Mark Wallinger nasceu em 1959
Angel 1997
Vídeo exibido em DVD, 7 minutos
Presenteado, Patrons of New Art (Fundo Especial de Aquisições) por intermédio da Tate Gallery Foundation, 1997

Mark Wallinger trabalhou com uma variedade de suportes técnicos, incluindo a pintura e o vídeo. Grande parte de sua obra envolve um elemento de performance, com a participação do próprio artista, apesar de raras vezes como ele mesmo. Muitas de suas obras exploraram questões de identidade nacional e sua expressão por interesses como o esporte. Mais recentemente, a religião e textos associados a ela estimularam seu trabalho. Angel é a primeira parte de uma trilogia de vídeos, em conjunto intitulados Talking in Tongues, que Wallinger realizou entre 1997 e 1999. Os outros dois vídeos da trilogia são Hymn (1997) e Prometheus (1999). Cada um deles trata do tema da religião e mostra Wallinger desempenhando o papel de "Blind Faith" [fé cega], seu alter ego cego, que usa óculos escuros e uma bengala branca para cegos. Em cada vídeo ele é visto em lugares diferentes, cantando ou recitando uma passagem bíblica ou da literatura popular com enfoque religioso. Wallinger escolheu textos que indicam a possibilidade de redenção e vinculou a trilogia a um desejo de alcançar a vida eterna pela fé.

Em Angel, Wallinger anda no mesmo lugar no início de uma escada rolante, numa estação de metrô chamada Angel [Anjo], em North London. Nessa posição estranha, ele recita um monólogo, repetindo os primeiros cinco versículos do Evangelho de João, da versão inglesa do rei James I, publicada em 1611:
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.
Pouco se entende das palavras e a voz de Wallinger tem um aspecto alterado, como se evocasse a fala do surdo. Isso ocorre porque o artista gravou sua voz falando as palavras de trás para frente, enquanto tentava manter os padrões e as ênfases do discurso original recitado corretamente. A fita foi invertida na edição, de modo que as palavras fariam sentido quando ouvidas. Conseqüentemente, o restante do filme aparece invertido, como se as pessoas andassem de costas nas escadas rolantes. Angel termina quando Wallinger pára de andar e falar e, numa falsa ascensão, sobe vagarosamente a escada rolante, ao som triunfante de Zadok the Priest, de George Handel, hino da coroação do rei George II na abadia de Westminster em 1727. Em Angel, as aparências são invertidas, e Wallinger apresenta ao espectador uma série de paradoxos: tempo e fala invertidos parecem mesmo assim estar no sentido correto, ir para cima é ir para baixo e movimentar-se é ficar parado. A obra pode ser lida como metáfora do próprio cristianismo.
(Imogen Cornwall-Jones)


Mona Hatoum nasceu em 1952
So Much I Want to Say 1983
Vídeo exibido em DVD, 4 minutos e 40 segundos
Aquisição, 1999

So Much I Want to Say é uma obra em vídeo, realizada no início da carreira de Mona Hatoum, logo depois de concluir sua graduação em Slade School of Art em Londres, em 1981. Nascida em Beirute, filha de pais palestinos exilados em virtude do conflito árabe-israelense, Hatoum novamente tornou-se uma exilada em Londres em 1975, quando a guerra no Líbano a impediu de retornar para sua família. Freqüentou a escola de arte em Londres e, então, estabeleceu-se na cidade. Grande parte de sua obra em vídeo, performance e escultura trata de sua experiência de deslocamento político e cultural. Segundo a artista, "minha obra é sobre minha experiência de viver no Ocidente como pessoa do terceiro mundo, sobre ser uma forasteira, sobre ocupar uma posição marginal, ser excluída, ser definida como o "Outro" ou como um "Deles"' (citado em Michael Archer, Guy Brett, Catherine de Zegher, Mona Hatoum, Mona Hatoum, Londres, 1997, p. 127). Suas primeiras obras performáticas concentravam-se intensamente em seu corpo, usado pela artista como metáfora da opressão, em geral separado do público por alguma forma de barreira, membrana, gaiola, cela, muro, cobertura ou véu. So Much I Want to Say consiste numa série de imagens congeladas, que mudam a cada 8 segundos e mostram o rosto da artista em close-up com duas mãos masculinas cobrindo sua boca e a impedindo de falar. Como Incommunicado (também nesta exposição), So Much I Want to Say lida com a quebra da comunicação e da expressão resultante da opressão pessoal e política. Hatoum expõe a condição das minorias políticas que são silenciadas e ignoradas, sugerindo nesta obra que apenas pela expressão como artista conseguiu encontrar voz.
(Elizabeth Manchester)


