DESCOLONIZAÇÃO DO OLHAR: IMPERATIVO POLÍTICO E ESTÉTICO DO NOSSO TEMPO
com Rosane Borges


Em tempos fortemente marcados por novas ordens de representação, por outros regimes de visibilidade, é preciso que o olhar seja interrogado a partir de sua dimensão política. Tema constante no domínio da filosofia da percepção, o exercício do ver e do olhar, mais do que uma operação física sensorial, torna-se um modo de organização da cena do mundo por meio de prismas socioculturais.

Sabe-se que a função do olhar sofre uma mudança significativa na sociedade moderna.

Pode-se perceber na “dimensão maquínica” (fotografia, cinematógrafo, televisão/vídeo e imagem da informática) que produz e articula os discursos da atualidade.

As invenções tecnológicas modernas impactaram diretamente a construção do visível, modificaram a cultura e os sujeitos, constituíram um universo visual congestionado. O apelo à transparência e à visibilidade, a tirania da vigilância eletrônica (câmeras, imagens a partir de satélites, internet e redes virtuais), reposicionou várias questões alusivas à função do olhar nos nossos tempos tão marcados pela ubiquidade das telas.

A voracidade do olhar racista, sexista, patriarcal, homofóbico e transfóbico é exercida devorando corpos e culturas sem que haja uma redistribuição imaginária e real dos lugares dos sujeitos que têm o poder (os que olham e que consomem) e dos que não têm (os que são vistos e são mercadorias de olhares). O lugar do ex-ótico foi construído com base nessa assimetria, seja no campo das artes, da ciência e da cultura audiovisual. Uma exploração em torno da trajetória do olhar nesses três campos mostra-se, portanto, como um exercício reflexivo inescapável para reposicionarmos o debate sobre o papel das visualidades na manutenção das assimetrias e na possibilidade de sua superação.

22 março a 12 abril

Segundas-feiras, 19h às 21h

Valor: R$380,00

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TEMAS: 

Aula 1 – Ver e olhar para os antigos: saber e desejo ou “quando se inflama o que não cessará de queimar”

Aula 2 – Episteme da representação no classicismo: a construção do ex-ótico e as camadas que não se vê, validadas pela arte e pela ciência

Aula 3 – As transformações dos modos de ver na ascensão da sociedade telânica: vestígios dos olhares colonizadores na cultura audiovisual

Aula 4 – Somos seres olhados no espetáculo do mundo: a descolonização do olhar na arte, na ciência e na cultura audiovisual

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Rosane Borges é jornalista, doutora em Ciências da Comunicação, professora colaboradora e pesquisadora do Colabor (ECA-USP), especialista na área de comunicação, imaginários, política contemporânea, relações raciais e de gênero, conselheira de honra da Comunidade Reinventando a Educação, articulista da revista IstoÉ, do blog da Editora Boitempo.