concebida no calor do entusiasmo geral pela construção de um Brasil moderno, em meados dos anos 1950, a Poesia Concreta colocou em jogo formas renovadas de sensibilidade e de experiência. Ao mesmo tempo, alargou os parâmetros de compreensão de poesia, ultrapassando o âmbito literário, ao trabalhar de forma integrada o som, o sentido e a visualidade das palavras.
o termo verbivocovisual sintetiza essa proposta que foi colocada em prática pelos poetas Augusto de Campos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos, José Lino Grünewald e Ronaldo Azeredo, desdobrando-se ao longo de mais de cinco décadas de produção em suportes e meios técnicos diversos – livro, revista, jornal, cartaz, objeto, lp, cd, videotexto, holografia, vídeo, internet. Um amplo panorama da obra desses cinco autores, que cada vez mais marcam presença na corrente sanguínea da arte de hoje, é apresentado nesta exposição.
a exposição integra o projeto POESIA CONCRETA – O PROJETO VERBIVOCOVISUAL, que tem curadoria de Cid Campos, João Bandeira, Lenora de Barros e Walter Silveira, e inclui outras iniciativas: a construção de um site de referência sobre o tema (www.poesiaconcreta.com.br), desenhado por André Vallias, e que entra no ar simultaneamente à exposição; a edição de um CD, coletânea de músicas baseadas em poemas concretos (na interpretação de Caetano Veloso, Arrigo Barnabé, Gilberto Mendes, Lívio Tragtenberg, entre outros); um ciclo de debates sobre a poesia de vanguarda e as relações entre palavra, som e imagem na arte contemporânea, com a participação de conferencistas do Brasil e do exterior; e, ainda, a produção de um documentário em vídeo que discute a produção concreta e seus desdobramentos, a partir de novas questões levantadas no próprio desenvolvimento deste projeto.
a exposição no Instituto Tomie Ohtake tem museografia de Felipe Tassara, ocupando cinco ambientes, cada um deles dedicado a um aspecto determinado da obra de Augusto de Campos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos, José Lino Grünewald e Ronaldo Azeredo.
logo na entrada, o visitante encontra uma série de poemas visuais em grande escala, sendo alguns deles tridimensionais, que ocupam todo o saguão do Tomie Ohtake. Na sala multimídia “Poesia pois é poesia” podem ser vistas cerca de 50 animações de poemas, projetadas nas paredes em sincronia com leituras na voz dos próprios autores. Uma outra sala, intitulada “Linguaviagem”, apresenta uma vertente paralela de atuação desses autores: a tradução para o português de poemas de diversas épocas e idiomas (de Safo, Catulo, Dante, Bashô, Mallarmé, Joyce e muitos outros); nesta sala o visitante poderá ouvir os poemas traduzidos na voz de Augusto e Haroldo de Campos, Décio Pignatari, e mais diversos poetas e especialistas convidados, entre eles Arnaldo Antunes e Boris Schnaiderman.
a perspectiva histórica das atividades dos cinco poetas, abrangendo um período que vai desde a época em que atuaram mais fortemente como grupo até os anos posteriores de maior definição das carreiras individuais, é o foco da sala “Galáxias”, onde também estarão expostos documentos de época, com ênfase na interação de linguagens artísticas que sempre marcou o seu trabalho. Finalmente, uma outra sala hospeda uma extensa programação de vídeos realizados anteriormente pelos próprios poetas em destaque, ou por outras artistas a partir de suas obras, com trabalhos de Cristina Fonseca, Ivan Cardoso, Júlio Bressane, entre outros.
com esta exposição, o Instituto Tomie Ohtake presta homenagem a Haroldo de Campos que, até a sua morte, fez parte do Conselho do Instituto.