Instituto Tomie Ohtake - A Artista e suas Obras
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Tomie Ohtake é considerada a “dama das artes
plásticas brasileiras” pela carreira consagrada,
construída ao longo dos últimos cinqüenta anos, e
pelo estilo ímpar de enfrentar a obra e a vida, nas quais força
e suavidade têm o mesmo significado. A fama conquistada, desde a década
de 60, nunca modificou o desafio a que se propõe: o eterno reinventar.
A capacidade de renovação de Tomie está expressa nas
diferentes fases de sua pintura e nas suas composições
de gravura e escultura. É dessa intenção intuitiva
permanente que brotam o frescor e o esplendor de sua
arte celebrada pela crítica e pelo
público até hoje, com sua vigorosa
produção recente. “Sua poética ao
invés de declinar, germina em outras
direções e aos 89 anos, de Tomie
Ohtake pode-se dizer que o outono
cede espaço à primavera”, escreve o
crítico Agnaldo Farias (abril, 2003).
Nascida no Japão (Kioto/1913), Tomie chega ao
Brasil em 1936 e só começa a pintar aos 40 anos
de idade, construindo uma trajetória como
poucos artistas brasileiros conseguiram. Os anos
60, quando se naturalizou brasileira, foram
decisivos para a sua maturação como pintora
originária da abstração informal. O domínio da
esfera técnica de seu trabalho foi então
confluindo com sua personalidade, passando a
servi-la plenamente. O controle do processo
coincidiu com uma nova orientação dada
progressivamente ao trabalho, segundo o qual
ela foi substituindo a imaterialidade aparente de
suas telas pelo estudo da relação forma-cor.


Entre formas ovais, retangulares, cruciformes,
quadradas - sugerindo a idealidade de uma figura
geométrica ou de um signo qualquer - colocadas
isoladamente, justapostas ou em série, ficava
sempre preservada a ambigüidade perturbadora
entre elas e o espaço da tela. Efeito que se
obtém, por exemplo, na tensão entre a forma que
se agiganta até praticamente encobrir o espaço;
na maneira como este espaço insinua-se pelas
frestas da forma; enfim, no confronto incessante
entre esses dois termos e que se acentua, já nos
anos 70, quando finalmente o espaço branco é
tomado pela cor e se apresenta como forma.
A linha curva, em associação a uma refinada
fatura cromática, mais difusa e “cósmica”,
como a ela se refere o crítico Miguel Chaia,
introduz sobretudo a partir dos anos 80,
novas referências ao trabalho da artista: da
alusão à natureza e suas formas orgânicas; do
céu às sementes; da paisagem às frutas; do
sensual ao francamente sexual. As telas, ao
invés dos planos coloridos chapados, são
compostas de manchas justapostas e
sobrepostas, solução que as transforma em
campos em transformação constante. Dos
anos 90 em diante, a transparência e a
profundidade se acentuam e a pintura de
Tomie parece emanar do espaço sideral.