Programação
Programação
Seminário – Ensaios sobre arte, liberdade e encarceramento no Brasil
Entrada livre e gratuita mediante inscrição prévia
O Instituto Tomie Ohtake, em conjunto com o Solar dos Abacaxis e o programa Visualizing Abolition apresenta Ensaios sobre arte, liberdade e encarceramento no Brasil.
O seminário investiga as relações entre arte, liberdade e encarceramento sem tratá-las como campos estáveis ou opostos. A liberdade não aparece apenas como o contrário da prisão, nem a arte como expressão necessariamente libertadora. O programa pergunta como práticas culturais participam das disputas em torno da punição, da produção de subjetividades e da imaginação de outras formas de justiça — dentro e fora das instituições de confinamento. Partindo de experiências como Corpos Indóceis e Mentes Livres, da produção de Stela do Patrocínio e do Teatro do Sentenciado, criado por Abdias Nascimento, os encontros aproximam prisões, manicômios, museus, arquivos e espaços culturais. O encontro mobiliza práticas artísticas que organizam não apenas testemunhos do encarceramento, mas como formas de conhecimento capazes de interrogar as categorias que separam normalidade e desvio, disciplina e indocilidade, sentença e liberdade. Os “ensaios” do título nomeiam esse processo coletivo e ainda aberto: uma tentativa de pensar o que a arte pode fazer quando a liberdade deixa de ser entendida como condição individual e passa a ser construída como prática, relação e responsabilidade compartilhada.
O primeiro dia toma emprestado o título do projeto Corpos Indóceis e Mentes Livres, criado e coordenado por Denise Carrascosa desde 2010 no Conjunto Penal Feminino de Salvador. Por meio de práticas de leitura, escrita e arte-educação, o projeto enfrenta o apagamento de identidades e subjetividades provocado pelo cárcere, compreendendo a criação artística como exercício de liberdade e elaboração coletiva. Ao reunir experiências atravessadas por gênero, raça e encarceramento, o encontro discute como corpos historicamente submetidos à vigilância e à punição recusam as formas de disciplina que lhes são impostas. A indocilidade aparece, assim, não como inadequação, mas como gesto de preservação da voz, criação de vínculos e imaginação de formas de existência para além da prisão.
14h — 15h30 • Intervenção cultural
CiA dXs TeRrOrIsTaS
15h45 — 16h • Distribuição e lançamento do livro
Mulheres Possíveis
16h — 18h • Mesa-redonda
Mediação: Erica Malunguinho
Participantes: Jess Oliveira, Preta Ferreira, Danilo Santos Nascimento e Gustavo Silvestre.
19h — 21h30 • Conferência online
Angela Davis (à distância) e Gina Dent (à distância) em conversa com Juliana Borges – apresentação da mesa: Cláudio Bueno
Ecoando Falatório reúne debates sobre encarceramento, saúde mental e práticas artísticas, tendo a trajetória de Stella do Patrocínio (1941–1992) como ponto de partida para refletir sobre as relações entre confinamento, linguagem e escuta. O título da mesa faz referência ao termo “falatório”, expressão utilizada pela própria Stella para nomear sua prática da palavra. Em vida, viveu cerca de três décadas internada na Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, e suas falas, registradas em gravações realizadas durante esse período, seguem mobilizando pesquisas e debates. O encontro investiga como diferentes instituições de confinamento produzem exclusão e silenciamento, ao mesmo tempo em que propõe refletir sobre os desafios envolvidos na preservação, interpretação e circulação de vozes produzidas em contextos de institucionalização, reconhecendo que esses processos permanecem objeto de reflexão crítica e disputa.
16h — 18h • Intervenção cultural
Lula Wanderley
19h — 21h30 • Mesa-redonda
Mediação: Carolina Rodrigues
Participantes: Paulo Amarante, Pedro França, Sara Ramos e Silvana Jeha.
Confiança e Desconfiança parte da faixa de abertura do álbum Provérbios 13 (2000), do grupo 509-E, formado por Dexter e Afro-X durante o período em que cumpriam pena no extinto Presídio do Carandiru. A esquete simula um diálogo entre agentes penitenciários que suspeitam que o projeto musical dos detentos seja um plano de fuga, revelando como a confiança e a desconfiança operam como tecnologias de poder no contexto prisisional. A conversa toma esse ponto de partida para discutir as relações entre encarceramento, arte e memória, refletindo também sobre a confiança como possibilidade de reconstrução de si diante de instituições fundadas na suspeita.
