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Com exposição, lançamentos de livro e documentário, palestras, cursos e visitas guiadas às obras, o Instituto resgata a produção do arquiteto O Instituto Tomie Ohtake inaugura, dia 12 de setembro, a mais completa exposição sobre o arquiteto paulista, João Batista Vilanova Artigas (1915-1985). Na verdade, Artigas nasceu em Curitiba, mas além de sua formação na Escola Politécnica, em São Paulo, suas obras são ícones da chamada arquitetura paulista. Com curadoria do professor Julio Katinsky e coordenação de Ruy Ohtake e Rosa Artigas, a mostra interpreta os três períodos de produção do grande mestre. "Ao montar a exposição, pensamos em um percurso que possa apresentar ao público estas três fases: a procura, a consolidação e o arquiteto artista", declara Ruy Ohtake. Em quatro salas e no Grande Hall do Instituto estãoo reunidos documentos, croquis, ampliações fotográficas inéditas, de autoria de Nelson Kon e Cristiano Mascaro, e de arquivo (FAU e Fundação Artigas), seis novas maquetes que ilustram alguns de seus projetos mais importantes - FAU, CECAP, Casa Elza Berquó, Ginásio de Guarulhos, Garagem de Barcos do Santapaula e o Vestiário do Estádio do Morumbi - além de desenhos artísticos e projetos originais. Completam ainda a exposição, um documentário inédito, realizado em parceria com a STV - Rede SescSenac de Televisão, e trabalhos de 32 arquitetos que revelam o amplo legado do mestre à arquitetura brasileira. "É uma oportunidade para os jovens conhecerem melhor a obra de um dos mais importantes arquitetos paulistas do século XX, além de ser a primeira mostra de arquitetura que busca, com vários elementos, apresentar integralmente pensamento e produção de um autor", declara Ricardo Ohtake, diretor do Instituto Tomie Ohtake. A FAU, O Ginásio de Guarulhos, o Estádio do Morumbi, o Edifício Louveira, Estações Rodoviárias de Jaú e de Londrina são alguns exemplos de sua arquitetura generosa com os espaços e principalmente com o homem coletivo. "Artigas, como arquiteto e mestre de muitos arquitetos, transcendeu a satisfação das aspirações de um meio provinciano para alcançar a expressão de anseios universais, ecumênicos, de valorização e aperfeiçoamento humano", declara Julio Katinsky. Para o curador, ainda, a proposta de Artigas, ao longo de toda a sua trajetória, é explicitada por uma dialética entre a norma cotidiana e a invenção permanente, tal como registrou Mario de Andrade em O Artista e o Artesão. ALGUNS PENSAMENTOS DE ARTIGAS "Nessa época participava politicamente como militante do PC, desenvolvendo uma prática leninista. Projetava o Edifício Louveira (1946). O que mostra que é possível ser cidadão e artista ao mesmo tempo". "Surge afinal a questão: onde ficamos? Ou o que fazer? Esperar por uma nova sociedade e continuar fazendo o que fazemos, ou abandonar os misteres de arquiteto (...) e nos lançarmos na luta revolucionária completamente? Nenhum dos dois unicamente" (1952). "As cidades como as casas. As casas como as cidades" (1969). "Admiro os poetas. O que eles dizem com duas palavras, a gente tem que exprimir com milhares de tijolos". (1973). "O artista não aceita o apoio necessário entre a parede e a força da gravidade: esta lhe parece um obstáculo que a idéia e o pensamento podem negar, cantando"( 1979). "O que me encanta é fazer formas pesadas, chegar perto da terra e negá-las, como se fossem cair, vencidas pelo peso. Mas não caem..." (1981) "A arquitetura é uma arte, isso eu repito. No fundo, é o direito humano à beleza, coisa que a burguesia não concebe, mas é tão fácil de oferecer". (1984) |
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