Arte e Sabor

Arte e Sabor


O projeto Arte e Sabor é uma iniciativa do Instituto Tomie Ohtake que propõe uma formação para merendeiras da rede pública de ensino.

Viabilizado por meio de parcerias com as Secretarias de Educação dos municípios atendidos, o Arte e Sabor proporciona a essas profissionais encontros multidisciplinares com especialistas das mais diversas áreas – artistas, educadores e chefs de cozinha –, além de visitas a instituições de cultura.

O objetivo é oferecer às merendeiras uma formação voltada às dimensões culturais, estéticas e afetivas ligadas ao alimento, bem como convidá-las a refletir acerca de seu papel como educadoras nas escolas em que atuam e a reinventar os cardápios escolares a partir da lista de alimentos que a escola já possui, aprimorando seus conhecimentos e técnicas culinárias.

Em 2022, esse processo de formação foi híbrido, com ações em vídeo, digitais e presenciais, sob a curadoria de Júlia Cavazzini.

O tema abordado é “Reencarnar a Educação”, partindo da premissa que durante boa parte da vida escolar, o ensino básico e formal priorizam os sentidos da visão e da audição sobre os outros sentidos. A educação se estrutura em formar pessoas que vivam a realidade com distanciamento, interpretando o mundo através de imagens ou harmonias que não necessitam proximidade, o contato do corpo em si. A comunicação, por exemplo, se constrói quase exclusivamente de forma visual e ouvinte, se excluem as possibilidades de sentir o mundo através de outros sentidos igualmente importantes. O paladar, o olfato e o tato, quase que profanos nesses contextos, passam, muitas vezes, uma vida inteira despercebidos ou de alguma forma adormecidos.

É inspirado no trabalho das merendeiras e merendeiros, que diariamente transformam a cozinha em sala de aula e ensinam o mundo através do paladar, que surge a proposta de reencarnar a educação. Como um convite para retornar ao corpo, na expectativa experienciar a vida em relação e permitir encantar-se com o que é saciado no cotidiano. Encorajar não só o que se vê e escuta, mas o que se cheira, toca e engole. Para assim, quem sabe, usar da boca para além do só dizer, mas abocanhar o futuro que se deseja pertencer.

O projeto se estrutura em 4 diferentes programas: O Calor da Escola, Sob o Céu da Boca, Bocado de Arte e Bocado de Cultura, Gastronomia e Educação. Através diferentes formatos, vídeos, encontros presenciais, podcast e publicação, o projeto Reencarnar a Educação pretende oferecer uma experiência de aprendizado e reconhecimento às merendeiras e merendeiros das escolas da rede pública municipal de São Paulo, e incentivar o público a criar possíveis debates integrados de cultura, gastronomia e educação através de sabedorias criativas, decoloniais e sustentáveis.

Com o apoio da Coordenadoria de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (CODAE), o projeto atendeu diretamente de 125 profissionais que atuam no preparo da alimentação escolar para crianças entre 0 e 4 anos de idade nas creches conveniadas* do município. 

A importância de atender às merendeiras conveniadas é fundamentada nos dados apresentados pela própria CODAE. Segundo o órgão, responsável por mais de 8 mil merendeiras que atuam em 3 mil escolas da cidade, estas são as principais responsáveis pelo preparo da alimentação escolar nas creches, escolas municipais de educação infantil e centros para crianças e adolescentes. Entretanto, apesar da sua expressividade, as merendeiras conveniadas quase não participam de formações. 

Dentro das dependências do Instituto Tomie Ohtake essas profissionais o programa O Calor da Escola, apropria-se do fogo presente nas cozinhas das escolas que restauram a energia diária e educam sobre como saborear a vida. Foram cinco grupos de 25 profissionais, durante 5 dias composto de palestras, experiências artísticas, conversas e aulas práticas, o projeto proporcionou para as pessoas participantes, novos experimentos de criação na cozinha e ferramentas para que as merendeiras possam registrar e propagar suas próprias receitas, histórias e experiências de vida.

Depois de uma intervenção artística com As Clarianas e visita pela de Anna Maria Maiolino psssiiiuuu..., destaca-se a palestra Conhecendo Carolina Maria de Jesus, ministrada pela escritora e professora Zainne Lima, a experiência gastronômica com Aline  Chermoula ,Chefe de cozinha, professora e pesquisadora da cozinha da diáspora africana pelas Américas, a Oficina Contando sua própria história, com Patty Durães, pesquisadora de Culturas Alimentares, com foco na ancestralidade e sustentabilidade da produção alimentar das comunidades tradicionais quilombolas, além de uma oficina de horta urbana com a Pé de Feijão.

Podcast Bocado de Arte:

Apresentado por Julia Cavazzini, uma série de podcasts sobre uma arte que cabe dentro da boca, a cada episódio uma conversa com artistas que temperam suas produções com assuntos sobre alimentação, culinária e gastronomia, em perspectiva da arte contemporânea. Produzido pelo Núcleo de Cultura e Participação do Instituto Tomie Ohtake e faz parte da programação desta sexta edição.

