A gráfica suíça é, nos paradigmas da arte mod-
erna, a mais característica dentre as artes apli-
cadas. Formada nos moldes do concretismo
mundial, filha do construtivismo, a gráfica suíça,
principalmente do pós-guerra à década de 1970,
ditou, em acordo com a era industrial, as nor-
mas de um design radical.
A exposição, organizada pelo Museu Basler
Plakatsammlung (Museu do Cartaz da Basiléia),
com curadoria de Rolf Thalmann, no Brasil é
realizada pelo Instituto Tomie Ohtake, único
espaço no país dedicado às três vertentes das
artes visuais – artes plásticas, arquitetura e
design. Com coordenação do Consulado Suíço e
patrocínio da Nestlé, a mostra reúne cerca de
100 obras que apontam a expressão do racional-
ismo na sua mais alta qualidade. Os trabalhos
são provenientes da coletânea de cartazes da
Basiléia, que pertence à Escola de Artes da
Basiléia (antiga Escola de Ofícios).
Segundo o curador, o “swiss style”, estilo gráfico
que ficou conhecido no mundo todo, possui entre
suas características mais destacadas a estrutura
rigorosa e, geralmente, geométrica, o uso de um
único tipo de caracteres (grotesca, univers ou
helvética) e a restrição freqüente às letras
minúsculas. “Além disso, são quase sempre dis-
pensados os desenhos ilustrativos, em seu lugar
se recorre de preferência a formas gráficas ou
fotografias em preto e branco”, completa.
Müller Brockmann, da Escola de Zürich, e
Karl Gerstner, da Escola de Basel, foram os
mais notórios designers. Em suas obras
destacam-se o ortogonalismo, o uso de
fotos retangulares, de figuras geométricas,
faixas e linhas retas verticais e horizontais,
tipografia rigidamente sem serifa, da família
“Grotesca”, depois “Helvetica”, em clara
referência à gráfica do país, e “Univers”,
letras que pouca diferença têm entre si,
desenhadas com a mesma espessura visual
e com cortes retos e secos.
Inserida em um amplo movimento estético
internacional, as artes gráficas, por meio
dos cartazes, são a expressão pura do
racionalismo no design, fazendo parte da
família da pintura de Max Bill, e mais para
trás, Van Doesburg, Mondrian, El Lissitsky,
do design industrial de Charles Eames,
Florence Knoll, George Nelson, da arquite-
tura de Mies van der Rohe, Walter Gropius.
A influência no Brasil foi intensa, podendo
ser atestada através dos próprios artistas
plásticos e designers concretistas:
Waldemar Cordeiro, Geraldo de Barros,
Alexandre Wollner, Grupo Branco e Preto,
dentre outros.