Duas séries de trabalhos de João Luiz Musa, uma em cor, outra em preto e branco, ocupam duas grandes salas do Instituto Tomie Ohtake. O conjunto de 105 fotos expressa seu talento ímpar de extrair a mais alta qualidade da fotografia a partir de cenas, arquiteturas e paisagens, combinando raro apuro técnico e poesia. Vocação que começou bem cedo, quando cursava primeiro ano da Escola Politécnica da Universidade São Paulo e conheceu o laboratório
de fotografia do grêmio. Desde então, desenvolve de maneira muito própria a sua obra – do olhar à revelação.
A série em preto e branco,  Um Inverno, reúne 50  imagens captadas pelo fotógrafo em
Paris, Londres, Roma, Lisboa, Madri, Bruges, Hamburgo, Genebra, Oslo, Estocolmo e outras cidades europeias em
uma viagem durante o inverno
de dezembro de 1973 a janeiro de 1974. Segundo o texto de Agnaldo Farias para a exposição, “homem, cidade e natureza” se encontram e o fotógrafo mostra a forma sutil de como se avizinham e se acomodam. “Há silêncio e calma nessas imagens, o que
não quer dizer que não haja também dor e violência, mas é que, na contracorrente de uma fotografia compreendida como exercício de suspensão do agora, o artista descobriu que o instante decorre do passado, inescrutável e necessariamente longevo”.

Algumas fotos desta
viagem estiveram em exposição no MASP, em 1974, e outras
que, segundo Musa, dialogavam com trechos dos Cadernos de Malte Laurids Brigge, de Rainer Maria Rilke, foram expostas
em  1993, no MIS. Na seleção
da presente mostra no Instituto Tomie Ohtake, o processo de edição, os negativos, contatos e cópias foram revisitados e novas imagens foram incorporadas
ao ensaio.
Já na série em cor, Fotografias 2005 – 2009, estão
55 trabalhos, fotos captadas por Musa em Paris e Avignon na França, Nova York e cidades brasileiras – São Paulo, Rio de Janeiro, Parati, Cubatão e Itanhaém. Geradas por câmeras digitais e impressas em jato de tinta sobre papel de algodão, as imagens foram tratadas com recursos de interpretação sobre
a luz e sobre a cor, graças aos novos arquivos
e programas de manipulação, que a fotografia convencional analógica não permitia. “Hoje cada canal de cor pode ser tratado separadamente quanto a sua qualidade tonal, sua saturação e sua luminosidade”, explica o artista.
Na série em cor, João Luiz Musa apresenta o resultado dos últimos cinco anos de trabalho, no qual, segundo o texto para a exposição de Luiz Armando Bagolin, demonstra a intensa experimentação com a luz e a
cor aliada ao rigor com a edição. “Confrontado ao fotógrafo atual, aquele jovem fotógrafo viajante que percorrera anos atrás, sem grandes perspectivas,
mas confiante na práxis do ‘momento decisivo’, um território desolado pela Guerra Fria, reaparece-lhe
com estranhamento, enquanto a produção recente contempla o estado de arte dos lugares, do modo
de vida, da cultura das pessoas, das coisas cuja luminosidade é, delas, sígnica”, conclui Bagolin.

As séries estão sendo transformadas em dois livros a serem lançados no final da exposição. Fotografias 2005 – 2009 (156 páginas, 23x29cm, texto de
Luiz Armando Bagolin) é uma edição da Imprensa Oficial em parceria com o Instituto Tomie Ohtake, enquanto Um Inverno (144 páginas, 23x29cm,
texto de Agnaldo Farias) é edição conjunta da Imprensa Oficial e da EDUSP. São publicações desenvolvidas minuciosamente pelo próprio artista, processo inovador que conta com o entusiasmo do presidente da Imprensa Oficial, Hubert Alquéres.

EXPOSIÇÃO
4 março a 2 maio 2010
Terça a domingo,
das 11 às 20 horas
Entrada gratuita

AÇÃO EDUCATIVA
Agendamento das
9 às 18 horas de visitas
orientadas com atividades educativas para grupos previamente marcados.
Cursos de pintura, escultura, desenho, vídeo, teoria
da arte, música,
literatura, filosofia e
curso para professores da rede pública e privada
sobre ensino da arte. Telefone 11 2245 1937

FLYER
Distribuição gratuita aos visitantes da exposição