Programação
Programação
Seminário – Ensaios sobre arte, liberdade e encarceramento no Brasil
Entrada livre e gratuita mediante inscrição prévia
No Instituto Tomie Ohtake e Cultura Artística
Realizado pelo Instituto Tomie Ohtake e pelo Solar, o seminário Ensaios sobre arte, liberdade e encarceramento no Brasil investiga o que podemos aprender sobre as relações entre arte, liberdade e encarceramento quando deixamos de tratá-las como campos estáveis ou opostos.
Sem compreender a liberdade apenas como o contrário da prisão, nem reduzir a arte a uma expressão necessariamente libertadora, o programa reúne diferentes perspectivas, teorias e experiências em torno dos cruzamentos entre arte e encarceramento para compreender como práticas criativas desenvolvidas em contextos de confinamento abrem fissuras nas lógicas da punição, produzem formas insurgentes de subjetividade e imaginam outras possibilidades de justiça.
A palavra “ensaios” no título aponta para um processo coletivo, experimental e ainda aberto, uma vez que o seminário acontece como preparação para Os Avessos do Avesso da Liberdade, mostra desenvolvida pelo Solar em 2025, no Rio de Janeiro, e que ganhará uma nova montagem no Instituto Tomie Ohtake em 2027. Partindo de experiências como Corpos Indóceis e Mentes Livres, da conversa com Stella do Patrocínio, da musicalidade do rap por meio das letras de Dexter, Oitavo Anjo, e do Teatro do Sentenciado, criado por Abdias Nascimento, os encontros aproximam prisões, manicômios, museus, arquivos e espaços culturais. Em vez de reunir apenas testemunhos sobre o encarceramento, o seminário mobiliza práticas artísticas como formas de conhecimento capazes de interrogar as categorias que separam normalidade e desvio, disciplina e indocilidade, sentença e liberdade.
Este programa foi concebido em diálogo com o Visualizing Abolition, iniciativa da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, dedicada a transformar a relação da sociedade com as prisões por meio da arte, da pesquisa e da educação. Contamos ainda com o apoio institucional do Cultura Artística, formando uma rede de instituições culturais comprometida com debates cruciais do nosso tempo.
Instituto Tomie Ohtake
O primeiro dia toma emprestado o título do projeto Corpos Indóceis e Mentes Livres, criado e coordenado por Denise Carrascosa desde 2010 no Conjunto Penal Feminino de Salvador. Por meio de práticas de leitura, escrita e arte-educação, o projeto enfrenta o apagamento de identidades e subjetividades provocado pelo cárcere, compreendendo a criação artística como exercício de liberdade e elaboração coletiva. Ao reunir experiências atravessadas por gênero, raça e encarceramento, o encontro discute como corpos historicamente submetidos à vigilância e à punição recusam as formas de disciplina que lhes são impostas. A indocilidade aparece, assim, não como inadequação, mas como gesto de preservação da voz, criação de vínculos e imaginação de formas de existência para além da prisão.
14h — 15h30 • Conversa/Workshop
Desmontagem FRACTO 111: uma perspectiva abolicionista sobre as artes a partir do Carandiru — CiA dXs TeRrOrIsTaS
15h45 — 16h • Distribuição e lançamento do livro
Mulheres Possíveis
16h — 18h • Mesa-redonda
Mediação: Erica Malunguinho
Participantes: Jess Oliveira, Preta Ferreira, Danilo Santos Nascimento e Gustavo Silvestre.
19h — 21h30 • Conferência híbrida
Angela Davis (à distância) e Gina Dent (à distância) em conversa com Priscila Pamela – apresentação da mesa: Cláudio Bueno
Instituto Tomie Ohtake
Ecoando Falatório reúne debates sobre encarceramento, saúde mental e práticas artísticas, tendo a trajetória de Stella do Patrocínio (1941–1992) como ponto de partida para refletir sobre as relações entre confinamento, linguagem e escuta. O título da mesa faz referência ao termo “falatório”, expressão utilizada pela própria Stella para nomear sua prática da palavra. Em vida, viveu cerca de três décadas internada na Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, e suas falas, registradas em gravações realizadas durante esse período, seguem mobilizando pesquisas e debates. O encontro investiga como diferentes instituições de confinamento produzem exclusão e silenciamento, ao mesmo tempo em que propõe refletir sobre os desafios envolvidos na preservação, interpretação e circulação de vozes produzidas em contextos de institucionalização, reconhecendo que esses processos permanecem objeto de reflexão crítica e disputa.
