Artista precursor da arte pop, ao lado de Robert Rauschenberg (apresentado no Instituto em 2009), também de quem foi inicialmente vizinho e amigo, Jasper Johns é protagonista e testemunha viva de um período da arte do século XX que, após o expressionismo abstrato, provocou as rupturas que até hoje pautam o pensamento contemporâneo.
A exposição, organizada pelo Instituto Tomie Ohtake e a Universal Limited Art Editions (ULAE), de onde grande parte dos trabalhos é proveniente, com o patrocínio do Deutsche Bank, traz um panorama da obra em gravura de Jasper Johns, com cerca de 70 peças concebidas a partir da década de 1960. Técnica fundamental na experiência pictórica do artista, que mantém, pela ULAE, uma impressora dentro de seu ateliê, a gravura teve início com as litografias produzidas a partir de 1960, quase imediatamente após a sua histórica exposição individual de pintura, na Leo Castelli Gallery, em 1958, considerada seminal da pop art, e a coletiva 16 Americans, no MoMA, em 1959.

A mostra revela as experiências de Jasper Johns com a litogravura, gravura em metal e serigrafia enfatizadas pelo universo gráfico presente em suas obras, objetos banais, como bandeiras, números, letras, alvos, mapas etc. Segundo Tony Towle, poeta e antigo administrador da ULAE, que assina o texto do catálogo da exposição, os aspectos de adição e transformação, contidos no procedimento da litografia, influenciaram a maneira de pensar de Johns. Ao artista interessava um novo ponto de vista sobre as coisas vulgares, como dizia, pelo fato de “uma coisa não ser o que é, de ela se tornar qualquer coisa diferente daquilo que é”.
Nas pinturas de Johns figuram símbolos populares e, ao mesmo tempo, constituem um aglomerado de pigmento ou cera movimentado pelo gesto do artista, resultando em trabalhos em que os desenhos parecem saltar para fora das telas. Em suas gravuras, “as variações de cor e os modos de impressão combinados a partir de cada conjunto de matrizes deixam claro que o que vemos ao final são figuras e, também, são camadas de material pictórico manipulável como parte de uma experiência artística”, explica Paulo Miyada, coordenador do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake.

“A melhor crítica de uma figura é outra figura”, dizia Johns. Há 50 anos, Tatyana Grosman, fundadora da ULAE, o convidou a produzir litografias, pois apostava que a técnica poderia acrescentar outra dimensão à sua obra, que evoca figura e procedimento. O conjunto de trabalhos reunido nesta exposição atesta o que a editora vislumbrava nos anos iniciais da carreira do artista.
Jasper Johns (1930, Augusta, Georgia, EUA), antes da exposição que o consagrou na Leo Castelli, estudou na Universidade da Carolina do Sul e depois cursou escola de arte em Nova York. Prestou o serviço militar e regressou à cidade, onde sobrevivia através da venda de livros. No início dos anos 1960, fazia parte do grupo responsável pela efervescente produção artística nova-iorquina, convivendo, discutindo e trabalhando com outros ícones da cena cultural, como Merce Cunningham, John Cage e Robert Rauschenberg. Participou das edições 3, 4, 5 e 6 da Documenta (Kassel). Em 1988 a sua obra em pintura foi premiada na Bienal de Veneza. Em 1989, tornou-se membro honorário da Royal Academy em Londres. O MoMA, em Nova York, realizou sua grande retrospectiva em 1996. Atualmente ele vive e trabalha em Nova York.
Coincidentemente, no Brasil, artistas do grupo que compartilharam experiências com Jasper Johns estão no calendário cultural de 2012, como a exposição em comemoração ao centenário de John Cage, no MAM-RJ, e espetáculos do encenador Robert Wilson no SESC SP, em Porto Alegre e no Teatro Municipal de São Paulo.