Com 32 trabalhos, entre
desenhos e esculturas, esta
exposição de Ester Grinspum
reúne obras realizadas a partir
da década de 1980 até os
dias atuais, apresentando um
panorama da produção artista.
“Ester Grinspum desenha,mesmo
quando faz escultura”, ressalta
Paulo Miyada, coordenador do
núcleo de pesquisa e curadoria
do Instituto Tomie Ohtake.
Os trabalhos selecionados
para a mostra traduzem este
fluxo singular entre plano
e tridimensionalidade,
ao unir séries dos anos 80,
como "O Arco e a Caverna",
na qual  grandes superfícies
se estendem no papel, a esculturas
de linhas dos anos 90, nas quais o
desenho é quase corpo no espaço.
Obras referenciais da artista
estão presentes na mostra,
como "O Duplo e o Tempo",
feita para a 20ª Bienal
Internacional de São Paulo,
em 1989. Segundo a artista,
essa instalação representa um
momento chave de sua carreira,
quando desenho, linha e escultura
se unem e se contrapõem.
A trajetória investigativa e
de reflexão de Ester acerca
das formas em suas esculturas
é representada ainda por uma
réplica da enorme escultura
em aço, "Sem Título", de 3,5 x
2,5m (1998), pertencente ao MAC Museu de Arte Contemporânea - USP Universidade de São Paulo.
Já nas esculturas dos anos 2000,  como na série em vidro "Ainda Invisíveis", o olhar ultrapassa o espaço e as peças transformam-se puramente em corpos. Entre as obras recentes há "Armas e Delicadezas" (2011), concebidas por grandes superfícies negras
que sublinham mais uma ética do trabalho do que a sua estética, na medida em que o que está em jogo é a potência das formas enquanto armadilhas para o olhar e para o espaço circundante. Livros de artista também estão na mostra, como "O Livro do Pleno" e "O Livro dos Vazios", realizados nos anos 90 e em 2011, reunindo desenho,
texto e corporeidade.
“O despojamento e a imprecisão das formas desenhadas ou construídas por Grinspum podem ser ricos em sentidos, na medida em que produzem enigmas e estruturas comparáveis com os tantos elementos da vida cotidiana que ‘aparecem’ para nós na forma de vazios e de zonas escuras ambivalentes e, por isso mesmo, magnéticos”, afirma Paula Miyada. Ester Grinspum (Recife PE 1955) está situada entre os nomes da
arte contemporânea brasileira que despontaram nos anos 80.
"Sua escultura, nos fins da década de 80, é como se seus desenhos tivessem escapado do papel para ganhar o mundo", afirma o curador Paulo Herkenhoff, em 1991. Desenhista, escultora, gravadora, pintora e ilustradora, estudou
com Luiz Paulo Baravelli (1942) e Marcello Nitsche (1942) no Instituto de Arte
e Decoração - Iade.
Na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da
Universidade de São Paulo
- FAU/USP, entre 1973
e 1977, teve aulas com os
artistas Renina Katz (1926),
Flávio Império (1935-1985),
Claudio Tozzi (1944), Flávio
Motta (1916), e com os
críticos Aracy Amaral (1930)
e Luiz Carlos Daher.
Em 1981, realizou
sua primeira individual,
com desenhos e aquarelas, na Pinacoteca do Estado de São Paulo. 
No início dos anos 80, participou da lendária exposição "Como vai você, Geração 80?", na escola
de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, considerada um marco
na revelação de uma nova geração da arte contemporânea. Nos anos seguintes, participou de exposições coletivas em Nova York, Califórnia, Connecticut, Idaho e
das primeiras bienais de Havana. Depois de
participar do Panorama
MAM de 1987,  produziu
sua primeira escultura,
que integra a instalação
O Duplo e o Tempo, exibida em 1989 na 20ª Bienal Internacional de São Paulo.  
Nos anos 90, recebeu, entre outras, bolsa de pesquisa para artistas da Fundacion Helena Segy, no Centre Georges Pompidou, em Paris; bolsa de trabalho do European Ceramic Work Center, em s'Hertogenbosch, Holanda; e bolsa de residência na Cité des Arts, Paris, período em que realizou exposições individuais e participou
de coletivas em várias localidades da França. 
Na última década,
destacam-se a mostra
Ester Grinspum - Uma Antologia, na Pinacoteca, com curadoria do historiador da arte Tadeu Chiarelli,
em 2004, e o Panorama
dos Panoramas, em 2008. Em 2010, lançou o Livro
do Pleno, primeiro volume da coleção Livro de Artista, da Editora Cidade, com apresentação de Lorenzo Mammi. Em 2011, realizou
a exposição de obras inéditas "Armas e Delicadezas", na Galeria Transversal, com relevos
de parede e esculturas em ferro e desenhos - todos
de criação recente. O novo suporte é uma extensão do trabalho que Ester Grinspum realiza nos últimos anos.