Quando Tomie deixou de lado
uma fase em que riscos e
manchas disformes dão um
movimento à tela, e começa a
criar definições às manchas e
estas vão crescendo até ocupar
quase que a tela inteira ou se
dividirem para ter várias
pequenas formas e uma maior,
todas definidas embora não
geométricas, começa um
trabalho de conquista do
espaço, ainda o espaço da tela.

A relação, desta forma e a tela,
estabelece uma tensão em que
a forma quer sair para fora das
bordas do retângulo. Daí a se
ter uma ampliação da tela e
nova conquista da forma, que
exige certa distância para ser
vista, que é um passo que a
pintura dá e a artista força esta
nova situação.
Terminada a exposição retrospectiva de Tomie Ohtake, uma das
mostras inaugurais do Instituto Tomie Ohtake, passamos agora à
apresentação de uma faceta não privilegiada na primeira: é a que
antecede uma das mais originais modalidades que a artista se
empenhou em sua trajetória, a obra pública.

Esta mostra procura responder parcialmente à indagação de como
uma artista como Tomie Ohtake, uma pintora por excelência, resolve
trabalhar em outras dimensões, propor desafios ela mesma, ao
mesmo tempo que aceita qualquer insinuação de realizar obras que
não constam do cardápio normal de um pintor.


Se formos observar o processo da
escultura, acusamos uma semelhança com
a fase em que a geometrização na pintura
se verifica; é como se a forma fosse uma
superfície rígida que vai sofrendo dobras,
saindo da tela e transformando-se numa
forma tridimensional. Tanto na pintura
como na escultura, estas formas são
trabalhadas quase que mecanicamente, a
pintura na sua ampliação e a escultura na
retirada de outra superfície. Este ato,
embora um simples ato de ampliar o
movimento do braço para o movimento do
corpo, e o movimento de uma mão num
movimento de duas mãos.


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