Prêmio Territórios
8º Prêmio Territórios Tomie Ohtake
Conheça as escolas premiadas
8º Prêmio Territórios Tomie Ohtake
Conheça abaixo as escolas premiadas
A Terra Indígena Pinhalzinho, em Tomazina (PR), onde está localizado o Colégio Estadual Indígena “Yvy Porã” (Terra Sagrada), é atravessada por alguns rios que são diretamente impactados pela presença de uma granja e pela proximidade de grandes lavouras de soja. Diante desse cenário, a escola desenvolveu o projeto “Meu rio também é digital”, que busca refletir sobre a importância da água e discutir, de forma criativa, os perigos vivenciados pelos rios e pela população. Combinando saberes ancestrais do povo Guarani, oralidade, memória, ciências, tecnologias e brincadeiras, em uma integração entre o território e a cultura educadora para a sustentabilidade, a comunidade escolar criou um mapa digital de afetos, alimentado com lembranças que habitam a memória, além de fotos, sons e depoimentos registrados no trajeto até o rio.
No território da Cabana do Pai Tomás, uma das favelas mais antigas da cidade de Belo Horizonte (MG), está localizada a Escola Estadual Geraldo Jardim Linhares, que vem realizando o projeto “Mapeando Minha Quebrada”, com o objetivo de construir debates com estudantes sobre cultura, sociologia urbana e identidade. Desde 2022, estudantes da primeira série do ensino médio participam dessa proposta pedagógica, que os convida a conhecerem melhor o território onde moram, de uma forma positiva e respeitosa, pesquisando histórias que são vividas ali, mas não são apresentadas nos livros. São usados como fontes de pesquisa jogos, conversas com moradores mais velhos do bairro e passeios pelo território, onde cada colega tem a oportunidade de mostrar aquilo que mais gosta e, assim, construir coletivamente um mapa sociocultural e afetivo do território.
A Escola Estadual Indigena Lino Augusto da Silva localiza-se na Terra Indígena São Marcos, no município de Boa Vista (RR), região que reflete a diversidade cultural e social dos povos Macuxi. Frente à reduzida oferta de recursos on-line em língua Macuxi, como vídeos no YouTube, traduções no Google Translate e artigos na Wikipedia, a escola criou um estúdio para a produção de conteúdo educativo e cultural em sua língua. Trabalhando em equipe, os estudantes são responsáveis por diferentes aspectos da produção multimidiática, desde a pesquisa e roteirização até a gravação e edição dos materiais, aprendendo a manusear diversas tecnologias, como câmeras, microfones e softwares de edição. A participação ativa dos alunos em todas as etapas do projeto garantiu que eles não apenas aprendessem novas habilidades, mas também se tornassem influenciadores de sua própria cultura.
A Escola Municipal Aba Tapeba, localizada na Aldeia Jandaiguaba, em Caucaia (CE), realizou o projeto “Carnaúba 360º” para exaltar a árvore-símbolo do povo Tapeba, fundamental na confecção de seus trajes e cocares tradicionais, entre outros tantos usos – da carnaúba, tudo se aproveita. Para destacar esse elemento cultural, a escola organizou uma exposição imersiva com produções fotográficas, audiovisuais e sonoras que mostram todas as etapas de produção do tucum, a fibra utilizada pelos artesãos na confecção dos trajes Tapeba. Além da realização de laboratórios tecnológicos de experimentação de equipamentos e aplicativos para feitura do vídeo em 360°, os estudantes conversaram com parentes mais velhos sobre o processo de tratamento da carnaúba e confecção dos trajes tradicionais. Por meio das novas tecnologias, foram registrados e divulgados os conhecimentos ancestrais e as práticas tradicionais, fortalecendo o vínculo comunitário e a consciência cultural.
O município de Baía da Traição (PB), onde se localiza a Escola Municipal de Ensino Fundamental Antonio Azevedo, é predominantemente habitado por pessoas do povo Potiguara, com cerca de 90% de sua área situada dentro de reservas indígenas. Nessa escola, teve início o projeto “Super Atletas”, destacando a participação e a integração de pessoas com deficiência e pertencentes ao povo Potiguara, grupos historicamente marcados por um contexto de exclusão, preconceito e discriminação. Os objetivos, inicialmente, eram mudar a rotina escolar dos estudantes com deficiência e com transtornos por meio do fomento às atividades paradesportivas, além de aumentar a participação de estudantes Potiguara com diferentes deficiências. O projeto vem se expandindo e contribuindo para o fortalecimento do Movimento Paralímpico na Paraíba, tendo o paradesporto como ferramenta poderosa de integração.
