Programação

A terra, o fogo, a água e os ventos – Por um Museu da Errância com Édouard Glissant

Exposição

de 28 de fevereiro a 10 de maio de 2026

Center for Art, Research and Alliances (CARA)
Nova York – EUA
Entrada gratuita

Atual

A terra, o fogo, a água e os ventos – Por um Museu da Errância com Édouard Glissant

Curadoria de Manuela Moscoso, Marian Chudnovsky, Ana Roman e Paulo Miyada

A exposição acontece no Center for Art, Research and Alliances (CARA), em Nova York (EUA)*

A terra, o fogo, a água e os ventos – Por um Museu da Errância com Édouard Glissant foi idealizada e apresentada pelo Instituto Tomie Ohtake entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. A mostra passa por Nova York (EUA), no Center for Art, Research and Alliances (CARA), e reúne pela primeira vez a coleção pessoal de arte do poeta, filósofo e ensaísta martinicano Édouard Glissant nos Estados Unidos.

Com seu título inspirado na antologia poética La Terre, le feu, l’eau et les vents (2010), organizada pelo escritor martinicano, a mostra ensaia o que seria um “Museu da Errância”. Errância é uma vivência da Relação: recusa filiações únicas e propõe o museu como arquipélago – espaço de rupturas, apagamentos e reinvenções sem síntese forçada. Contra genealogias rígidas, propõe-se uma memória em trânsito, feita de alianças provisórias, traduções e tremores – um processo institucional movido pelo encontro entre tempos, territórios e linguagens. Ainda que Glissant tenha deixado fragmentos de sua visão para um museu do século 21, não chegou a concretizá-lo.

A exposição imagina como poderia ser esse Museu da Errância em múltiplas camadas e conexões inesperadas entre obras, documentos e paisagens. As duas ideias-chave da organização da montagem da exposição são a palavra da paisagem e a paisagem da palavra, concebidas a partir da concepção de Glissant de “parole du paysage”. Para o poeta, a paisagem não é apenas cenário externo, mas força ativa que molda memórias, gestos e linguagens.

Além disso, estão presentes em frases, manuscritos e entrevistas do autor outras ideias como Todo-mundo, crioulização, arquipélago, tremor, opacidade, palavra da paisagem e aqui-lá. Trata-se de um arco de assuntos interligados com profunda relevância no mundo contemporâneo, que mais uma vez se vê permeado por discursos e medidas de intolerância perante o diverso e incapaz de criar canais de escuta dos elementos naturais e das paisagens ameaçados de destruição.

O conjunto inclui pinturas, esculturas e gravuras de artistas com quem o pensador conviveu e sobre os quais escreveu, como Victor Anicet, Victor Brauner, Ernest Breleur, Agustín Cárdenas, Gerardo Chávez, Manthia Diawara, Melvin Edwards, M. Emile, Öyvind Fahlström, José Gamarra, Sylvie Séma Glissant, Serge Hélénon, Wifredo Lam, Roberto Matta, Paul Mayer, Gabriela Morawetz, Irving Petlin, Cesare Peverelli, Pancho Quilici, Antonio Seguí, Eduardo Zamora e Enrique Zañartu.

A exposição A Terra, o Fogo, a Água e os Ventos: Para um Museu da Errante com Édouard Glissant no CARA tem curadoria de Manuela Moscoso, com assistência curatorial de Marian Chudnovsky, em colaboração com Paulo Miyada e Ana Roman. A exposição é concebida em parceria com o Mémorial ACTe, Édouard Glissant Art Fund e Institut du Tout-Monde.

Na ocasião da itinerância, a publicação homônima realizada em 2025 foi traduzida e editada por Ana Roman e Paulo Miyada. O volume reúne ensaios, fragmentos de arquivo, documentos visuais e textos – oferecendo uma visão contemporânea das implicações do pensamento de Glissant nos campos da arte, da museologia, da filosofia e da poesia.

*West 13th Street 225, Nova York (EUA)

Crédito: Kris Graves (Cortesia do Center for Art, Research and Alliances)
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