16h — 18h • Conversa/Workshop
Lula Wanderley
19h — 21h30 • Mesa-redonda
Mediação: Carolina Rodrigues
Participantes: Lucas Veiga, Pedro França, Sara Ramos e Silvana Jeha.
Cultura Artística
Confiança e Desconfiança parte da faixa de abertura do álbum Provérbios 13 (2000), do grupo 509-E, formado por Dexter e Afro-X durante o período em que cumpriam pena no extinto Presídio do Carandiru. A esquete simula um diálogo entre agentes penitenciários que suspeitam que o projeto musical dos detentos seja um plano de fuga, revelando como a confiança e a desconfiança operam como tecnologias de poder no contexto prisisional. A conversa toma esse ponto de partida para discutir as relações entre encarceramento, arte e memória, refletindo também sobre a confiança como possibilidade de reconstrução de si diante de instituições fundadas na suspeita.
16h — 18h • Conferência
Drauzio Varella em diálogo com Luiz Paulino Bizil e Dexter
Apresentação: Ana Roman
20h • Show Dexter
[Ingressos deverão ser adquiridos]
Instituto Tomie Ohtake
Contra Sentença inspira-se na experiência do Teatro do Sentenciado, criado por Abdias Nascimento durante seu encarceramento no Carandiru, em 1943. Ao transformar a prisão em espaço de criação, Abdias deslocava a sentença do campo da punição para o da elaboração coletiva e da produção de linguagem. Partindo desse gesto, o terceiro dia investiga como arquivos, práticas artísticas e políticas da memória disputam as narrativas produzidas pela violência de Estado, conectando ditadura, Carandiru e as permanências do encarceramento em massa. Ao ampliar o debate sobre raça e gênero na história da arte brasileira, propõe-se também revisar quem produz memória e quais histórias continuam sendo contadas.
16h — 18h • Conversa/Workshop
Aysha Nascimento – Parto Pavilhão
19h — 21h30 • Mesa-redonda
Mediação: Ana Pato
Participantes: Eugênio Lima, MC Kric, Luís Lanfredi e Daniela Machado (ASP Arte).
Pesquisadora, curadora e diretora do Memorial da Resistência. Doutora em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP, mestre em Artes Visuais pela Faculdade Santa Marcelina e graduada em Comunicação Social pela FAAP, desenvolve pesquisas sobre arte contemporânea, arquivo e memória.
Filósofa, escritora, professora e ativista política norte-americana. Reconhecida internacionalmente por sua atuação nas lutas antirracista, feminista e abolicionista penal, tornou-se uma das vozes mais influentes do pensamento crítico contemporâneo. Professora emérita da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, é autora de obras fundamentais sobre raça, gênero, classe, encarceramento e justiça social, entre elas Mulheres, Raça e Classe, A liberdade é uma luta constante e Estarão as prisões obsoletas?.
Artista da dança e do teatro, Aysha Nascimento é atriz, dançarina, diretora, curadora e preparadora corporal. Formada pela Escola Livre de Teatro de Santo André (2007) e licenciada e bacharelada em Dança pela Universidade Anhembi Morumbi (2018).
Mestre em Artes da Cena e Mediação Cultural pela Escola Superior de Artes Célia Helena em parceria com a Escola Itaú Cultural (2024). Integrante fundadora da companhia de Teatro Popular e de Rua da cidade de São Paulo, a Cia. Dos Inventivos (2004). Integrante fundadora do grupo de Teatro Negro, o Coletivo Negro (2008). Integra como intérprete criadora o grupo de dança, Núcleo Ajeum (2019).
Historiadora da arte e pesquisadora, mestre em História e Teoria da Arte pela UFRJ. É curadora geral do Museu Bispo do Rosário, onde lidera a gestão artística e projetos voltados às interseções entre território, gênero e relações étnico-raciais. Sua prática é pautada pelo questionamento das fronteiras do sistema da arte e pelo desenvolvimento de ações participativas e comunitárias. Integra o Núcleo de Arte, Antropologia e Patrimônio do CNPq e colabora com instituições como MAM Rio e Polo Sociocultural Sesc.
Coletivo de artes da cena fundado em 2015 na zona norte de São Paulo. Desenvolve práticas de teatro abolicionista com pessoas LGBTQIA+ sobreviventes do sistema prisional, articulando performance, educação popular e a construção de novos imaginários de justiça.
