciava a ‘Pirâmide’, de tudo que veio antes, era a absoluta gratuidade. “Era apenas um monumento. Sua função não dizia respeito a nenhum aspecto prático da vida”, ao contrário de um chafariz, de uma ponte ou, até, de um pelourinho. A conclusão que Roberto Pompeu de Toledo (A Capital da Solidão) tira dessa extravagância é, ao mesmo tempo, óbvia e brilhante: “Quer dizer que os moradores tiveram a ideia de enfeitar a cidade – e quando se quer enfeitar alguma coisa é porque se gosta dela.”

 

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Ladeira da Memória, Anhangabaú, 1984.

Pintura na parede cega do edifício, com 55 metros de altura e 22 metros de largura, em tinta epoxy sobre parede. A sua execução foi promovida pela EMURB (arquiteto José Roberto Graciano) e patrocinado pelo Banco Nacional. Inaugurado pelo Prefeito Mario Covas.

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O arquiteto responsável pela restauração foi Victor Dubugras, considerado por muito o introdutor da Arquitetura Moderna na América do Sul. Os desenhos dos azulejos foram obra de José Wasth Rodrigues, um dos pintores que redefiniram a imagística paulista, e talvez o mais paulistano e civilista deles todos. O ubíquo Wasth – junto com Guilherme de Almeida, o poeta – também foi autor do brasão de Cidade de S. Paulo, usado pela primeira vez na azulejaria que enfeita o Chafariz do Piques. Um modelo simplificado, sem as torres, os ramos de café e o belo dístico ‘non ducor duco’.

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A Padaria Cisne, apesar de ter mais de 30 anos de tradição, só vivia vazia. Havia quem dissesse que se alguém ali entrasse, jamais sairia. Que não havia como aquele lugar continuar funcionando, se nunca tinham produtos nas estantes, nem clientes no balcão.  Mas pra Dona Dorinha, não. Pra ela, a padaria mantinha, até aqueles dias, a mesma graça e requinte. Era louca pelas vitrines que Carlinhos montava, repletas de salgados de todo tipo: coxinhas, risolis, baurus e até esfihas. Gostava de sentar em um canto estratégico, próximo ao liquidificador, só pra ver, em primeira mão, os belíssimos milkshakes que saíam em robustas taças de vidro. Dava gosto! Aliás, era dali também que tinha uma visão privilegiada: o prédio cor-de-rosa.

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Deveria escrever greve. E se posicionar a favor dos direitos trabalhistas. Tomie pisou na bola, não me representa

 

Entendo a sexta. Mas em um aglomerado urbano de mais de 18 milhões de habitantes um museu que fecha no feriado é mixo no DNA. Pêsames

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Ícaro Lira, 1986, Fortaleza, Ceará.  Vive e Trabalha em São Paulo-SP.

Artista Visual, Editor e Investigador, Nos últimos cinco anos, vem analisando as implicações e os desdobramentos de atos políticos e históricos da História Brasileira através de um trabalho documental, arquivista, arqueológico e de ficção. Suas exposições apresentam estruturas similares a pequenos “museus”, onde reúne diversos fragmentos esquecidos, produzindo um sistema de objetos que articula materiais artísticos e não-artísticos, e um conjunto de ações, não necessariamente confinadas a um objeto artístico, mas dispersas em exposições, livros, oficinas, debates, caminhadas, etc.


Julia Coelho, 1990 - Salvador, Bahia Vive em São Paulo

Formada em Artes Plásticas pela Universidade de São Paulo, atualmente integra o PIMASP - Programa Independente do Museu de Arte de São Paulo. Seus projetos se situam entre a curadoria, o trabalho de arte e de texto, em uma busca pelo entendimento de seus formatos e ampliação de suas possibilidades. Editora em bendego.com, plataforma que abriga ensaios, projetos de artistas, projetos curatoriais, entrevistas, audioguias e outros registros.