Parte da extensa obra em
gravura de Pierre Alechinsky
pode ser vista nesta exposição
que reúne 100 litografias pertencentes ao Atelier Clot
(Paris, França), de Peter Bramsen, também impressor e parceiro
do artista belga há 40 anos.
As obras reunidas pelos curadores Christian Bramsen e Valère Bertrand percorrem cinco décadas  (1963 a 2002) da produção
de Alechinsky desenvolvida
em gravura a partir de 1948.
>Pierre Alechinsky (Bruxelas, 1927), ao lado de nomes como Karel
Appel, Asger Jorn, Constant, entre outros, fez parte do Grupo Cobra (1949-1951), que reunia artistas procedentes de Copenhagen, Bruxelas e Amsterdam.
O movimento rejeitava o abstracionismo da pintura européia do pós-guerra ao considerá-la
sem vida, e trazia o inconsciente
com questão central. Assim
como a dos outros integrantes
do grupo, sua obra notabilizou-
se pela livre expressão, utilização
de cores fortes e contrastantes,
com pinceladas acentuadas e grossas, resultando em trabalhos plenos de movimento e vitalidade. Particularmente, Alechinsky, ao menos tempo em que fazia parte dos chamados inconscientes, sua obra trazia algo de construtivo, sem ser geométrica, e curiosamente, até hoje, apresenta uma narrativa que remete a histórias em quadrinhos.
Conhecido por estabelecer diálogos com Jean Dubuffet (exposição retrospectiva
no Instituto Tomie Ohtake,
em 2009), o trabalho de Alechinsky também se
conecta com a “art brut”
ao se aproximar da arte praticada fora do contexto do mercado, como a das crianças
e dos então “inconscientes”. Mas é com Pollock a sua
maior afinidade, pelas espontâneas e dinâmicas pinceladas e pelo jogo de
cores claras e escuras que constroem a profundidade da composição. Enquanto Pollock desenvolvia a sua obra na América,  Alechinsky nos pequenos países da Europa no pós-guerra.
Quando o Grupo Cobra se dissolveu, Alechinsky mudou-se para Paris, mas em 1955 passa uma temporada no Japão para estudar caligrafia, quando fez seu conhecido filme Caligrafia Japonesa.
Desde então o artista amplia seu interesse pelos métodos de impressão, daí a gravura se tornar parte representativa
de sua produção.