Coletiva paralela à Bienal, com curadoria de Agnaldo Farias e Jacopo Crivelli Visconti, reúne artistas brasileiros contemporâneos
A geometria que almeja a organicidade e o caos que esconde o desejo de ordem é a questão que atravessa os trabalhos reunidos em Ponto de Equilíbrio, exposição organizada pelo Instituto Tomie Ohtake para integrar o Pólo Cultural da 29ª Bienal de São Paulo. “Trata-se da aspiração a um certo grau de organicidade, velada ou explícita, em tudo que nasce sob o signo da geometria. Ou o contrário, o que é quase o mesmo, do desejo inconfessável de ordem que subjaz ao caos”, explicam os curadores Agnaldo Farias e Jacobo Crivelli Visconti.
O equilíbrio que as obras da exposição atingem evidentemente é provisório, por ser fruto de
uma tensão constante, nunca se consolida. Muito pelo contrário, aliás, é um equilíbrio que precisa ser constantemente renegociado, colocado em discussão e conquistado. “Trata-se, enfim, de um equilíbrio instável, expressão que, exatamente por ser um oxímoro, resume bastante bem a situação de tensão, talvez até de paradoxo, que a exposição quer identificar”, afirmam os curadores.
Segundo os curadores, o gume dessa tensão
é móvel, por ser a fronteira invisível e
equidistante entre opostos, compartilha
dos dois no mesmo grau, e desloca-se
junto com eles. “É tanto a ordem secreta
que organiza e regula o carnaval, quanto
o gênio dionisíaco, inexplicável e casual,
que permite as descobertas científicas;
é o triunfo da razão atravessado pelo
puro sentimento, como um cristal cuja
pureza fosse repentinamente turvada
pelo germe que o destruirá”, completam
Farias e Crivelli Visconti.