Artista visual, curador e professor no Departamento de Arte da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, onde integra o programa Visualizing Abolition e leciona no MFA em Arte Ambiental e Prática Social. É cofundador dos coletivos e plataformas Explode!, O Grupo Inteiro e Intervalo-Escola.
MC do grupo Comunidade Carcerária, educador cultural, compositor e ator. Atua como militante autônomo e abolicionista penal, integrando também o coletivo Herzer, a Associação de Amigos e Familiares de Presos (AMPARAR) e a Frente Estadual pelo Desencarceramento de São Paulo.
Nascida no Capão Redondo, passou parte da adolescência na extinta FEBEM|SP. Graduada em Ciências Econômicas, pós graduada em projetos sociais, participou do Heyman Program for Philanthropy na Universidade de Nova York (NYU). Fundou a ASP arte e atuou em mais de 50 projetos de arte e educação.
Assistente social e psicopedagogo. Protagonista do documentário Homens Invisíveis, é autor dos livros Outras Vozes e Transmasculinidade: Narrativa em Primeira Pessoa, além de fundador do Coletivo Mobiliza Satélite.
Rapper que iniciou sua trajetória nos anos 1990 e ganhou destaque com o grupo 509-E, formado ao lado de Afro-X durante o período em que esteve preso no Carandiru. Reconhecido como uma das principais vozes do rap nacional, transforma experiências de encarceramento em reflexões sobre justiça, liberdade e direitos humanos.
Médico oncologista, cientista e escritor. Formado pela USP, destaca-se por seu trabalho de décadas como médico voluntário no sistema prisional brasileiro, especialmente na Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru), além de sua atuação na divulgação científica e na saúde pública.
Educadora, artista e ativista. Fundadora do quilombo urbano Aparelha Luzia, atua nos campos da cultura, da política e dos direitos da população negra e LGBTQIA+, articulando práticas de educação, memória e transformação social.
DJ, ator-MC e pesquisador da cultura afro-diaspórica. Membro fundador do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos e da Frente 3 de Fevereiro, é diretor do Coletivo Legítima Defesa.
Ph.D. em Inglês e Literatura Comparada pela Columbia University, professora de Humanidades e diretora acadêmica do Institute of the Arts & Sciences da Universidade da Califórnia, Santa Cruz. Reconhecida por seu trabalho de longa data nas áreas de abolicionismo, feminismo negro e estudos culturais, ela é atualmente pesquisadora principal e codiretora do Visualizing Abolition, uma iniciativa multidisciplinar que envolve exposições, programação pública e pesquisas voltadas a abordar a questão do encarceramento por meio da arte e da cultura visual. Entre seus trabalhos colaborativos recentes estão Abolition. Feminism. Now. (2022) e Seeing through Stone (2024).
Estilista e fundador do Projeto Ponto Firme, iniciativa que desde 2015 desenvolve formação em crochê com pessoas encarceradas e egressas do sistema prisional. Seu trabalho articula moda, trabalho artesanal, geração de renda e reconstrução de trajetórias.
Tradutora, crítica literária, poeta e professora de Literatura na UFBA. Integra o coletivo Corpos Indóceis e Mentes Livres, coordenado por Denise Carrascosa e coordena o grupo de pesquisa Fora(s) da(s) Linha(s): Estudos Interdisciplinares do Pensamento e Artes Negras em Tradução (CNPq-UFBA).
Psicólogo e Mestre em Psicologia Clínica pela Universidade Federal Fluminense. Atua com atendimento clínico, cursos, palestras e consultorias em saúde mental e segurança psicológica, especialmente através da implementação da NR-1 que aborda fatores psicossociais no ambiente de trabalho. Idealizador do curso Introdução à Psicologia Preta que trata da singularidade da saúde mental da população negra e autor do livro Clínica do impossível. Apresenta o Mutirão Saúde, programa desenvolvido pelo Canal Futura e disponível no Globoplay, e é professor na Casa do Saber.
