Em 1953, Rauschenberg pediu a seu amigo,
o compositor John Cage, que passasse com seu automóvel Ford modelo A, com pneus entintados, sobre vinte folhas de papel unidas por fita adesiva. Assim, utilizando o carro como prensa e os pneus como matriz, o artista criou a famosa obra
Automobile Tire Print.“Essas primeiras experiências com a gravura uniram ideias sofisticadas a métodos, senão primitivos, incomuns, e forneceram a base
de suas gravuras e pinturas posteriores”, explica
em seu texto especialmente produzido para esta exposição, Mimi Thompson.
A característica livre utilização da impressão por Rauschenberg, em obras únicas ou em múltiplos, pode ser conferida nos trabalhos reunidos
nesta primeira grande mostra do artista
no Brasil, organizada pelo Instituto
Tomie Ohtake, com a colaboração
de Robert Rauschenberg Studio,
da galeria PaceWildenstein e da
ULAE Universal Limited Art
Editions. São 98 obras,
23 peças únicas
e 75 gravuras,
do artista cuja
primeira exposição
importante internacional da
qual participou foi a V Bienal
Internacional de São Paulo,
em 1959.
Rauschenberg, um dos
grandes formuladores
da Pop Art – movimento que trazia
para a arte o objeto comum, reformulava a dimensão da pintura, quebrava as divisões tradicionais das modalidades artísticas, e deslocava definitivamente o centro da arte para New York –, acabou falecendo em maio de 2008, antes de vir ao Brasil para a abertura da mostra
como tanto desejava.
Segundo Mimi Thompson, a adoção de métodos incomuns de impressão foi o modo encontrado
por Rauschenberg para expandir a apropriação
de imagens que recolhia para aplicá-las em suas gravuras e pinturas. “Ao mesmo tempo em que tinha um sofisticado diálogo com imagens do século XV, o artista se interessava pelas sucatas de metal em um ferro-velho perto de sua casa na Flórida”.
Nesse campo inesgotável de materiais, constavam
desde chapas de impressão e clichês descartados
pelos jornais New York Times e New York Herald
Tribune, e o próprio papel-jornal, até imagens de ícones da pintura, como a Mona Lisa, de da Vinci, Vênus no Espelho, de Velasquez, entre outros. A fotografia e o uso pictórico de substâncias de revestimento, difusores, sais e agentes oxidantes são freqüentes em sua produção.
O interesse de Rauschenberg de libertar a arte
de conceitos tradicionais, além da ampla utilização de técnicas mistas e materiais diversos nas obras bidimensionais, levou-o a trabalhar também com instalação, performance e dança. Em 1962,
já havia concebido cenários para Merce Cunningham e Paul Taylor, criado a combine painting First Time Painting (Pintura de Primeira Viagem, 1961) durante a performance intitulada Homage to David Tudor (Homenagem a David Tudor) e se preparava para apresentar Pelican (Pelicano, 1963), performance
na qual usava patins e trazia atrás de si um
para-quedas aberto.
A conexão entre imagem e palavra também foi
foco das investigações do artista que, em 1978, estabeleceu uma parceria com o poeta russo Andrei Voznesensky, resultando em projeto que apresenta imagem e texto como elementos visuais equivalentes, evocando simultaneamente o interesse de Rauschenberg pela colagem e a emotividade do poeta. Conhecido
por sua generosidade, Robert Rauschenberg (1925,
EUA – 2008, EUA), deixou, às vésperas do século XXI,
21 propostas de direitos humanos para o novo milênio
e fez 21 doações de álbuns de gravura para museus de todo o mundo, inclusive para o MAC-USP.
EXPOSIÇÃO
15 dezembro 2009 a 21 fevereiro 2010
Terça a domingo, das 11 às 20 horas
Entrada gratuita
AÇÃO EDUCATIVA
Agendamento das 9 às 18 horas de visitas
orientadas com atividades educativas para
grupos previamente marcados. Cursos de pintura, escultura, desenho, vídeo, teoria da arte, música, literatura, filosofia e curso para professores da rede pública e privada sobre ensino da arte. Telefone 11 2245 1937
flyer
Distribuição gratuita aos visitantes da exposição