O convidado do primeiro episódio é Amilcar Packer: artista, curador, pesquisador e tradutor:

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Amilcar Packer é artista, curador, pesquisador e tradutor. Formado em filosofia pela USP, mestre em psicologia clínica pela PUC-SP e doutorando em Justiça Social pela UBC, no Canadá. Suas práticas se manifestam por meio de iniciativas colaborativas, pelo desenho e pela organização de programas públicos de médio e longo prazo: seminários, grupos de estudo, residências artísticas, viagens de pesquisa, projetos editoriais e plataformas on-line.


O convidado do segundo episódio é Bruno Brito, mestre em Artes Visuais: 

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Bruno Brito é bacharel e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, onde é atualmente doutorando. Sua produção parte de uma pesquisa ligada ao imaginário rural brasileiro, explorando signos que permeiam a cultura popular e afloram na arquitetura, nos festejos, nos modos de ocupar o espaço e na vida comunitária. Seu trabalho recorre a procedimentos de um vocabulário rudimentar construtivo, revisitando técnicas da carpintaria e dos ofícios tradicionais em geral. Atualmente reside em Queluz, uma pequena cidade entre a Serra da Mantiqueira e a Serra da Bocaina.


O convidado do terceiro episódio é Ayrson Heráclito, artista visual e curador:

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Ayrson Heráclito é um Ogão do Jeje Mahi, professor da UFRB na cidade de Cachoeira - BA, artista visual e curador. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e Mestre em Artes Visuais pela UFBA. Suas obras — instalações, performances, fotografias e audiovisuais — lidam com elementos da cultura afro-brasileira e suas conexões entre a África e a sua diáspora na América. Participou da II Bienal do Mercosul, 2001; Trienal de Luanda,Angola, 2010; Bienal de fotografia de Bamako, Mali, 2015; 57ª Bienal de Veneza, Itália, 2017. 


A convidada do quarto episódio é Laura Lima, artista visual:

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Laura Lima é artista visual, nascida em Minas Gerais e radicada no Rio de Janeiro.  Desde os anos 90, produz uma obra que discute a matéria do vivo.  Foi a primeira artista a ter obras compradas por um museu brasileiro na categoria performance, o Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 2000. Graduada em Filosofia pela UERJ. Em 2003, fundou a galeria A Gentil Carioca juntamente com Ernesto Neto e Marcio Botner. Segue fazendo seu trabalho de arte com exposições no Brasil e no exterior.

O convidado do quinto episódio é Jorge Menna Barreto, artista e pesquisador:

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Jorge Menna Barreto é artista e pesquisador há 18 anos, deixa que o espaço/lugar determine aquilo que irá construir e mais recentemente, o que irá comer. Professor no Instituto de Artes da UERJ, Rio de Janeiro, e doutor em Poéticas Visuais em Artes pela USP, São Paulo. Recentemente concluiu um Pós-doutorado na UDESC, Florianópolis, onde se dedicou a investigar relações possíveis entre agroecologia e as práticas de site-specific em Arte.


Acesse o conteúdo completo na sua plataforma preferida, através do link: https://www.spreaker.com/show/bocado-de-arte 





Vídeos "Sob o céu da boca"

Parte da Programação remota de vídeos com formação de perspectivas decoloniais da história da gastronomia.

Confira: 













Edições Anteriores:


Na edição realizada em 2017, realizou essa proposta com novas histórias e experiências que contribuíram para a formação das merendeiras da rede pública de ensino de São Paulo. A partir da colaboração de merendeiras que participaram da edição do Arte e Sabor 2015, o Instituto Tomie Ohtake apresentou uma programação que propôs a essas profissionais a reflexão sobre a “transformação do alimento”, entendendo o comer como um dos passos desse percurso, acompanhando os processos desde a origem até o descarte. A ideia de transformação foi presente também no próprio percurso de experiências que afetaram as percepções e reflexões das participantes.

A programação do projeto Arte e Sabor 2017 contou com diferentes chefs de cozinha, visitas ao Instituto Tomie Ohtake e outras instituições de cultura, mercados de alimento, parques e espaços públicos da cidade, além de atividades artísticas.


Os seis encontros realizados entre os meses de novembro e dezembro de 2017 aconteceram em diferentes espaços da cidade, totalizando aproximadamente 40 horas de atividades. 

O projeto Arte e Sabor já foi realizado nas cidades de São Paulo (SP), em 2013 e 2015; Niterói (RJ), em 2014; e Feira de Santana (BA), em 2015.



Arte e Sabor 2017



Arte e Sabor 2016



Arte e Sabor 2015 - Feira de Santana 



Arte e Sabor 2014 - NIterói






patrocínio




parceiros institucionais do núcleo de cultura e participação


apoio



idealização e coordenação



REALIZAÇÃO