A Escola Municipal João Lino localiza-se no Pelourinho, em Salvador (BA), região declarada Patrimônio Mundial pela Unesco, em 1985. Apesar de muitas famílias habitarem o Pelourinho há gerações, os processos de restauração e revitalização, ocorridos na década de 1990, não abraçaram a comunidade, resultando em pouco ou nenhum acesso dos moradores aos equipamentos culturais, artísticos e educativos da localidade. Nesse cenário, a escola iniciou o projeto “Eu, criança do Pelô” que, com mais de uma década de existência, aproximou a escola e as famílias das instituições que as circundam, resgatou o sentimento de pertencimento da comunidade local a seu território e tornou-se uma unidade afrocentrada, com rotina permeada pelas intersecções com todos os equipamentos culturais e educativos locais.
Na Escola Municipal Tennyson Fontes, localizada no Povoado Muquém, no município de Itabaianinha (SE), cerca de 30% dos estudantes têm colegas ou familiares envolvidos na produção de vassouras, prática de grande importância socioeconômica na região. Nesse contexto, a escola vem desenvolvendo, desde 2022, um trabalho de pesquisa e valorização da produção das artesãs vassoureiras, tendo como matéria-prima a pindoba, uma espécie de palmeira também conhecida como babaçu. Os estudantes realizaram pesquisas e entrevistas com as vassoureiras, além de encontros, parcerias e uma exposição com os registros das artesãs. A iniciativa trouxe visibilidade para o território e para as artesãs, que passaram a ser incluídas nas agendas e encontros culturais do município e da região. Com o fortalecimento da comunicação entre as artesãs, o reconhecimento de sua importância socioeconômica e a valorização de seus saberes, houve também a expansão da produção de vassouras, além de adereços e acessórios de pindoba.
Durante uma reforma na Escola Municipal Terra Prometida, localizada em Aparecida de Goiânia (GO), foram encontradas colônias de abelhas jataí, o que desencadeou o desejo de preservar as abelhas e criar um meliponário (coleção de colmeias de abelhas sem ferrão) na escola. O objetivo foi integrar o estudo das abelhas sem ferrão ao currículo, promovendo a conscientização ambiental e a preservação das espécies, além do estreitamento da conexão com o território local e a comunidade. Além do meliponário, foram criadas hortas hidropônicas e convencionais, uma gincana ambiental, um mural artístico e um livro infantil, envolvendo os alunos em um processo criativo e de escrita coletiva. Além disso, o projeto teve uma dimensão política e educativa, com a entrega de uma sugestão de projeto de lei a uma vereadora, visando à preservação das abelhas em novas construções e empreendimentos.
A cidade de Capivari (SP), onde se localiza o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – Campus Capivari, abriga também grupos de batuque de umbigada paulista, uma manifestação cultural de tradição bantu, trazida ao Brasil por populações negras africanas escravizadas, presente também nos municípios de Piracicaba, Rio Claro e Tietê. A partir de uma demanda da comunidade por materiais de apoio educacional sobre a umbigada, foi criado o projeto “Cartilha educacional: Aprendendo com o batuque de umbigada paulista”. Além da cartilha, desenvolvida em parceria com a comunidade batuqueira capivariana e estudantes do Instituto Federal de São Paulo – Campus Capivari, foram promovidas palestras, oficinas e rodas de conversa sobre práticas de educação antirracista, com o objetivo de ampliar o diálogo entre a comunidade batuqueira e diferentes esferas da sociedade civil, desmistificar preconceitos em relação à dança da umbigada e formar profissionais preparados para a educação das relações étnico-raciais.
Localizada às margens do Igarapé do Aurá, em Belém (PA), a Unidade Pedagógica Nossa Senhora dos Navegantes vem realizando, desde 2023, o projeto “Alfabetização de jovens, adultos e idosos em território ribeirinho: valorizando saberes, fazeres e sabores tradicionais amazônicos”. A iniciativa surgiu da necessidade de alfabetizar jovens, adultos e idosos em territórios ribeirinhos para estabelecer uma relação entre a leitura da palavra e a leitura da realidade, demarcando a identidade regional ribeirinha, com saberes e fazeres que emergem das histórias, memórias e afetos do cotidiano Amazônico. Para as práticas de alfabetização, foram escolhidos por estudantes e educadores temas relativos às aspirações e ao conhecimento empírico da comunidade, como as memórias afetivas e gustativas da comida cabocla e amazônica; processos de tessitura de cipós; e entrada no mundo da leitura e da escrita das palavras com histórias locais de coragem e de superação.
O prêmio oferece, às dez estratégias pedagógicas selecionadas, modos de suporte, fortalecimento e aprofundamento de suas práticas e da formação de seus realizadores e membros. Dessa forma, a comunidade escolar e os coletivos participantes serão beneficiados direta ou indiretamente.
