Profanações
Pablo Lobato
Exposição
ENTRADA GRATUITA
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: LIVRE
Futura
Obra inédita e exposição homônima de Pablo Lobato, com texto curatorial assinado por Moacir dos Anjos
Concebida como uma videoinstalação, a mostra individual reúne três filmes do artista realizados entre 2011 e 2015 – Bronze revirado, Folia e Corda – apresentados em conjunto como uma única obra que articula imagem, som e arquitetura.
Exposta em uma das salas do grande hall do Instituto, Profanações começa antes mesmo das projeções. Para entrar, o público é convidado a retirar os sapatos e atravessar um corredor e uma antessala que funcionam como zona de transição.
Os três trabalhos que compõem Profanações foram realizados em contextos distintos e têm em comum a presença de práticas e rituais religiosos. O filme mais antigo é Bronze revirado (2011), no qual o artista apresenta a imagem vertical do campanário de uma igreja barroca em São João del-Rei, em Minas Gerais, e do sino ali abrigado. Ao transformar um rito religioso em jogo ou ato lúdico, os movimentos dos corpos de jovens mestres tocadores que estão em cena põem em crise a associação exclusiva do toque do sino à esfera do sagrado colonial.
Já em Folia (2012/2015), segundo filme que compõe a mostra, Pablo Lobato registra e edita cenas da Folia de Reis em Bom Despacho, também em Minas Gerais. A festa pertence ao calendário religioso católico e celebra, por meio de encenações, músicas e cantos, a jornada dos Três Reis Magos para dar as boas-vindas ao Menino Jesus. Por fim, a exposição se completa com o trabalho intitulado Corda (2014), filmado em Belém, no Pará, durante uma das maiores festas religiosas do Brasil: o Círio de Nazaré. O nome do trabalho remete à extensa corda de sisal – cerca de oitocentos metros – estendida em forma de rosário ao longo da procissão liderada pela berlinda que conduz a imagem de Nossa Senhora.
A pesquisa de Pablo Lobato não se restringe a uma única linguagem ou meio e se desenvolve de forma colaborativa, em relação a cada material, situação ou contexto. Lobato vive e trabalha em Nova Lima (MG). Graduado pela Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, especializou-se em cinema (PUC Minas/UFMG) e estudou fotografia na Escola Guignard – UEMG. Foi um dos criadores da Teia – Centro de Pesquisa Audiovisual, em Belo Horizonte.
Seus filmes foram exibidos em festivais como Locarno, Sundance, Guadalajara, Oberhausen e Havana. Dirigiu o longa Acidente (2006), premiado como Melhor Documentário Ibero-Americano no Festival de Cinema de Guadalajara. Recebeu a bolsa da John Simon Guggenheim Memorial Foundation (2009). Seu trabalho foi apresentado em instituições como Museum of Modern Art (MoMA), New Museum, Museo Tamayo, MACBA – Museu d’Art Contemporani de Barcelona, Museu de Arte Moderna de São Paulo e Museu de Arte do Rio, onde realizou a exposição individual Da natureza das coisas (2016), além de bienais no Uruguai, Argentina, Índia, Portugal e Emirados Árabes.
Nos últimos anos, tem desenvolvido a escultura comunitária Bárbara de Cocais, projeto de longa duração que articula arte e formação humana a partir de práticas de cuidado e processos coletivos em um território específico. Suas obras integram coleções como Fundação Joaquim Nabuco (Recife), Fondation Hippocrène (França), Museu d’Art Contemporani de Barcelona – MACBA, Museu de Arte da Pampulha (Belo Horizonte), Museu de Arte do Rio, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Sharjah Art Foundation (Emirados Árabes Unidos).