Nas seis pinturas e cinco desenhos recentes que Fábio Miguez apresenta no Instituto Tomie Ohtake, como em seus trabalhos a partir de 90, as densas massas de tinta dão lugar a camadas bem mais leves sobre uma dominante superfície branca da tela. Ao lado dos trabalhos bidimensionais, o artista traz também, nesta exposição com curadoria de Agnaldo Farias, o “objeto” Ping-Pong, também de 2008, no qual vários planos de pinturas, vidros e madeira, contidos em uma espécie de caixa (aberta alcança 2,5 x 7,5 metros de comprimento, 1,40 de altura e 1,40 de largura), correm de um lado para o outro, conforme a interação do espectador.

“Neste objeto a forma não é fixa, vai sempre depender de como as pessoas vão mexer nestes planos, daí o jogo”, explica o artista. Completam a
exposição mais duas obras Onde
Valise
e Baú, de 2008,
desdobramentos do trabalho Onde apresentado na Galeria Millan, em
2006, gênese de sua série de objetos.

Se por um lado Ping-Pong, enquanto “objeto” tridimensional mantém a questão da planariedade, pelo jogo de planos - reafirmando o ofício de pintor introjetado em Miguez -, nas novas pinturas e desenhos há uma construção na tela que parece almejar a arquitetura do espaço. Neste diálogo invertido que constrói entre bidimensionalidade e tridimensionalide, o artista amplia, mais uma vez, a reflexão sobre a pintura contemporânea.

“...Miguez levou sua indagação sobre o espaço da pintura para o limite da arquitetura, despachando-a em direção a ela, criando descontinuidades, propondo relações, jogando com o acaso produzido pelo nosso movimento dentro da sala. Como se a pintura, fenômeno bidimensional, houvesse abandonado sua relativa condensação para disparar pelo espaço, reinventando-o”, explica o curador Agnaldo Farias.

O artista costuma destacar que gosta da idéia de uma pintura sempre em seu estágio inicial. “Como se fosse possível ela estar sempre em seu começo, pois é este momento em que as relações estão abertas. É este caráter de construção, que me interessa. Eu gostaria que a forma final do trabalho expressasse sua própria construção, seus dilemas, seus acertos e seus impasses”, afirma.

Miguez ganhou retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2003, e suas obras fazem parte de importantes coleções: MAC-USP, MAM-SP, Pinacoteca do Estado de SP, Centro Cultural São Paulo, Gilberto Chateaubriand MAM-Rio, João Sattamini MAC-Niterói, entre
outras. Entre as coletivas,
destacam-se: 80/90 Modernos,
Pós-modernos etc,
Instituto Tomie
Ohtake, em 2007; Bienal do
Mercosul
, em 2005; Caminhos do
Contemporâneo 1952-2002,
Paço
Imperial, Rio de Janeiro, em 2002;
Bienal Brasil Século XX, em 1994; 3ª
Bienal de Pintura de Cuenca,
Equador, em 1991; XX Bienal de São
Paulo,
em 1989; Bienal de Havana,
em 1986; e XVIII Bienal de São
Paulo,
em 1985.