As ações de premiação consistem em:
> Doação de livros diversos, oferecidos por editoras parceiras do Instituto, para compor o acervo escolar;*
> Realização de um minidocumentário que apresentará uma parte dos processos e resultados da iniciativa pedagógica selecionada, a ser veiculado nos canais de comunicação do Instituto Tomie Ohtake, bem como de seus patrocinadores e parceiros, conferindo visibilidade à iniciativa. Clique aqui para ver os minidocumentários anteriores;
> Uma bolsa de estudos para um curso de graduação oferecido pela Estácio, que poderá ser utilizada por um estudante, professor ou parceiro do projeto selecionado;*
> Apoio financeiro de R$ 8.500,00 (oito mil e quinhentos reais) para o desenvolvimento da iniciativa pedagógica;*
> Participação nos Encontros de Conexão e Reflexão organizados pelo Instituto, que reúnemos representantes das 10 estratégias pedagógicas selecionadas em ações formativas com educadores(as) e artistas.
* Consulte mais detalhes sobre esse item no regulamento do Prêmio.
Confira o teaser do Prêmio Territórios
Os projetos devem ter entre seus fundamentos:
Integração entre escola e território: como a escola se articula com seu território? Como os agentes e espaços participam das ações promovidas pela escola?
Reconhecimento e articulação dos saberes da comunidade: as estratégias pedagógicas alcançaram os diferentes perfis de estudantes, identificando também os saberes e fazeres das famílias e da comunidade para o desenvolvimento das ações pedagógicas? De que forma a integração desses diferentes saberes foi utilizada como ferramenta para potencializar os processos educativos?
Exploração e uso de diferentes linguagens: quais recursos e diferentes formas de expressão a iniciativa integrou para a construção coletiva de atividades?
Acolhimento – escuta – participação: a iniciativa criou ambientes onde todos(as) participam dos processos de aprendizagem e são reconhecidos(as) em suas singularidades? Como a iniciativa pedagógica cria condições para que processos de escuta ocorram de forma qualificada? (ações com participação ativa de coletivos da escola ou da comunidade, grêmios, processos de gestão democrática etc)
Práticas de equidade: a escola constrói práticas integradoras para a participação de pessoas com deficiência? Há interlocução e condições para debates e reconhecimentos sobre marcadores sociais tais como identidades de gênero, raça, sexualidade, entre outros?
Avaliação e currículo: como foi construído o plano político pedagógico da escola e como são construídos os princípios curriculares e de avaliação?
Potencial multiplicador: como as estratégias pedagógicas fortaleceram a capacidade transformadora dos estudantes e da comunidade de modo que possa ser replicada e/ou inspirar iniciativas em outras escolas?
A oitava edição do Prêmio Territórios Tomie Ohtake é dirigida às escolas públicas municipais, estaduais e federais de todo Brasil, contemplando o ensino infantil, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos (EJA).
Priorizamos o caráter coletivo da iniciativa, por isso, o(a) representante da iniciativa pedagógica (é necessário indicar um(a) representante para facilitar o contato com a escola) deve, no momento da inscrição, apontar no mínimo mais dois correalizadores da ação.
Esses(as) correalizadores(as) podem ser representantes de outros segmentos da escola ou da comunidade, estudantes, professores(as), funcionários(as), famílias, gestores, moradores(as) do bairro, profissionais liberais ou de associações, instituições, empresas ou comércio do bairro entre outras pessoas que estejam indiretamente ou diretamente relacionadas com a iniciativa pedagógica. etc.
O(a) representante da iniciativa deve estar ligado(a) à unidade de ensino na qual ele(a) tem atribuição de aula. O(a) representante assume total e exclusiva responsabilidade por obter a ciência e concordância dos demais participantes da iniciativa quanto aos termos do Regulamento.
O prêmio é voltado para escolas da rede pública brasileira. O prêmio não contempla projetos desenvolvidos em escolas particulares, ONGs ou outros segmentos da educação.
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até às 24h do dia 11/08/2024, exclusivamente por meio do formulário disponibilizado nesta página do site.
Para preenchimento do formulário de inscrição, será necessário realizar o login através de uma conta do Gmail. Caso não possua, é possível abri-la gratuitamente através do Gmal.
Importante: algumas perguntas possuem limite de caracteres para as respostas. Pensando nisso, disponibilizamos o formulário na íntegra para melhor preparo do preenchimento. Acesse-o no regulamento.
As estratégias pedagógicas inscritas serão avaliadas por um júri composto por especialistas dos campos da cultura e da educação, de diferentes regiões do Brasil, incluindo representantes das instituições organizadoras do Prêmio, que irão avaliar os projetos recebidos à luz dos critérios indicados no item 1.
O júri selecionará até 10 (dez) estratégias pedagógicas.
As estratégias pedagógicas selecionadas pelo júri serão publicadas no site.
Os(as) responsáveis pelas inscrições também serão informados(as) por e-mail ou telefone.
Sobre o Prêmio Territórios Tomie Ohtake