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LUCIANO FIGUEIREDO - Urgente! É Pintura
De 13 de setembro a 29 de outubro

Um vasto panorama da produção de Luciano Figueiredo, artista que esteve envolvido nos principais movimentos artísticos e musicais dos anos 70, é apresentado nesta exposição que busca evidenciar as suas múltiplas atuações, exibindo desde trabalhos históricos até os mais recentes. O conjunto reunido evidencia a sua condição de autor plural, com uma obra que transita entre a sua arte e a criação de projetos para capas de disco, cenários de shows e publicações.

 

Com curadoria de Paulo Miyada e Priscyla Gomes, ambos do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake, e patrocínio do Bradesco, a mostra exibe os trabalhos em primeiro plano, complementados por uma linha do tempo com documentações, peças gráficas, fotografias que marcaram a trajetória de Figueiredo. “É possível, por meio do conjunto de trabalhos aliados à essa grande cronologia, compreender quão vasta e plural tem sido a sua produção, de experimentos com jornal à pintura”, destaca a dupla.

 

A exposição reúne as primeiras obras, que têm como traço marcante o emprego do jornal, o corte, a colagem e certa fascinação do artista pelo cinema. A esse conjunto juntam-se suas pinturas e relevos, evidenciando seu forte compromisso com a cor e com a experimentação. “Esse conjunto recente de Relevos revela ações que constantemente permeiam sua obra explicitando peças em que o corte, a dobra, o vinco e o rasgo são elementos primordiais”.

 

Nascido em 1948 em Fortaleza, Figueiredo estudou pintura na década de sessenta, vindo a participar da Bienal Nacional de Artes Plásticas, em 1966, e da representação brasileira da Bienal Internacional de São Paulo em 1967. É nessa mesma década que se mudou para o Rio de Janeiro, aproximando-se de importantes figuras da cena literária e artística carioca, como Wally Salomão, Óscar Ramos, Torquato Neto.

 

Essas aproximações e parcerias se tornariam importantes para a realização de inúmeros trabalhos. Ao lado de Óscar Ramos, Figueiredo desenvolveu cenários para peças de teatros, publicações e capas de discos, com uma contribuição assídua aos expoentes do tropicalismo. São desse período capas emblemáticas como “Barra 69”, álbum fruto da gravação de um show de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Teatro Castro Alves, em Salvador, e “FA-TAL: Gal a todo vapor”, gravado em 1971.

 

No contexto dessas parcerias, é marcante a participação de Figueiredo na concepção e realização da revista “Navilouca”, comandada por Torquato Neto e Waly Salomão e cujo layout era de autoria sua e de Ramos.

 

“A década de 1970 é marcada pelo início dos trabalhos com jornais, nos quais Luciano inicia uma apropriação de um elemento ordinário, muitas vezes descartado para compor colagens, poemas e que, futuramente, viram a ser matéria primordial de seus relevos e pinturas”, avaliam os curadores. É também nesse período que Figueiredo conheceu o crítico e curador Guy Brett e o artista Helio Oiticica. A amizade e colaboração de Figueiredo e Oiticica proporcionaria muitos trabalhos e ações coletivos, que fizeram com que, após a morte de Oiticica, Figueiredo se encarregasse de exposições, publicações e da diretoria de Centro de Arte Helio Oiticica, colaborando para a preservação e organização de sua obra, apresentando-a ao público e, posteriormente, levando o nome do artista a um circuito internacional.

 

As décadas que se seguem, marcam a consolidação do trabalho artístico de Figueiredo passando a ganhar cada vez mais espaço com a realização de suas primeiras exposições, como “Noir” (1984) e “Diorama” (1988), ambas sediadas na Galeria Paulo Klabin do Rio de Janeiro. Outra importante colaboração iniciou-se na década de 80, com o convite de Lygia Clark a participar de suas sessões de terapia sensorial. “Surgiu dessa aproximação um profundo diálogo entre os artistas que encontrou desdobramentos nas produções de ambos”, completam os curadores.

 

Desde 1980, Figueiredo tem participado de inúmeras exposições individuais, destacando-se Do Jornal à Pintura (2006), no Paço Imperial, no Rio de Janeiro; Peintures, Reliefs (2007 e 2010), na Galerie D’Est et D’Ouest em Paris; Tercetos (2008) e Interplanos, Entreplanos (2009) realizadas na Galeria Lurixs, no Rio de Janeiro e na Galeria Nara Roesler, em São Paulo. O artista também integrou exposições coletivas na Caixa Cultural do Rio de Janeiro (2011), Instituto Tomie Ohtake (2007), Oi Futuro (2007), Centro Cultural Banco do Brasil (RJ, 2003) e Itaú Cultural (2001).



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