Existe uma vida inteira que tu não conhece
Allan Weber
Exposição
ENTRADA GRATUITA
Futura
Curadoria de Catalina Bergues e Sabrina Fontenele
Grande parte da produção artística de Allan Weber, nascido e criado na comunidade 5 Bocas, em Brás de Pina, na Zona Norte do Rio de Janeiro, onde vive até hoje, toma a vida urbana como matéria.
Seu trabalho é profundamente enraizado nas realidades do território em que vive, incorporando as tensões, contradições e a violência que atravessam esse ambiente.
Nas ruas, o artista encontra um campo de relações e deslocamentos, a partir do qual transforma objetos e materiais do cotidiano em construções poéticas que também funcionam como comentários sobre as dinâmicas sociais da cidade. Suas obras operam nessa tensão entre quem observa a cidade à distância e quem depende dela para trabalhar.
A exposição reúne cerca de 40 obras que tomam a cidade e o cotidiano dos motoboys como campo de observação das dinâmicas do trabalho e da vida urbana.
A realização da mostra no Instituto Tomie Ohtake, localizado na Avenida Faria Lima, centro financeiro por onde circulam diariamente milhares de motoboys ganha um significado particular. O deslocamento desses trabalhadores sustenta a dinâmica da cidade, embora esse ofício raramente se traduza em estabilidade financeira, direitos ou reconhecimento social equivalente. Para esta exposição, o artista produziu muitas das obras durante sua permanência em São Paulo, em contato direto com territórios, objetos e modos de vida que raramente integram as imagens mais difundidas da cidade. Essas experiências se somam às que atravessam sua trajetória no Rio de Janeiro.
Artista multidisciplinar cuja obra abrange uma gama de suportes, incluindo assemblage, escultura, instalação e fotografia. Por meio de práticas conceituais, Weber leva para os espaços expositivos materiais e objetos carregados de história, oferecendo uma janela para realidades que ele vivencia e imagina. Tendo iniciado sua pesquisa artística a partir das dinâmicas sociais e geopolíticas da cidade do Rio de Janeiro, seu olhar se expandiu para abordar questões da geopolítica global. A prática de Weber é profundamente enraizada nas realidades do ambiente em que vive, incorporando a ambiguidade, o caos e a violência da vida urbana. Ele vê as ruas como um tecido conjuntivo e transformando objetos mundanos em poéticas contundentes e comentários sociais.