Uma das mais proeminentes artistas da chamada geração YBA
(Young British Artists), Emin usa sua vida pessoal como fonte e
tema de sua arte. Isso toma a forma de narrativa ou documentação de
acontecimentos traumáticos, como a morte de um familiar ou amigo,
o estupro que sofreu e os abortos que fez, combinados com a
expressão direta de sentimentos como amor, ódio, raiva, medo e
desejo. Textos autobiográficos em forma de diário aparecem em suas
monogravuras, suas colagens de parede e em pequenas publicações
ou são narradas em voz alta, como neste vídeo. Sua produção
artística pode ser vista como uma tentativa de encontrar uma solução
terapêutica para seu passado problemático e suas contínuas
dificuldades e frustrações do presente. Ao partilhar pensamentos e
sentimentos do tipo de que as pessoas geralmente se envergonham,
Emin reflete a experiência coletiva de modo afirmativo.

Why I never became a Dancer invoca os anos de adolescência da
artista, passados lutando contra o tédio da cidade litorânea de
Margate, na costa leste da Inglaterra, onde ela cresceu, e
experimentando sexo desde muito jovem até ficar desiludida com os
homens e se voltar para a dança.

Humilhada por um grupo de garotos do local, com muitos dos quais
ela havia feito sexo, Emin descobriu a hipocrisia de atitudes
provincianas em relação à sexualidade feminina liberada. O vídeo é,
ao mesmo tempo, um meio de a artista exorcizar sua humilhação e
literalmente transformar um acontecimento abusivo, ainda que de
muito tempo atrás, em algo positivo.A natureza explicitamente
pessoal da arte de Emin estendeu os limites do que se considera
aceitável em arte na Grã-Bretanha. Seu desafio às convenções tornou
visíveis áreas da experiência sexual e emocional nunca mostradas no
país, no contexto das belas-artes, desde os anos 70.