Lentes da Memória - A descoberta da fotografia de Alberto de Sampaio

17 setembro 2015 a 1 novembro 2015

A exposição apresenta pela primeira vez ao público o acervo de Alberto de Sampaio (Rio de Janeiro, 1870), um dos pioneiros entre os fotógrafos amadores no Brasil. Entusiasta das imagens,este advogado de ofício começou a exercer sua paixão no final do século XIX, no Rio de Janeiro, e por mais de quarenta anos registrou a natureza e o urbano, criando uma memória visual única da capital fluminense. Esta mostra, com concepção e curadoria de Adriana Maria Martins Pereira, é dividida em três núcleos e apresenta cerca de 120 registros fotográficos, além de objetos pessoais, materiais de laboratório fotográfico usados por Sampaio e projeções de filmes rodados em 16mm pelo fotógrafo.

O primeiro Núcleo, denominado “A casa do amador”, traz uma série de imagens do cotidiano de Alberto de Sampaio e sua família, além de vitrines com documentos e objetos do fotógrafo. Já os dois outros núcleos são dedicados às fotografias do Rio de Janeiro. Diversos registros realizados pelo fotógrafo retratam a efervescente urbanização da cidade. Segundo a curadora, “Por suas lentes, observamos uma cidade que se reconstruía continuamente, momento em que “fachadas” de novos edifícios remodelados, à maneira europeia, eram transformadas na estrutura cambiante da metrópole que surgia”, diz Pereira. Imagens de propaganda com textos, estantes com material de laboratório fotográfico e projeções de filmes em 16mm completam a exposição.


A curadora encontrou o acervo por um acaso na sede da Sociedade Petropolitana de Fotografia, na cidade de Petrópolis (RJ), e começou a organizá-lo com afinco, tarefa que lhe rendeu um mestrado e um doutorado sobre o tema. Durante as pesquisas, Pereira descobriu que o acervo ficou guardado na casa do próprio Alberto de Sampaio por cerca de um século e depois foi em parte doado por seus descendentes, junto com os materiais de seu laboratório que se encontrava intacto, à Sociedade Petropolitana de Fotografia e por lá ficou cerca de 30 anos.

As fotografias de Alberto de Sampaio, todas inéditas, são o retrato de uma época e mostram a vida de pessoas comuns num cruzamento com eventos cruciais para a história do Brasil. Entre as imagens, vale destacar o registro da inauguração da Avenida Central (hoje Avenida Rio Branco), em 1905; a inauguração do Palácio Monroe na Cinelândia (hoje já demolido), em 1906; O eclipse ocorrido em 1907 e fotografado do Observatório do Morro do Castelo (Alberto de Sampaio foi o único fotógrafo a registrar esse evento); A demolição do Morro do Castelo, entre outros registros da grande transformação urbana que o Rio de Janeiro sofreu nos anos 1920; As belas praias da zona sul carioca praticamente desertas e filmes captados  em 16 mm da praia do Flamengo com banhistas, e da chegada do primeiro Zeppelin ao Rio de Janeiro, o Graf, em 1930.

   


Alberto de Sampaio também fotografou a vida familiar e as mudanças que a introdução da fotografia e do cinema trouxeram ao ambiente doméstico. Segundo a curadora, “Sua fotografia é o retrato de uma época e das possibilidades que surgiam; imagens que nos revelam também subjetivas intimidades. Conduzidos pelas fotografias, entramos na casa do amador, abrimos as janelas e vemos a luz por entre as pequenas frestas, numa materialidade convertida em objeto”, completa.

Um percurso de acessibilidade com áudio-descrição das fotografias (gravadas e com a presença do monitor),site do projeto com descrição detalhada de cada fotografia e a disponibilização de um aplicativo para celulartornam a exposição acessível às pessoas com deficiência visual. Tanto a realização da mostra quanto a digitalização do acervo só foram possíveis graças ao patrocínio da Unipar Carbocloro.  Segundo João Raful, diretor de Recursos Humanos da empresa, “Entendemos que Cultura e Educação são temas fundamentais para construção de um mundo melhor. O apoio à exposição das fotografias de Alberto de Sampaio é uma forma de participar do resgate da memória da urbanização do nosso país. Com o patrocínio, a Unipar Carbocloro reafirma seu compromisso de promover e estimular ações relevantes para o desenvolvimento da sociedade”, completa.Após a passagem por São Paulo, estão programadas exposições para a cidade de Cubatão (SP) ainda em 2015 e para o Rio de Janeiro em 2016.

    



conversa com adriana maria martins


alberto de sampaio 

Alberto de Sampaio foi um advogado e dedicado fotógrafo amador que viveu nas cidades do Rio de Janeiro e Petrópolis. Nascido em 1870 numa família abastada, tinha como hobbies a poesia, a pintura e a fotografia, paixão que exerceu até um ano antes de sua morte, em 1931. Iniciado na fotografia em 1888, aos 18 anos, teve seu período de maior atividade entre 1905 e 1914. Suas fotografias documentam o Rio de Janeiro, então capital do país, que se modernizava a partir do período do prefeito Pereira Passos (1902-1906). Cenas memoráveis, com praias cariocas ainda desertas e ruas por onde circulavam os primeiros automóveis. Fotógrafo apaixonado e dedicado, Alberto de Sampaio acompanhou os avanços da tecnologia da época. Utilizou grandes câmeras de madeira como a Perken, Son & Rayment (fabricada entre 1892 e 1899) e versões mais modernas como a The Sanderson e a Folding Pocket Kodak (ambas fabricadas em 1904), precursoras da fotografia pessoal. 


 
    

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