Esta exposição, um recorte da extensa
produção de gravuras de Iberê Camargo (1914,
RS – 1994, RS), foi organizada de forma a
apontar o processo de criação do artista. São
38 gravuras, 21 provas de estado – as diversas
etapas de execução do trabalho –, 22 desenhos
e cinco matrizes que ocupam todas as salas do
andar térreo do Instituto Tomie Ohtake. “Esta
exposição em nosso espaço celebra a abertura,
no final do ano, da nova e premiada sede da
Fundação Iberê Camargo e o término da ampla
pesquisa realizada pela instituição para levantar
e catalogar toda a obra gravada do artista”,
destaca o diretor Ricardo Ohtake.

Com curadoria de Mônica Zielinsky, também
organizadora do catálogo raisonnée, a mostra,
com estrutura cronológica e dividida em três
segmentos – “Para além das superfícies”,
“Conquistas da forma”, e “Em direção ao
infinito” –, constrói um percurso que evidencia
os caminhos traçados pelo artista, ressaltando
as questões que lhe foram fundamentais.
“Desse modo, quem a visita, pode acompanhar,
não somente os resultados atingidos, mas
alguns aspectos seqüenciais desse processo”,
explica a curadora.
A obra gravada desse grande artista
brasileiro intensifica-se a partir da década
de 1950, coincidindo com seu retorno ao país
após os dois anos de formação no exterior.
A gravura para Iberê era um laboratório de
experimentações e seu interesse
fundamental pelas condições técnicas
evidencia-se, ao lado das provas de estado
e das obras finalizadas, nos depoimentos,
cartas e registros deixados pelo artista,
alguns dos quais integram a exposição.

Apontando o movimento incessante no
interior de cada obra, com superposições,
linhas entremeadas e camadas de trabalho,
com dinâmicas entre uma obra e outra
e em relação aos seus diferentes momentos,
a curadora ressalta que esta estrutura de
mobilidade vai além dos conteúdos técnicos
que o artista tanto valorizou. “[ele] soube
transformá-los no fundamental veículo para
ir além das superfícies, para trazer o
conteúdo humano a uma expansão em
direção ao infinito”.