16h — 18h • Conferência
Drauzio Varella em diálogo com Luiz Paulino Bizil e Dexter
20h • Show Dexter
[Ingressos deverão ser adquiridos]
Contra Sentença inspira-se na experiência do Teatro do Sentenciado, criado por Abdias Nascimento durante seu encarceramento no Carandiru, em 1943. Ao transformar a prisão em espaço de criação, Abdias deslocava a sentença do campo da punição para o da elaboração coletiva e da produção de linguagem. Partindo desse gesto, o terceiro dia investiga como arquivos, práticas artísticas e políticas da memória disputam as narrativas produzidas pela violência de Estado, conectando ditadura, Carandiru e as permanências do encarceramento em massa. Ao ampliar o debate sobre raça e gênero na história da arte brasileira, propõe-se também revisar quem produz memória e quais histórias continuam sendo contadas.
16h — 18h • Intervenção cultural
Aysha Nascimento – Parto Pavilhão
19h — 21h30 • Mesa-redonda
Mediação: Ana Pato
Participantes: Eugenio Lima, Aléssia Bertuleza Tuxá e Daniela Machado (ASP Arte).
Alinhamento e integração com uma ação da ASP Arte.
Defensora Pública do Estado da Bahia e indígena do povo Tuxá. Coordenadora do Grupo de Trabalho sobre Igualdade Étnica da DPE/BA, é mestra em Direito Público pela UFBA e graduada em Direito pela UEFS.
Pesquisadora, curadora e diretora do Memorial da Resistência. Doutora em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP, mestre em Artes Visuais pela Faculdade Santa Marcelina e graduada em Comunicação Social pela FAAP, desenvolve pesquisas sobre arte contemporânea, arquivo e memória.
Filósofa, escritora, professora e ativista política norte-americana. Reconhecida internacionalmente por sua atuação nas lutas antirracista, feminista e abolicionista penal, tornou-se uma das vozes mais influentes do pensamento crítico contemporâneo. Professora emérita da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, é autora de obras fundamentais sobre raça, gênero, classe, encarceramento e justiça social, entre elas Mulheres, Raça e Classe, A liberdade é uma luta constante e Estarão as prisões obsoletas?
Associação sem fins lucrativos fundada em 2018 por Daniela Machado. Desenvolve projetos de arte e educação voltados a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
Artista da dança e do teatro, Aysha Nascimento é atriz, dançarina, diretora, curadora e
preparadora corporal. Formada pela Escola Livre de Teatro de Santo André (2007) e
licenciada e bacharelada em Dança pela Universidade Anhembi Morumbi (2018).
Mestre em Artes da Cena e Mediação Cultural pela Escola Superior de Artes Célia
Helena em parceria com a Escola Itaú Cultural (2024). Integrante fundadora da
companhia de Teatro Popular e de Rua da cidade de São Paulo, a Cia. Dos Inventivos
(2004). Integrante fundadora do grupo de Teatro Negro, o Coletivo Negro (2008).
Integra como intérprete criadora o grupo de dança, Núcleo Ajeum (2019).
Historiadora da arte, curadora e pesquisadora. Mestre em Artes Visuais pela UFRJ, é curadora-geral do Museu Bispo do Rosário, onde desenvolve projetos voltados às interseções entre arte, território, gênero e relações étnico-raciais. Sua atuação privilegia narrativas plurais e periféricas, propondo práticas curatoriais críticas aos limites institucionais do sistema da arte.
Coletivo de artes da cena fundado em 2015 na zona norte de São Paulo. Desenvolve práticas de teatro abolicionista com pessoas LGBTQIA+ sobreviventes do sistema prisional, articulando performance, educação popular e a construção de novos imaginários de justiça.
Artista visual, curador e professor da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, onde integra o programa Visualizing Abolition e leciona no MFA em Arte Ambiental e Prática Social. É cofundador dos coletivos e plataformas Explode!, O Grupo Inteiro e Intervalo-Escola.
MC do grupo Comunidade Carcerária, educador cultural, compositor e ator. Atua como militante autônomo e abolicionista penal, integrando também o coletivo Herzer, a Associação de Amigos e Familiares de Presos (AMPARAR) e a Frente Estadual pelo Desencarceramento de São Paulo.
Assistente social e psicopedagogo. Protagonista do documentário Homens Invisíveis, é autor dos livros Outras Vozes e Transmasculinidade: Narrativa em Primeira Pessoa, além de fundador do Coletivo Mobiliza Satélite.
