Av.Brigadeiro Faria Lima, 201, Pinheiros - São Paulo - SP
Invenções da Mulher Moderna, para além de Anita e Tarsila

Abertura 13 de junho às 20h
Exposição 14 junho a 20 agosto 

A mostra inédita, organizada e realizada pelo Instituto Tomie Ohtake, sob a curadoria de Paulo Herkenhoff, coloca em destaque a produção e a trajetória de diversas mulheres que desafiaram convenções e limites de suas épocas, nos séculos XIX e XX no Brasil, seja no campo estético ou social. Invenções da Mulher Moderna, Para Além de Anita e Tarsila é resultado de uma extensa pesquisa que o curador Paulo Herkenhoff desenvolve há décadas, alimentada pela contínua reflexão sobre a obra de diversas mulheres artistas brasileiras. Esta mostra, portanto, desdobra o já conhecido comprometimento de Herkenhoff com o registro histórico da produção feminina e com a reflexão teórica sobre suas invenções.

Para a exposição, com cerca de 300 obras, além de fotos e documentos, o curador toma como referência dois pilares do modernismo no Brasil, Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, e apresenta novos apontamentos sobre suas obras e histórias. Em torno dessas referências, a maior parte das obras e das narrativas presentes na exposição vai mais longe, e apresenta mulheres que são em sua maioria desconhecidas do grande público.

Entre mostra e catálogo, o curador não pretende organizar um dicionário/glossário de nomes e imagens, muito menos construir uma grande narrativa completa e acabada, mas situar de maneira historiográfica e crítica diversas personagens que complementam e transformam a história da cultura e da arte no país.

Assim, ao invés de uma narrativa linear, a mostra elege diversos núcleos, que se distribuem como uma rede ou uma constelação. Núcleos heterogêneos são estabelecidos e dão visibilidade a questões e temas relevantes, que abrangem tanto dados históricos e factuais quanto tentam evidenciar a subjetividade das artistas escolhidas. As invenções, como sugere o título, dizem respeito às criações dessas mulheres e também à construção da imagem da mulher que foi sendo aberta e lapidada ao longo dos séculos XIX e XX. Além de seu pioneirismo, essas personagens têm em comum o enfrentamento de tensões e conflitos de diversas ordens.

Em MULHERES DE VASSOURAS – trocadilho entre as mulheres e a cidade carioca que foi polo do café do século XIX e de revoltas de escravos – estão: retratada em pintura anônima, Eufrásia Teixeira Leite (1850 – 1930), intelectual que se relacionava com Joaquim Nabuco e se notabilizou por libertar seus escravos e por seus atos de filantropia; registros da prisão, oriundos do Arquivo Nacional, de Mariana Crioula, negra, casada com o quilombola Manoel Congo e que, ao seu lado, participou da maior fuga de escravos ocorrida em 1838; e obra de Abigail de Andrade (1864 – 1890, França) que, segundo o curador, foi uma das primeiras a executar no Brasil as chamadas pinturas de gênero, pautadas nas cenas cotidiana de interiores doméstico.

Para pensar as MULHERES DO SÉCULO XIX, Herkenhoff se vale da ideia do “muxarabi”. O elemento da arquitetura que lembra uma grade de madeira, de origem árabe, permite entrada da luz, se pode ver de dentro para fora, mas não de fora para dentro. Essa posição representa o lugar protegido e reservado que era designado à mulher e foi, gradualmente, superado conforme mulheres decidiam abandonar tal “mediação” ao pintar e registrar a cidade, encarando e sendo encaradas de volta. No século XIX houve cerca de 50 mulheres conhecidas como pintoras e a exposição reunirá cerca de 15 delas. 

Já o núcleo MODERNAS ANTES DO MODERNISMO elenca nomes de artistas que marcaram a época e o local em que viveram, por estarem desvinculadas dos princípios da arte acadêmica, porém não integrando o modernismo organizado como vanguarda no país no começo do século XX. É o caso da espanhola, que chegou ao Brasil nos anos de 1890, Maria Pardos em Juiz de Fora, Minas Gerais, uma pintora da intimidade e do mundo privado e que ganhou diversos prêmios em salões. Outra artista pertencente a este grupo é Nair de Teffé (1886 – 1981, RJ) que, segundo o curador, foi a primeira caricaturista mulher de quem se tem notícia em escala mundial.

O segmento dedicado à FOTOGRAFIA evoca a atuação da mulher no século XIX, como a chegada, em 1842, de cinco daguerreotipistas no Rio de Janeiro, dentre eles, uma mulher. A mostra traz a figura que modificou os parâmetros da fotografia no século XIX, Fanny Volk, alemã radicada em Curitiba no ano de 1881. Com interesse voltado ao social, uma de suas pesquisas constava de fotografar o trabalho masculino ao ar livre. Já entre as presenças no início do século XX o curador ressalta as fotografias de Hermínia Nogueira Borges (1894, RJ – 1989, RJ), fundadora do Foto Clube Brasileiro, no Rio de Janeiro, e as cerca de 10 mulheres que dirigiram estúdios, a primeira em 1908, no Estado de São Paulo, e em 1910, na capital. As lentes estrangeiras que chegam ao Brasil no século XIX também são investigadas pelo curador que, no caso, envolve mulheres e homens com olhares não modernista, pois se afastavam de questões nacionalistas e preocupavam-se com a subjetividade e os registros sociais.

