Curso: Arquiteturas do ventre do mundo — Cosmologias e filosofias do espaço nas sensibilidades africanas
Nathalia Grilo
Programa público
ÀS QUARTAS, 19H—20H30
CURSO ON-LINE
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 18 ANOS
Passada
‘Arquiteturas do ventre do mundo — Cosmologias e filosofias do espaço nas sensibilidades africanas’, com Nathalia Grilo
Como pensar a arquitetura e o urbanismo a partir das filosofias e sensibilidades africanas?
Este curso propõe um mergulho em formas plurais de construir o mundo, tomando como ponto de partida os saberes ancestrais de diferentes culturas africanas.
Com aulas ministradas por Nathalia Grilo, a proposta parte do reconhecimento do papel histórico do continente africano como berço de tecnologias, geometrias e cosmologias sofisticadas, frequentemente apagadas por uma visão eurocêntrica da história da arquitetura. Aqui, revisitamos cidades construídas a partir de rios, espíritos, histórias, mercados, ritmos e palavras — em vez de apenas muros, plantas e medidas.
Ao longo do curso, serão apresentados exemplos de comunidades e práticas urbanas profundamente conectadas com o corpo, a natureza e o tempo ritual. Vamos percorrer temas como espiritualidade na criação dos espaços, divisão coletiva do trabalho, estéticas pluriversais, uso de materiais, e modos de habitar que desafiam as normas modernas.
Através de imagens, mapas, bibliografia especializada, histórias orais e poemas, construiremos um outro olhar sobre o espaço — mais sensível, ancestral e vivo.
QUARTA | 24.SET 2025
Aula 1 – Arquiteturas espirituais: As relações entre as escolas iniciáticas, o Sagrado e os modos de fazer nas tradições escuras
Nesta abertura, adentramos os espaços onde o sagrado molda a matéria. Vamos investigar como as escolas iniciáticas africanas construíram não apenas edifícios, mas campos de energia e conhecimento.
QUARTA | 1.OUT 2025
Aula 2 – A Fundação da Vila: Mistério, reverência e simbologias da Floresta
Toda vila nasce de um pacto com a terra. Nesta aula, mergulhamos nos ritos de fundação e nos simbolismos que regem os assentamentos nas culturas africanas. A floresta, longe de ser mero recurso, é presença espiritual, guardiã e conselheira. Exploramos os modos como caminhos, clareiras, fontes e árvores sagradas organizam o espaço coletivo, entre o visível e o invisível, entre o humano e o mais-que-humano.
A arquitetura é aqui um prolongamento do corpo ritual, do mito, da dança e da transmissão oral. Estudaremos fundamentos, eixos, orientações e gestos que transformam espaço em presença.
QUARTA | 8.OUT 2025
Aula 3 – Sabedoria vernacular e a comunidade: Ciências do Construir e os Materiais Aliados
Nesta aula, daremos atenção à inteligência das mãos. Estudaremos as tecnologias do cotidiano: paredes de barro, tramas vegetais, tetos vivos, fundações orgânicas.
A aula trata das ciências vernaculares do construir, onde o saber ancestral se manifesta na escolha dos materiais, na lógica dos mutirões, nos ritmos da construção, e no respeito aos ciclos da natureza.
QUARTA | 15.OUT 2025
Aula 4 – Impérios, rios e mercados: rotas abundantes de riquezas e sociabilidades
Dos grandes impérios africanos: Mali, Gana, Axum, Benin, às margens de rios e feiras que movimentam culturas e mercadorias, exploramos as geografias da abundância.
Esta aula investiga as arquiteturas do encontro: praças, portos, mercados, cidades muralhadas, rotas de caravanas. Espaços onde o saber circula, onde o luxo se inscreve em ouro, tecido e palavras. O urbanismo como arte de viver em rede, com fartura, avanço e festa.
QUARTA | 22.OUT 2025
Aula 5 – Arquitetura e urbanismo ancestral x Pensamento colonial e rupturas
Em forma de aula crítica, confrontaremos a violência colonial sobre os modos africanos de habitar. Analisamos como o pensamento colonial rompeu lógicas espaciais, deslocou povos, destruiu linguagens construtivas e criminalizou cosmologias. Ao mesmo tempo, examinamos as formas de resistência: permanências, reinvenções e reconstruções insurgentes, e práticas urbanas negras contemporâneas.
QUARTA | 29.OUT 2025
Aula 6 – Feituras do agora e a permanência da radicalidade imaginativa na atualidade.
Fechamos o ciclo olhando para as criações atuais que reverberam as sensibilidades ancestrais: arquiteturas negras contemporâneas, práticas artísticas, projetos comunitários, urbanismos de reencantamento.
A aula propõe imaginar e reconhecer as continuidades radicais nas formas de fazer, morar e ocupar, mesmo sob o regime da cidade neoliberal. O futuro, aqui, é uma curva de retorno: reinvenção que honra as origens.
Curadora, pesquisadora e escritora especializada em estéticas negras e diaspóricas. Atua na interseção entre as diversas linguagens artísticas e o imaginário radical negro. Foi curadora na HOA Galeria e no Pavilhão Maxwell Alexandre.