Como parte dos eventos do Ano da França
no Brasil, o Instituto Tomie Ohtake traz
pela primeira vez à América do Sul uma retrospectiva de Jean Dubuffet (1901-1985),
o maior artista francês da segunda metade
do século XX, com curadoria de Sophie
Webel, diretora da Fundação Jean Dubuffet.
A mostra é composta por uma seleção de 84 obras, entre pinturas, esculturas, desenhos
e litografias, realizadas no período de 1944 a 1984 – Materiologias, Texturologias, o famoso ciclo Hourloupe e seus desdobramentos –, provenientes da coleção da Fundação sediada em Paris, constituída pelo próprio artista.
A exposição traz ainda, em um palco de 40 m2, as pinturas recortadas Coucou Bazar
que, animadas, compuseram a performance, realizada pela primeira vez em 1973, no Guggenheim de NY, por ocasião de uma grande retrospectiva do artista naquele museu.
Segundo Ricardo Ohtake, diretor do
Instituto, Jean Dubuffet estabelece um interessante paralelo com Tomie Ohtake, artista que dá nome ao espaço, pois ambos começaram a pintar tardiamente, após os
40 anos, e construíram trajetórias alheias às tendências históricas, contudo sem ignorá-
las, trabalhando com liberdade a pintura,
a escultura e a arte pública. Para Ohtake, ainda, o artista francês realizou um trabalho inovador e inesperado em sua época. “Estas características e, sobretudo, o impressionante surto criativo de Dubuffet, que construiu linguagens opostas sobre o mesmo tema
nas duas fases mais importantes de sua trajetória, trazem esta exposição ao Instituto Tomie Ohtake”, completa.
O artista instintivo Jean Dubuffet que acreditava na criação proveniente de fontes próprias, livres de influências teóricas ou
dos ditames da arte, cunhou o termo Arte Bruta justamente para rechaçar o caráter seletivo das artes e valorizar a manifestação expressiva espontânea. Foi um grande colecionar e estimulador de nomes dessa corrente artística, porém, da qual nunca pertenceu devido à sua destacada condição intelectual, como comenta a curadora
da exposição. O imóvel onde guardava
esta coleção de Arte Bruta é hoje sede da Fundação que leva seu nome, na Rue de Sèvres, em Paris.
“Artista ímpar, cioso de sua singularidade, Jean Dubuffet pôs-se resolutamente à margem das correntes dominantes da arte contemporânea, ao rechaçar toda e qualquer herança e haurir em fontes outras, que não as da modernidade, os fluxos que conduzirão sua obra (...) o trabalho de Dubuffet deve igualmente ser considerado uma entidade autônoma, com seu ritmo próprio de
evolução e suas propriedades constantes“, escreve Alfred Pacquement, diretor do Museu Nacional de Arte Moderna – Centre Georges Pompidou, em seu ensaio sobre o artista,
que fará parte do catálogo da exposição no Brasil. Segundo Pacquement, aspectos como
a valorização do inconsciente, defesa do caráter irracional e da imaginação na arte, como expressões diretas do artista, vindas do surrealismo, dadaísmo e expressionismo, também aparecem na arte de Dubuffet.
O artista francês trabalhava com grande liberdade técnica e utiliza diversos materiais em sua produção. Da década de 40 a 60,
suas pinturas sublinham a experimentação de texturas com cores e materiais diversos, mostrando uma recusa da representação.
As assemblages incorporam materiais
não artísticos a telas, como areia, gesso, asas de borboleta, resíduo industrial, etc. Mais tarde a questão gráfica, o desenho, intensifica-se em sua obra. Contudo, aponta Pacquement, a permanência de certos temas — a natureza, por exemplo —, o gosto pelo fato cotidiano, o recurso a técnicas pictóricas específicas, a escolha altamente consciente da experimentação, associada a um controle extremamente estrito dos desenvolvimentos da obra, são características que perpassam todas as fases da produção do artista.
A única vez que Dubbufet expôs no Brasil foi a antológica exposição realizada no MASP e no MAM-RJ, em 1973, que unia suas obras
às de Giacometti, Bacon e de Kooning, dez obras de cada um, artistas, com exceção do último, com trajetórias próprias e solitárias.
EXPOSIÇÃO
16 julho a 7 setembro 2009
Terça a domingo, das 11 às 20 horas
Entrada gratuita
AÇÃO EDUCATIVA
Agendamento das 9 às 18 horas de visitas orientadas com atividades educativas para grupos previamente marcados. Cursos de pintura, escultura, desenho, vídeo, teoria da arte, música, literatura, filosofia e curso para professores da rede pública e privada sobre ensino da arte.
Telefone 11 2245 1937
FLYER
Distribuição gratuita aos visitantes da exposição