Um dos pilares da mostra, ANITA MALFATTI (1889 – 1964, SP), além de pinturas, comparece acompanhada de uma análise crítica do texto “Paranoia ou mistificação?” (1917), de Monteiro Lobato. Para dissecar o texto de Lobato, que ficou célebre pelo impacto que teve na percepção da trajetória da artista, Herkenhoff baseia-se no código civil da época. Lobato era Procurador do Estado e os termos de seu artigo refletiam o pensamento retrógrado que tratava a mulher como cidadão minoritário, parcialmente incapaz de tomar decisões. Já sobre TARSILA DO AMARAL (1886 – 1973, SP), além de uma série de pinturas, a exposição apresenta desenho/ estudo do Abaporu (1928). 

Em ESCULTORAS há obras a partir da primeira metade do século XX, concebidas por artistas como: Nicolina Vaz de Assis (1874, SP – 1941, RJ), que na cidade de São Paulo tem uma de suas mais conhecidas esculturas, a Fonte Monumental na Praça Julio de Mesquita (1927), participa com algumas de suas peças em bronze e um retrato seu pintado por Eliseu Visconti; Zelia Salgado (1904, SP - 2009, RJ), que foi professora da Lygia Pape, ganhará destaque a partir de alguns momentos de sua obra, como o que faz referência à Unidade tripartida, de Max Bill; e Adriana Janacopoulos (1897, RJ), reconhecida por conceber monumentos, cabeças e bustos, tem um de seus trabalhos representado.

MARIA MARTINS (1894, MG – 1973, RJ) é um núcleo em si. A curadoria evidencia a ousadia de sua produção ao abordar diretamente o desejo como centro poético de sua obra e a cópula como tema direto de algumas. A abordagem do trabalho enfatiza o contraste dessa atitude com o pudor vigente no Brasil naquele período.

Já para Lygia Clark (1920, MG – 1988, RJ), a mostra constrói um percurso pelas noções poéticas fundamentais de sua obra, com leitura e análise de conceitos como o de “espaço modulado”, enquanto Lygia Pape (1927 – 2004, RJ) é apresentada por meio de alguns de seus vídeos, como Eat me (1975) e Divisor (1967). Tomie Ohtake (1913, Kioto, Japão – 2015, SP) é aproximada da pintura de Alina Okinaka (1920, Hokkaido Japão – 1991, SP), formando o núcleo MULHERES JAPONESAS, que traz questões sobre o silêncio, a fala e a escrita, análogas à obra de Mira Schendel que acrescenta, ao silêncio e à fonética, o indivisível. 

Por fim, produções pouco conhecidas pelo grande público, por partirem de personagens que não vêm do eixo Rio-São Paulo compõem AS AMAZONAS, com Julieta de França (1872 – 1951, PA) e Antonieta Santos Feio (1897 – 1980, PA), ambas de Belém e com estudos em arte na França e Itália.  Julieta de França aproximou-se do Art Nouveau e expôs junto de Rodin, na França. Foi uma das primeiras mulheres a enfrentar o regime acadêmico e disputar os espaços com os homens artistas, sendo duramente criticada por isso. Antonieta Santos Feio usou seu olhar atento para representar figuras e personagens locais e seus costumes. Em um primeiro momento suas obras dedicam-se à figura da mulher engajada no trabalho e na religião e depois passa a mostrar a extração da borracha, universo majoritariamente masculino.





PROGRAMA DE ATIVIDADES

O Núcleo de Cultura e Participação do Instituto Tomie Ohtake oferece uma série de atividades gratuitas ligadas à exposição Invenções da mulher moderna, para além de Anita e Tarsila, voltadas a diferentes públicos.

VISITAS AGENDADAS

Com duração de duas horas, a visita contempla uma conversa entre educadores e visitantes na exposição e uma atividade prática em ateliê. As conversas consideram o contexto específico da exposição, a linha curatorial, leitura de imagens e os interesses e repertório dos visitantes, professores e alunos. A atividade em ateliê busca a vivência de uma experiência que se dá pelo fazer, colocando os visitantes em contato com materiais, propostas e questionamentos disparadores de processos de criação coletivos ou individuais.

