CARTAZ BRASILEIRO
É TEMA TAMBÉM DE MESA REDONDA E WORKSHOP
O inesgotável campo de experimentação que o cartaz possibilita ao designer gráfico pode ser conferido nesta mostra que reúne peças brasileiras dos últimos 50 anos. Organizada pelo Instituto Tomie Ohtake, com curadoria de Paulo Moretto, a exposição, que começou pelo Rio de Janeiro (Centro Cultural Correios), chega a São Paulo ampliada. São 150 cartazes representativos da produção nacional, sem restrições de autores ou temas, provenientes de várias coleções: Centro Cultural São Paulo, Museu da Imagem e do Som, Fundação Bienal de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea - USP, Museu de Arte Moderna, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo-USP e Departamento do Patrimônio Histórico - Secretaria Municipal de Cultura.
Para chegar nesta apurada seleção, o curador analisou mais de sete mil peças no segmento de cartazes culturais, compondo, portanto, um panorama significativo da cartazística brasileira das últimas cinco décadas do século XX. “Tornou-se claro que as áreas culturais que mais demandam a produção de cartazes são o cinema, o teatro, as artes plásticas, a música e, mais timidamente, o circo e a política”, explica Moretto. Segundo o curador, os cartazes criados para o cinema e o teatro apresentam interpretações menos literais do conteúdo propagandeado, enquanto que, para as artes plásticas, tende-se a reproduzir imagens de obras de arte pertencentes à exposição anunciada.
“Assim sendo, um dos critérios que norteou a seleção dentro do vasto universo dos cartazes brasileiros de propaganda cultural foi a questão da linguagem gráfica. Foram escolhidos cartazes que, de alguma forma, representassem determinados tipos de soluções na concepção do layout dos cartazes, a partir da maneira como a fotografia, ilustração, tipografia e outros elementos foram usados na construção de uma sintaxe visual”, explica o curador. Na exposição, encontram-se trabalhos de Almir Mavignier, Alexandre Wollner, Ziraldo, Elifas Andreato, João Baptista da Costa Aguiar, Gringo Cardia, Eliane Stephan, Felipe Taborda, Rico Lins, Luiz Stein, Kiko Farkas, entre outros.
A arquitetura e o design, além das artes plásticas, são áreas também focadas pelo Instituto Tomie Ohtake, um dos raros espaços que se dedicam a todos estes segmentos das artes visuais. Especificamente das artes gráficas, já realizou diversas exposições, como as dos cartazes poloneses, suíços e japoneses, as individuais de João Baptista da Costa Aguiar, de Cássio Loredano e Leo Martins (caricaturas) e do lendário Yusaku Kamekura. Com esta de cartazes brasileiros busca demonstrar quais os caminhos percorridos da nossa linguagem que demonstram qualidade ou avanços na área. “Talvez ainda seja difícil especificar um estilo brasileiro de cartaz, mas é possível identificar um sotaque, que se expressa, como em muita coisa que acontece neste país periférico, por influências diversas, quase uma parafernália de proposições”, explica Ricardo Ohtake, diretor do Instituto e designer gráfico.