Histórias Afro-atlânticas na Virada Sustentável
O Instituto Tomie Ohtake realiza uma ampla programação que integra a exposição Histórias Afro-atlânticas (em cartaz no Instituto Tomie Ohtake e no MASP), composta por conversas com artistas, apresentações musicais, debates, curso para professores, visitas mediadas e recursos de acessibilidade para os mais diversos públicos. Como parte dessa iniciativa, um programa especial acontece nos dias 24, 25 e 26 de agosto, no Instituto Tomie Ohtake, em parceria com a Virada Sustentável:


24 de agosto

19h | Performance:  Sobre o papel branco (black process) | Michelle Mattiuzzi  | Classificação indicativa 18 anos

A performer Michelle Mattiuzzi será submetida a uma sessão de perfuração com agulhas de tamanho 0,80 X 40mm. O número de agulhas usadas depende da dor que o corpo da performer pode suportar em ação. Sara Elton Panamby é o artista convidado para o exercício de composição de agulhas. Inaê Moreira artista baiana, foi convidada para mover a dramaturgia performativa da ação sobre o papel. Com o corpo, a performer Michelle Mattiuzzi propõe uma contra-narrativa com a intenção de questionar os aspectos de sujeição. Desenhar as marcas do corpo negro que é ontologicamente enunciado: racializado. A proposta de Michelle Mattiuzzi é compartilhar uma composição em andamento. E sobre um papel branco de 10 metros, vamos refazer com os fluídos da performer Michelle Mattiuzzi um caminho ritualístico. Com o desejo de ativar um ancestral resiliente que é apagado. Um rito de passagem. Cura. Aqui as palavras são os fluidos da carne escura. Lágrima. Sangue. Suor. A fim de refutar um diálogo, baseado em uma pesquisa com agulhas, recriar um processo performativo que propõe em sua estética a redistribuição da violência.

Concepção e Performance: Michelle Mattiuzzi 
Dramaturgia: Inaê Moreira 
Composição de agulhas: Sara Elton Panamby
Duração aproximada: 40 minutos  

Musa Michelle Mattiuzzi tornou-se devir musa em meados dos anos dois mil, numa cidade muito próspera localizada ao nordeste do Brasil: Salvador de Bahia.  E foi daí que ela ganhou o mundo.  Hoje vive sem pedir passagem. Agora está em Atenas mirando e desobedecendo com orgulho e graça, fazendo outro corpo em referência à música de um cantor carioca. Popular ela, foi premiada pela Instituição Prize Pipa na categoria online (2017).  É uma garota grosseiramente fofa, gosta de desobediência, vive as luzes do fracasso. (Des)empoderada  lidera  o  crime  desorganizado  da  vida.  Viva corre o medo da morte.  Em comunidade vive o patriarcado assolado pelo discurso coletivo.  É preta, é mulher, e lésbica... Vive nas ruínas sob a paisagem da desordem do mundo.



20h | Cinefachada| Sample, direção de Ana Julia Travia |Classificação indicativa 10 anos
Sinopse: Juliana é uma atendente de telemarketing que é convidada pelas amigas para uma festa. Jorge, um jovem negro, sozinho, caminha, à deriva na cidade, procurando o que fazer para se divertir. Suas vozes se confundem com memórias, testemunhos e pensamentos sobre eles e sobre a cidade de São Paulo.



20h30 | Cinefachada| Peripatético, direção de Jéssica Queiroz | Classificação indicativa 12 anos

Sinopse: Simone, Thiana e Michel são três jovens moradores da periferia de São Paulo. Simone está à procura do seu primeiro emprego, Thiana tenta passar no concorrido vestibular de medicina e Michel ainda não sabe o que fazer. Em meio às demandas do início da fase adulta, um acontecimento histórico em Maio de 2006 na cidade de São Paulo muda o rumo de suas vidas para sempre.



21h | Cinefachada | Experimentando o vermelho em dilúvio, direção de Michelle Mattiuzzi | Classificação indicativa 12 anos

Sinopse:  O filme surge a partir de uma ação performativa, realizada no Rio de Janeiro em 2016. A rota de caminhada ritual para a Estátua de Zumbi dos Palmares é o fio da narrativa do trabalho. O filme dialoga com a pesquisa de Grada Kilomba sobre a política do discurso negro na economia das plantações.



21h30 | SARAU-SHOW: MUTUM
| Classificação indicativa livre
Mutum é um entretenimento que aguça a autorreflexão por dias melhores e uma sociedade equânime e não violenta. Une música e poesia para tratar das conexões e desconexões, da intolerância e da empatia, falar de sorriso, liberdade, sexo, cafuné, das batalhas cotidianas, esperança, discriminações, paixão. A direção artística é de Jairo Pereira (banda Aláfia) e a direção musical é de Gabriel Catanzaro, que junto a Fabio Leandro (Teclado), Lucas Cirillo (Gaita), Pedro Bandera (Percussão), Filipe Gomes (Bateria) e Dudu Tavares (guitarra) dão alma ao corpo das palavras.
Jairo Pereira é um “artivista” multimídia que assina a autoria dos poemas e canções do espetáculo.



25 de agosto

17h | Performance: Como construir baronatos | Priscila Resende | Classificação indicativa livre
A performance “Como construir baronatos” faz parte de uma série de performances que investigam o enriquecimento de impérios a partir da produção e comercialização de commodities utilizando mão de obra negra escravizada em períodos coloniais. No trabalho citado, o café, também chamado uma vez de “ouro negro”, é utilizado para rememorar as condições em que se deu o cultivo deste produto no Brasil, que não só alavancou o desenvolvimento da economia brasileira durante o século XIX e início do século XX, como concedeu a muitos, ascensão nobiliárquica, lucros, heranças e consequências refletidas até a atualidade.