Quartas e sextas-feiras, das 10 às 12h e das 14h às 16h
Grupos com até 40 participantes por período
Crianças a partir de 5 anos
Gratuito
Inscrições: Tel. 11 2245 1937
Informações: setoreducativo@institutotomieohtake.org.br

 

 

VISITAS EM LIBRAS

Mediadas por um educador surdo, incluem uma conversa na exposição seguida de atividade poética em ateliê.
Terças, quintas e sextas-feiras, das 11h às 17H
Grupos com até 25 participantes por período
Gratuito
Inscrições:  Tel. 11 2245 1937
Informações: setoreducativo@institutotomieohtake.org.br

 

 

MARCENARIA PARA MULHERES

Produção de objetos de madeira com o uso de ferramentas manuais e elétricas, voltada para mulheres.
Caixa de ferramentas, 20 de junho, às 14h30
Painel de acessórios, 20 de julho, às 14h30
Nicho para guardar livros, 12 de agosto, às 14h30

16 vagas
Gratuito
Inscrições: : www.institutotomieohtake.org.br
Informações: Tel. 11 2245 1920 ou setoreducativo@institutotomieohtake.org.br

 

 

ABERTURA ESPECIAL PARA PROFESSORES

Abertura exclusiva para professores e educadores com distribuição da publicação educativa. Além da visitação livre, serão oferecidas visitas mediadas com educadores em quatro horários diferentes.

19 de junho
Visitação livre: das 12h às 21h
Visitas mediadas: 13h, 15h, 17h e 19h.
Grupos com até 40 participantes por período
Gratuito
Inscrições: : Tel.11 2245 1937
Informações: setoreducativo@institutotomieohtake.org.br

 

PEÇA - “O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO, A RAINHA DO CÉU”

A peça adaptada por Natalia Mallo e encenada por Renata Carvalho apresenta a seguinte reflexão: “E se Jesus vivesse nos tempos de hoje e fosse uma mulher transgênero?” O espetáculo é uma mistura de monólogo e contação de histórias em um ritual que mostra Jesus no tempo presente, na pele de uma mulher transgênero.

24 de junho, às 21h
Gratuito
Não recomendado para menores de 18 anos
150 vagas
Informações: setoreducativo@institutotomieohtake.org.br

 

NO COLO
Atividades de descobertas sensoriais para bebês de até 18 meses e famílias sobre temas das exposições em cartaz no Instituto Tomie Ohtake.

Programação
28 de junho, às 14h30
8 de julho, às 10h30 e às 14h30
26 de julho, às 14h30
5 de agosto, às 10h30 e às 14h30
12 de agosto, às 10h30 e às 14h30
16 de agosto, às 14h30

18 vagas por período
Gratuito
Informações:  www.institutotomieohtake.org.br
Tel. 11 2245 1937 ou setoreducativo@institutotomieohtake.org.br

 

 

ENCONTRO COM PROFESSORES

O encontro com professores constitui um espaço de troca entre os educadores do Instituto Tomie Ohtake e professores, educadores e assistentes sociais de outras instituições. A programação de cada encontro prevê visita à exposição, realização de atividade em ateliê, discussão sobre mediação e apresentação da publicação educativa desenvolvida pelo Núcleo de Cultura e Participação.

14 de julho, sexta-feira às 18h
40 vagas
Gratuito
Inscrições: Tel. 11 2245 1937
Informações: setoreducativo@institutotomieohtake.org.br

 

 

 

CONVERSAS EM FLUXO

Programa de conversas com pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento sobre questões relacionadas às exposições em cartaz no Instituto Tomie Ohtake.

20 de julho, às 19h
17 de agosto, às 19h
40 vagas
Gratuito
Inscrições:  Tel. 11 2245 1937
Informações: setoreducativo@institutotomieohtake.org.br

 

 

CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS

Contações de histórias para todas as idades com recursos de audiodescrição para pessoas com e sem deficiência visual e intérprete de LIBRAS (língua brasileira de sinais) sobre exposições em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, com diversos temas e linguagens variadas de arquitetura, fotografia, arte moderna e contemporânea.

 Programação
28 de julho, às 9h30 e às 14h30
29 de julho, às 11h
17 de agosto, às 9h30 e às 14h30
18 de agosto, às 9h30 e às 14h30
19 de agosto, às 11h

Gratuito
Inscrições: Tel. 11 2245 1937
Informações: setoreducativo@institutotomieohtake.org.br

 

OFICINA DE CRIAÇÃO ARTÍSTICA EM LIBRAS (LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS) PARA SURDOS

A atividade tem como objetivo promover manifestações artísticas em LIBRAS a partir de leitura e debate sobre obras da exposição, discutindo hábitos ligados às culturas surdas.


29 de julho, às 14h30
12 de agosto, às 14h30

Gratuito
20 vagas
Inscrições: www.institutotomieohtake.org.br 
Informações: setoreducativo@institutotomieohtake.org.br

 

VISITA E OFICINA COM AUDIODESCRIÇÃO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL

Experiências sensoriais na exposição, direcionadas em algumas obras selecionadas com audiodescrição, propondo reflexões estéticas e sociais de diferentes artistas.

29 de julho, às 11h
12 de agosto, às 11h

Gratuito
20 vagas
Inscrições: www.institutotomieohtake.org.br
Informações: Tel. 2245 1937 ou setoreducativo@institutotomieohtake.org.br






PATROCÍNIO

apoio 

  

apoio de mídia 

      
  

         

  

                     

          

                                                           


produção audiovisual