Licenciado e Mestre em Processo Penal pela USP e em Criminologia e Sociologia Jurídico Penal pela Universidade de Barcelona. Doutorando em Criminologia e Sociologia Jurídico Penal pela Universidade de Barcelona. Foi Vice-Presidente CNPCP 2012-2014. Representou o Poder Judiciário brasileiro, no período de 2016-2018, perante a Organização de Estados Americanos, em Washington, Estados Unidos, tendo atuado como _Legal Expert Associate_na Secretaria de Segurança Multidimensional das Américas. É Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo e Juiz Auxiliar da Presidência no Conselho Nacional de Justiça, onde atua como Coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Execução de Medidas Socioeducativas – DMF (período de 2014-2016 e desde 2018) e da Unidade de Monitoramento e Fiscalização das decisões e deliberações da Corte Interamericana de Direitos Humanos (UMF), desde 2020.
Artista visual, educador e sobrevivente do Massacre do Carandiru. Sua produção parte das experiências vividas no Pavilhão 9, articulando memória, espiritualidade e reflexão sobre o encarceramento e suas consequências. Seus trabalhos têm sido apresentados em exposições e amplamente divulgados em reportagens e documentários.
Artista e integrante da Cia. Teatral Ueinzz. Frequentou cursos livres na Escola de Artes Visuais do Parque Lage entre 1998 e 2005 e concluiu mestrado em História pela PUC-Rio em 2010.
Multiartista, escritora, atriz e defensora dos direitos humanos. Integrante do Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC), atua no enfrentamento ao racismo, à criminalização dos movimentos sociais e às desigualdades no acesso à moradia e à justiça.
Advogada criminal. Mestra em DH pela USP. Pós-graduada em D Penal Econômico. Especialista em DH, Raça e gênero/USP. Presidenta do IDDD.
Pesquisadora, editora, tradutora e poeta. Mestra em Literatura Comparada pela UNILA, é autora da plaquete Pequeno manual da fúria (2022) e desenvolve uma produção dedicada às relações entre linguagem, corpo e poesia.
Doutora em história pela PUC-Rio. Pesquisa e escreve sobre arte produzida em hospitais psiquiátricos, indígenas, escravizados, marinheiros, prostitutas e suas culturas como a tatuagem. Seu mestrado abordou as “guerras justas” contra os botocudos (os Borum) e Kaingang no século XIX (2005); O seu doutorado versou sobre os recrutas e marujos da Armada Nacional Imperial do Brasil (2011). É autora de Uma história da tatuagem no Brasil. Do século XIX à década de 1970 (Veneta, 2019, de Aurora de Memórias e delírios de uma mulher da vida, com Joel Birman. (Veneta,2022) sobre a artista Aurora Cursino dos Santos e da HQ Valongo (Veneta, 2024) com Braziliano. Organizou Até onde chega a sonda. Textos prisionais de Patrícia Galvão (Fósforo, 2023). Publicou diversos artigos em revistas científicas de Ciências Humanas. Está lançando Quarta-feira tive visita de muita moça. As mulheres de Arthur Bispo do Rosário (Edição da autora. 2026). Este último trata-se de um capítulo da grande biografia que está preparando sobre o artista a ser publicada em 2027.
Instituição cultural, baseada em São Paulo, dedicada às artes visuais e suas interseções com a educação, a arquitetura e o design, sempre aberta ao diálogo com outras linguagens artísticas e temas contemporâneos. Sua abordagem enfatiza a pesquisa, a experimentação e o desenvolvimento de exposições e experiências educacionais que mobilizam vozes diversas e levam em conta o acesso em suas várias dimensões.
Instituição cultural sem fins lucrativos que, desde 2015, que vem promovendo, divulgando e ampliando práticas experimentais nas áreas da arte e da educação. Guiados pelos princípios da liberdade e da transformação social, buscamos democratizar o acesso à arte e à educação como veículos para promover o conhecimento, os direitos e a inovação por meio de uma programação diversificada e gratuita que inclui exposições coletivas e individuais, a criação de novas obras, residências artísticas e programas educacionais para o público. Com sede no centro histórico do Rio de Janeiro, a Solar funciona como um polo cultural aberto a todos, apresentando as expressões mais marcantes da arte brasileira e da arte do Sul Global, contribuindo para a revitalização cultural e econômica da região ao mesmo tempo em que constrói pontes com o mundo.
Iniciativa de pesquisa pública da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, criada para transformar a relação social com as prisões por meio da arte e da educação. Atuando além das fronteiras prisionais e em colaboração com pessoas atualmente e anteriormente encarceradas, bem como com aquelas sem essa experiência vivida, o objetivo principal é mudar a narrativa que associa prisões à justiça, contribuindo, em vez disso, para a construção de uma história coletiva e para a imaginação de alternativas que visam criar um futuro livre de prisões.