Priscila Rezende é graduada em Artes Visuais. Dentre seus trabalhos destacam-se 1ª Mostra Perplexa de performances (2010); Outra Presença (2013); Limite Zero (2014); Projeto Raiz Forte (2015); The Incantation of the Disquieting Muse (2016); Perfura Ateliê de Performance (2017); Mostra Performatus #2 (2017); Festival Performe-se (2017); Negros Indícios (2017). Foi artista residente na instituição Central Saint Martins, Londres/2018.



19h | Performance: Axexê de A Negra ou o descanso das mulheres que mereciam serem amadas |  Renata Felinto   | Classificação indicativa 18 anos

"Axexê de A Negra ou o descanso das mulheres que mereciam serem amadas", é um trabalho  que objetiva enterrar as negras registradas em fotografias e imagens nas quais repousam instantâneos de vida que, assim como A Negra, possuem olhares perdidos no vazio, vidas raptadas e violentadas de maneiras as mais brutais imagináveis.Enterramos essas mulheres que mereciam serem amadas em corpos/almas. Enterramos todos os estereótipos e estigmas construídos ou fortalecidos a partir do uso das imagens do/a/s negro/a/s como elementos decorativos nas casas das famílias tradicionais brasileiras detentoras da riqueza/dinheiro desse pais. Enterramos o modernismo enquanto o mais importante momento das artes visuais no Brasil. Num movimento antropofágico, devolvemos à terra simbolicamente essas imagens vida e ela, na qual pisamos, nos devolve vitalidade, energia, crença na continuidade


Renata Felinto é artista visual e professora. Doutora e mestra em Artes Visuais e especialista em Curadoria e Educação em Museus. Compôs o conselho editorial da revista O Menelick 2º Ato e é membro da Comissão Científica do Congresso CSO 2017-8 da Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Coordenou o Núcleo de Educação do Museu Afro Brasil. A arte produzida por mulheres e homens negros descendentes tem sido principal tema de pesquisa.


20h | Cinefachada| Casca de Baobá, direção de Mariana Luiza | Classificação indicativa livre
Sinopse:  Uma jovem negra nascida em um quilombo no interior do estado é cotista na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sua mãe leva a vida cortando cana nas proximidades do quilombo. As duas trocam mensagens para matar a saudade e refletir sobre o fim de uma era social e econômica.


20h30 | Cinefachada| Travessia, direção de Safira Moreira | Classificação indicativa livre
Sinopse:  Utilizando uma linguagem poética, Travessia parte da busca pela memória fotográfica das famílias negras e assume uma postura crítica e afirmativa diante da quase ausência e da estigmatização da representação do negro.


21h | Cinefachada | Nome de Batismo – Alice, direção de Tila Chitunda | Classificação indicativa livre
Sinopse:  Em 1975, a declaração da independência de Angola iniciou uma longa Guerra Civil que matou e expulsou vários angolanos de suas terras. Quarenta anos depois, Alice, a única filha brasileira de uma família angolana que encontrou refúgio no Brasil, decide ir pela primeira vez a Angola, atrás das histórias que motivaram seus pais a lhe batizarem com esse nome.



26 de agosto

19h | Performance: E SE? Na fresta da certeza, o vermelho escuro | Luciane Ramos-Silva e convidados | Classificação indicativa livre

O movimento que risca o espaço infinito, altera a ordem das coisas. O espaço dito, instituído e delimitado nada pode frente à velocidade ancestral da  imaginação.A escuridão, na perspectiva feminista negra, é um lugar de infinitas possibilidades.

Luciane Ramos-Silva é antropóloga e artista da dança, doutora em Artes da Cena e mestra em Antropologia. É membro do conselho editorial da revista O Menelick 2º Ato, gestora de projetos do Acervo Africa e professora na Sala Crisantempo. Atua em parceria com diversos coletivos e instituições nas encruzilhadas das áreas de dança, pedagogia e crítica cultural. Sua tese abordou as noções de colonialidade, os currículos de graduação e a proposta pedagógica que intitula Corpo em Diáspora.


20h | Cinefachada| Monga, retrato de café, direção de Everlane Moraes | Classificação indicativa livre
Sinopse: Todas as manhãs sob o sol, na Sierra Maestra de Cuba, Monga prepara a terra para plantar café, grão, tão preto quanto seu passado. Monga canta em patuá, como um bálsamo para suas lembranças dolorosas da infância. Desde criança ela passava os dias no campo, ajudando a mãe a criar seus irmãos. O trabalho nas plantações de café foi herdado de seu pai, haitiano assassinado por ser mensageiro dos rebeldes, para ajudar no triunfo da Revolução.


20h30 | Cinefachada| Maria, direção de Elen Linth | Classificação indicativa 12 anos
Nascida aos 16, numa cidade ensaguentada por corpos de peito e pau. 
Elen Linth Diretora da série documental Territórios 5x26' (2017), da série documental Diversidade 5x26' (2017), do longa documental João (2017),  diretora da série de ficção Transviar (2017) e dos curtas Sandrine (2015), Muros (2015),  Pra  se  contar  uma  história (2014), Entre  passos (2012).


21h | Cinefachada | A boneca e o silêncio, direção de Carol Rodrigues | Classificação indicativa 14 anos
Sinopse:  A solidão de Marcela, uma menina de 14 anos, que decide interromper uma gravidez indesejada.


***Não será permitida a permanência de crianças desacompanhadas no local do evento



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