Antonio Saggese reúne em sua individual no Instituto Tomie Ohtake cerca de 70 trabalhos produzidos nos últimos três anos – fotografias impressas em papel e metal, além de vídeos. Em Pitoresco, o fotógrafo, a partir de formas cambiantes, funda a sua própria natureza. Nuvens, céus, águas, galhos, folhas são expressas em surpreendentes volumes,
cores, linhas, luzes e sombras que emergem do próprio arsenal cultural de Saggese.
“O fotógrafo não está mais interessado em contornos bem definidos, volta-se para os volumes obtidos apenas com luz, para as imprecisões conquistadas com suaves gradações dos tons, para
o estranhamento provocado pela opção das cores púrpura ou marrom e alguns contrastes acentuados, intensificados pelo uso do infravermelho”, escreve Márcia Mello sobre a série.

Segundo Saggese, as imagens técnicas de natureza produzidas nas últimas décadas não trazem mais o mistério nem a fascinação que tanto perturbavam os artistas
e os escritores. Foi, portanto,
na tentativa de resgatar aquele arrebatamento que ele concebeu as fotografias da mostra Pitoresco. “A própria denominação do conjunto já é provocativa, ou seja, uma espécie de sutileza crítica a fim de mostrar que o trabalho foi criado para atiçar os questionamentos e as dúvidas,
e não para cristalizar conceitos - afinal, a idéia primeira do Pitoresco nasce no movimento romântico, final do século XVIII”, afirma Rubens Fernandes, em seu texto para a exposição.

De acordo com Fernandes, ainda, Saggese desenvolveu na pós-produção desta série meticulosa pesquisa para dar à impressão das imagens um acabamento que as aproximasse do registro visível da tela luminosa, levantando inúmeras questões ao longo do processo. “Uma delas, parte da idéia de que a impressora pinta, pois é uma espécie de aerógrafo computadorizado. Diante disso, o artista questiona: o resultado é uma fotografia ou uma pintura?”, indaga o crítico.

Ao subtrair o território da imagem captada na natureza, Saggese amplia o espaço do imaginário. Segundo Fernandes, a intenção
do artista foi retirar todas as referências possíveis de lugar, num enquadramento que não se identifica a linha do horizonte, para permitir que a imagem fosse soberana. “Estamos à mercê de imagens que invadem nossa percepção e nos deixa perplexos, desorientados momentaneamente”, escreve o crítico.

Márcia Mello acrescenta que
Pitoresco subverte, inova,  lança novas bases à pesquisa do mundo das formas. “Nem pictorialista,
nem moderno, Antonio Saggese
é contemporâneo. Fiel às suas convicções, estudioso e intérprete arguto do mundo que o cerca, seu trabalho reflete a beleza do efêmero, o poder do transitório, a riqueza do fugaz”.

EXPOSIÇÃO
15 junho a 1 agosto 2010
Terça a domingo, das 11
às 20 horas   
Entrada gratuita
AÇÃO EDUCATIVA
Agendamento das 9
às 18 horas de visitas orientadas com atividades educativas para grupos previamente marcados. Cursos de pintura, escultura, desenho, vídeo, teoria da arte, música, literatura, filosofia e curso para professores da rede pública e privada sobre ensino da arte. Telefone
11 2245 1937
FLYER
Distribuição gratuita aos visitantes da exposição