Sam Taylor-Wood nasceu em 1967
Brontosaurus 1995
Vídeo exibido em DVD, 10 minutos
Presenteada, Patrons of New Art (Fundo de Aquisições Especiais), por intermédio da Tate Gallery Foundation, 1999

Sam Taylor-Wood surgiu na cena internacional como uma das componentes da geração "yBa" (young British artists) no início dos anos 1990. Influenciada pelas tradições do cinema e documentário, a artista trabalha com filme, vídeo e fotografia. Ela apresenta personagens (interpretados por atores profissionais ou amigos pessoais) em situações de isolamento e ensimesmamento, e o ambiente doméstico contradiz estados de crise emocional mais ou menos ocultos. Os cenários elaborados pela artista em geral são montados em telas separadas para enfatizar a alienação e a inter-relação das pessoas envolvidas. Grande parte da obra de Taylor-Wood investiga as distinções entre o real e o irreal, a vida e o teatro, o público e o privado, colocando o espectador numa posição incômoda de decidir se a ação é real ou encenada. Esse incômodo é um elemento de Brontosaurus, gravado no espaço privado de um quarto. Sobre esta obra, a artista disse:
Primeiro, eu filmei um homem dançando nu em seu quarto, ao som de uma música techno-jungle muito acelerada. Então, retirei a música e projetei o filme em câmara lenta. Enquanto eu filmava o homem, seus movimentos tornaram-se quase destoantes, não faziam sentido, ele fazia todos aqueles movimentos e pareciam sem coordenação. Em câmara lenta, os movimentos ficaram muito bonitos, mas totalmente desajeitados. Então troquei a música e inseri o Adágio para Cordas, de Samuel Barber, um trecho melancólico... acabou se transformando em uma elegia à vida, mesmo que a pessoa pareça estar fazendo uma dança da morte, por ser tão frágil, delicado e vulnerável.
(citado em Germano Celant, Sam Taylor-Wood, catálogo da exposição, Fondazione Prada, Milão, 1998, p.192.)
Nu e solitário em seu quarto, o dançarino parece estar, ao mesmo tempo, atuando para a câmara e inconsciente dela. Ao projetar a dança em câmara lenta, Taylor-Wood decompõe os movimentos do homem em uma série de poses. Perdido em seu próprio ritual particular, esquecendo-se do foco da câmara, o dançarino torna-se um objeto de voyeurismo, exposto num estado de extrema vulnerabilidade. O hiato que o separa do espectador é sublinhado pela extrema pungência da música, também usada pelo diretor David Lynch em O Homem Elefante (1980) e Oliver Stone em Platoon (1986), dois filmes que tratam do heroísmo masculino e da deformidade. Transitando entre elegância e beleza heróicas quase neoclássicas, deselegância, pathos e extremo ridículo, Brontosaurus cobre uma gama de estados e sentimentos humanos contraditórios porém coexistentes. A natureza primeva ou arqueológica desses estados e sentimentos é sugerida no título, nome de um dinossauro. Há uma referência cômica ao título no dinossauro rosa de brinquedo visível num canto do quarto.
(Elizabeth Manchester)




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