Isay Weinfeld – Etcétera
Exposição
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Futura
Alguns dos edifícios mais conhecidos da paisagem paulistana e em grandes metrópoles ao redor do mundo levam do arquiteto Isay Weinfeld, ainda que poucos saibam definir, com precisão, qual é seu estilo arquitetônico. Essa dificuldade, longe de ser um problema, integra o enigma e a força de Weinfeld, criador cuja obra escapa a rótulos fáceis e desafia classificações rígidas. Mas reduzi-lo apenas à arquitetura seria um equívoco. Ao longo de cinco décadas de produção intensa e coerente, o arquiteto paulistano construiu uma trajetória que atravessa, com rara fluidez, o design, as artes visuais e o cinema. Essas múltiplas frentes de atuação estarão reunidas na exposição Etcétera, a mais abrangente mostra dedicada à sua carreira, que ocupará o Instituto Tomie Ohtake até 17 de maio.
Com curadoria de Agnaldo Farias, identidade gráfica de Giovanni Bianco e catálogo de fotos feitas por Bob Wolfenson, a mostra não se organiza como uma retrospectiva convencional, mas como a exposição de um modo de pensar e criar. Segundo o curador, “Isay faz arquitetura sem saber desenhar, desafiando um dos princípios basilares da arquitetura. Aliás, a fixação de seu primeiro desenho logo à entrada da exposição, uma casinha feita na infância, funciona como um recado aos estudantes: existem caminhos além daqueles previstos pelos currículos das escolas”.
Cerca de 180 itens – entre maquetes de arquitetura, móveis, filmes, joias, peças de moda, textos do próprio artista e documentos diversos – ocupam as duas grandes salas que compõem o percurso da mostra para ajudar o espectador a mergulhar no universo, e na mente, do homenageado. O núcleo apresentado traça um panorama a partir de 1973, quando o arquiteto abriu o primeiro escritório, e recua ainda a trabalhos de formação e a referências artísticas decisivas em sua construção criativa.
Muitas das maquetes produzidas para a exposição subvertem a lógica tradicional da miniatura arquitetônica. Em um dos exemplos mais emblemáticos, um cubo branco de grandes dimensões revela, em um de seus vértices, o interior de um apartamento projetado por Weinfeld, como se o espaço tivesse sido esculpido dentro da matéria, e não apenas concebido sobre o papel. Um nicho horizontal em outra parede exibe sete escadas icônicas desenhadas pelo arquiteto para lojas e residências, como a escadaria em pastilhas Vidrotil vermelhas da Fórum, na Oscar Freire; a estrutura circular em aço da loja Chocolate, na mesma rua; e a escada caracol flutuante, em madeira, da Casa Cubo, entre outras. Dispostas lado a lado, aparecem quase como peças escultóricas, evidenciando como um elemento funcional recorrente se converte em experiência espacial e gesto formal.
Já o artista plástico aparece em obras como Incredulidade (2024), apresentada na mostra individual Ininteligibilidade (2025). Nela, um cabide de metal encontra um crucifixo de madeira em uma associação inesperada que aciona humor, ironia e senso crítico. A esse gesto se soma a série fotográfica feita com celular, que deu origem ao livro ISAY W (2024), publicado pela Editora Oscar Riera Ojeda Publishers, com projeto gráfico de Giovanni Bianco. Durante dez anos, Weinfeld percorreu a cidade e registrou placas, pixos, grafites, detalhes arquitetônicos, gatos, pombos e cenas corriqueiras em enquadramentos inesperados, construindo um estudo visual quase semiótico da vida urbana paulistana.