Rapper que iniciou sua trajetória nos anos 1990 e ganhou destaque com o grupo 509-E, formado ao lado de Afro-X durante o período em que esteve preso no Carandiru. Reconhecido como uma das principais vozes do rap nacional, transforma experiências de encarceramento em reflexões sobre justiça, liberdade e direitos humanos.
Médico oncologista, cientista e escritor. Formado pela USP, destaca-se por seu trabalho de décadas como médico voluntário no sistema prisional brasileiro, especialmente na Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru), além de sua atuação na divulgação científica e na saúde pública.
Educadora, artista e ativista. Fundadora do quilombo urbano Aparelha Luzia, atua nos campos da cultura, da política e dos direitos da população negra e LGBTQIA+, articulando práticas de educação, memória e transformação social.
DJ, ator-MC e pesquisador da cultura afro-diaspórica. Membro fundador do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos e da Frente 3 de Fevereiro, é diretor do Coletivo Legítima Defesa.
(Ph.D. em Inglês e Literatura Comparada pela Columbia University) é professora de Humanidades e diretora acadêmica do Instituto de Artes e Ciências da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, onde recebeu prêmios por seu trabalho como docente (Dizikes Faculty Teaching Award), por sua atuação em defesa da diversidade (Chancellor’s Award for Diversity) e por sua pesquisa (Innovator of the Year). Atualmente, é pesquisadora principal (Principal Investigator) e codiretora do Visualizing Abolition, projeto multidisciplinar — que envolve exposições, eventos, bolsas de pesquisa e programas acadêmicos — voltado a abordar a crise global do encarceramento por meio da arte e da cultura visual. Seus projetos colaborativos mais recentes derivam de décadas de atuação como ativista pela justiça social — Abolition. Feminism. Now. (coautoria com Angela Davis, Erica Meiners e Beth Richie, Haymarket, 2022) e Seeing through Stone (catálogo de exposição, Marquand, 2024).
Estilista e fundador do Projeto Ponto Firme, iniciativa que desde 2015 desenvolve formação em crochê com pessoas encarceradas e egressas do sistema prisional. Seu trabalho articula moda, trabalho artesanal, geração de renda e reconstrução de trajetórias.
Tradutora, pesquisadora, crítica literária, poeta e integrante do grupo de pesquisas Traduzindo no Atlântico Negro (UFBA), e do Corpos Indóceis e Mentes Livres. Doutoranda pelo Programa de Pós-graduação em Literatura e Cultura (UFBA), com bolsa de pesquisa CAPES/DAAD na Universidade de Bayreuth, Alemanha. Professora visitante no Departamento de Espanhol e Português do Colorado College (EUA).
Escritora, pesquisadora e ativista. Construiu uma trajetória que articula produção intelectual, ativismo e formulação de políticas públicas, consolidando-se como uma das principais vozes do debate sobre racismo, encarceramento em massa, direitos humanos e justiça social no Brasil.
Artista visual, educador e sobrevivente do Massacre do Carandiru. Sua produção parte das experiências vividas no Pavilhão 9, articulando memória, espiritualidade e reflexão sobre o encarceramento e suas consequências. Seus trabalhos têm sido apresentados em exposições e amplamente divulgados em reportagens e documentários.
Prof. Sênior LAPS/ENSP/CEE, Fiocruz, Dr. Honoris causa Universidad Madres Plaza de Mayo, Fundador e Presidente de Honra Abrasme, Curador SM/IdeiaSUS.
Artista e integrante da Cia. Teatral Ueinzz. Frequentou cursos livres na Escola de Artes Visuais do Parque Lage entre 1998 e 2005 e concluiu mestrado em História pela PUC-Rio em 2010.
Multiartista, escritora, atriz e defensora dos direitos humanos. Integrante do Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC), atua no enfrentamento ao racismo, à criminalização dos movimentos sociais e às desigualdades no acesso à moradia e à justiça.
Pesquisadora, editora, tradutora e poeta. Mestra em Literatura Comparada pela UNILA, é autora da plaquete Pequeno manual da fúria (2022) e desenvolve uma produção dedicada às relações entre linguagem, corpo e poesia.
Historiadora e pesquisadora. É autora da biografia de Aurora Cursino, artista e trabalhadora sexual que foi internada em um manicômio judiciário, contribuindo para os estudos sobre encarceramento, gênero e memória.