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O Instituto Tomie Ohtake apresenta em São Paulo a exposição Carlos Vergara Viajante - obras de 1965 a 2003, em parceria com o Santander Cultural, onde a exposição esteve em cartaz de junho a setembro deste ano, com expressiva visitação: 65 mil pessoas. A mostra apresenta os 40 anos de carreira do artista de origem gaúcha que vive no Rio de Janeiro em recortes pontuais, apontando a sua rica trajetória. Com curadoria de Paulo Sergio Duarte, que acompanha de perto há 25 anos o trabalho do artista, a exposição reúne 50 obras de média e grande dimensões, vindas de acervos de instituições como o MAM do Rio de Janeiro (coleção Gilberto Chateaubriand) e o MAM de São Paulo, do Museu de Arte Contemporânea de Niterói (coleção João Sattamini) e de importantes coleções particulares, como as de Luiz Buarque de Hollanda, Adolpho Leirner, Raquel Arnaud, Ricard Akagawa, Kim Esteve e outros. Vergara refez especialmente para a mostra obras que atravessaram os difíceis e conturbados anos 60 e que ainda hoje são atuais, com forte carga política. Também apresenta a instalação composta por mais de 100 fotografias sobre o carnaval carioca criada a partir do bloco carnavalesco Cacique de Ramos, nos anos 70, pinturas dos anos 80 e obras concebidas nas inúmeras viagens que fez, a partir dos anos 90, da série Viajantes. "Plenas na pura visibilidade, satisfeitas na generosidade da escala, deixam, no entanto, presentes os indícios da viagem, dos percursos cujas marcas ele emancipa, pelo trabalho, na forma. É como se, nessas telas, em surdina, por trás da vibração pictórica, soasse uma cosmogonia da terra brasileira, construída pelo direito de olhar do pintor contemporâneo", afirma o crítico sobre a série. Vida e Obra A obra de Carlos Vergara é a materialização da versatilidade e riqueza da arte contemporânea produzida no Brasil. Utilizando-se de instalações, novos materiais, fotolinguagem, mas, acima de tudo, pintura, o artista é uma referência. As primeiras telas foram pintadas ainda pelo aluno e discípulo de Iberê Camargo em meados dos anos 60, época em que integrou importantes movimentos da arte brasileira, como a coletiva Pare: Vanguarda Brasileira, organizada por Frederico Morais e a mostra Opinião 65, organizada por Ceres Franco e Jean Boghici, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Ao lado de Hélio Oiticica organizou a mostra Nova Objetividade Brasileira, que propunha um balanço da vanguarda produzida no país. Ainda nesta década de ebulição, criou os figurinos e cenários da peça Jornada de um imbecil até o entendimento, de Plínio Marcos, montada pelo grupo Opinião, e funda, ao lado de outros importantes artistas, a Associação Brasileira de Artistas Plásticos. Na década de 70, com as mudanças políticas impostas pela ditadura militar, muitos artistas saem do país enquanto outros mudam o foco de seu trabalho. Vergara realiza nesta época uma extensa pesquisa sobre o carnaval. Intensifica seu trabalho com arquitetos realizando painéis para lojas, bancos e edifícios públicos. Entre eles destacam-se os painéis para as lojas da Varig em Paris, Cidade do México, Nova York, Miami, Johanesburgo, Madri, Montreal, Genebra, Tóquio. Desde 1966 realiza importantes obras públicas, sendo a mais recente o grande painel, escolhido em concurso, sobre o balcão de check-in do novo terminal do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. Em 1978, a Funarte edita o livro Carlos Vergara, da coleção Arte Brasileira Contemporânea, com textos de Hélio Oiticica. Diversas exposições individuais marcaram os anos 80, década que culminou com uma importante mudança em sua pintura. Vergara passa a trabalhar com pigmentos naturais e minérios a partir dos quais realiza a base para trabalhos em superfícies diversas. Nesta época realiza mostras individuais no Paço Imperial (RJ) e na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, apresentando telas de grandes dimensões. Vergara conquistou prêmios importantes ao longo de sua carreira. Recebeu o prêmio Affonso Eduardo Reidy, da premiação anual IAB, em 1971, pelos projetos das lojas Varig de Paris e São Paulo e o prêmio Henrique Mindlin do IAB /RJ, em 1972, pelo projeto de uma capela da qual o artista idealizou os vitrais. Em 1998 recebeu o prêmio Mário Pedrosa, da Associação Brasileira de Críticos de Arte (APCA) por sua mostra Monotipias do Pantanal: Pinturas Recentes, início da série Viajantes. O Instituto Tomie Ohtake e o Santander Cultural são novas instituições, ambas inauguradas há aproximadamente dois anos, com afinidades de propostas que se expressam nesta grande individual de Carlos Vergara e com a qual reafirmam seus compromissos com a arte contemporânea e com a comunidade. |
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