A exposição Guignard e o Oriente: China, Japão e Minas,resultado de uma parceria entre o Instituto Tomie Ohtake e a Fiat Automóveis, conta com a
co-curadoria de Paulo Herkenhoff e Priscila Freire, crítica que inicialmente tomou a iniciativa de realizá-
la com o foco na China.
A exposição incorpora um conjunto de 45 pinturas
de Guignard e paisagens de seu contemporâneo,
o mestre chinês Zhang Daqian, que viveu em São Paulo na década de 1950, além de objetos e móveis. Fazem parte da mostra ainda gravuras japonesas do Ukyio-e, objetos setecentistas e documentação fotográfica de chinesices em Minas Gerais.
O curador estabeleceu um terceiro foco
da relação de Guignard com o Oriente: as chinesices que proliferaram nas igrejas coloniais em Minas Gerais.
Outro ponto de sua argumentação, relaciona a obra de Guignard à
fundação do Serviço de Proteção ao Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Segundo Herkenhoff, uma paisagem
de Guignard pode ser um complexo campo arqueológico da história. “A matéria pictórica não se sobrepõe
como camadas de sedimentos, mas realiza seu oposto: o signo pictórico expõe índices – melhor seria chamá-
los de vestígios. A transparência do
óleo aposto e o traço indicial do pincel constituem vestígios daquilo que alguns denominariam memória e outros, história. O pincel do arqueólogo é um dos instrumentos de retirada de toda matéria sedimentar que paulatinamente se depositou e encobriu os objetos encontrados de um sítio arqueológico.
O pincel de Guignard os torna visível. Sua operação arqueológica é constituir a presença da história”.
Desde o início da década de 1980 que historiadores do Rio de Janeiro vinham apontando referências
de Guignard à tradição da pintura chinesa, das paisagens verticalizadas que correm sobre a superfície da tela e dispensam a perspectiva
linear com ponto de fuga. As pesquisas de Paulo Herkenhoff no preparo da exposição do Instituto Tomie Ohtake levaram-no à conclusão de que a relação de Guignard com a arte chinesa é bem
mais complexa, passando também por outras questões como a representação da nuvem, formas de mobiliário, traços ideogramáticos ou modos de disposição de objetos no céu, e outros. Herkenhoff também diagnosticou a influência do efeito de treliça da gravura japonesa do Ukiyo-e nas paisagens do Jardim Botânico do Rio de Janeiro ou do Parque Municipal de Belo Horizonte.
Para Herkenhoff, ainda, os vestígios históricos da paisagem de Guignard são
a memória subjetiva, a história colonial contagiada pela modernidade (o trem
de ferro e a fábrica) e a história da arte cruzada em construção transcultural
para abrigar o Oriente. É necessário, portanto, segundo ele, pensar numa segunda dimensão de arqueologia na pintura do artista. “Já não lhe basta inscrever a história, mas cumpre estabelecer múltiplas ocorrências:
a tradição européia renascentista e romântica, a arte chinesa e japonesa e
a herança colonial brasileira”, conclui o curador.

Outra abordagem de Herkenhoff é a relação fenomenológica da formação
das montanhas e das nuvens, os processos de flutuação e da gravidade visível, que teria um pé na arte européia e brasileira (Visconti e outros), além da oriental. 

EXPOSIÇÃO
24 junho a 29 agosto 2010
Terça a domingo, das 11 às 20 horas   
Entrada gratuita
AÇÃO EDUCATIVA
Agendamento das 9 às 18 horas de visitas orientadas com atividades educativas para grupos previamente marcados. Cursos de pintura, escultura, desenho, vídeo, teoria da arte, música, literatura, filosofia e curso para professores da rede pública e privada sobre ensino da arte.
Telefone 11 2245 1937
FLYER
Distribuição gratuita aos visitantes da exposição