Carlito Carvalhosa – A metade do dobro
Exposição
ENTRADA GRATUITA
ACESSO À VISITAÇÃO ATÉ 18H
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: LIVRE
Passada
Curadoria conjunta de Ana Roman, Lúcia Stumpf, Luis Pérez-Oramas e Paulo Miyada
A mostra reúne vários exemplos da constante experimentação observada no trabalho do artista paulistano Carlito Carvalhosa entre 1984 e 2021. Explorando diferentes materialidades e navegando entre os limites da pintura, escultura e instalação, a mostra perpassa quase quarenta anos de sua carreira.
A metade do dobro ocupa três salas do Instituto Tomie Ohtake, permeadas por rebatimentos entre o que pode ser entendido como permanências e tensões — sem seguir uma ordem cronológica.
Um audiocatálogo produzido em parceria com a Supersônica acompanha também a exposição que se soma também a um programa público de encontros, oficinas e vivências. Deslize a página para saber mais sobre essas iniciativas.
Esta exposição conta com o patrocínio da Livelo e do Grupo CCR, por meio do Instituto CCR, na Cota Apresenta e do BMA Advogados na Cota Prata, através do Ministério da Cultura, via Lei de Incentivo à Cultura, Programa Nacional de Apoio à Cultura e Governo Federal – Brasil, União e Reconstrução.
Paralelamente à mostra de Carvalhosa, o Instituto Tomie Ohtake inaugura Mira Schendel – esperar que a letra se forme, exposição que explora a presença dos signos da linguagem na obra desta artista fundamental para a arte contemporânea brasileira.
O primeiro núcleo expositivo, o único cronológico, traz pinturas do início da carreira na Casa 7, ateliê que reunia, além de Carvalhosa, Fábio Miguez, Paulo Monteiro, Rodrigo Andrade e posteriormente Nuno Ramos, jovens artistas unidos por laços de amizade e por propósitos estéticos comuns. Estão lá, por exemplo, duas obras do artista de 1985 que compuseram A Grande Tela na 18° Bienal de São Paulo.
A seção seguinte tem como destaque uma parede de encáusticas (técnica de pintura que consiste no uso de cera) produzidas entre 1988 e 1991. São obras que, segundo Lúcia Stumpf, “a partir da mistura de cera e terebentina, com pouco pigmento, resultam em pinturas ricas em camadas matéricas e texturas, privilegiando a cor e a transparência da cera. Já as obras em cera policromáticas são compostas pela sobreposição de camadas, em um procedimento que remete à colagem”.
Posicionadas em diálogo frontal com a parede de encáusticas, estão os espelhos graxos feitos a partir de 2003.
O fascínio pelo espelho perdurou por anos, e com ele o artista produziu dezenas de peças, com as mais variadas cores, processos, formatos e técnicas.
Aqui foi trazido um conjunto expressivo dos dedinhos, trabalhos muito característicos de sua produção, feitos em cera, com 30×30, e que formam uma espécie de mosaico.
As ceras perdidas compõem o primeiro conjunto escultórico de Carvalhosa, produzido em 1995.
Originalmente altas, as peças foram moldadas por abraços do artista no bloco de cera maleável, trazendo sua estrutura corporal para a obra. Com os anos, elas murcharam e perderam altura, ganhando outra expressão plástica, bastante diferente da original.
O visitante ingressa na sala seguinte pela instalação ‘Qualquer direção’, de 2011, uma das primeiras que o artista faz com lâmpadas fluorescentes.
Mais uma vez a obra está em diálogo com as outras, dessa vez com as pinturas feitas em chapas de alumínio.
Na sala ao lado esquerdo da instalação luminosa está a pintura de 1989 pertencente ao acervo do MAM/SP.
Ali se nota a ênfase em áreas que ora refletem, ora absorvem a luz, trabalhadas em composições gestuais. Aspecto que se ressalta no diálogo com as pinturas sobre alumínio espelhado, em que a tinta interage com os relevos criados no suporte, criando uma superfície em que pintura e escultura coexistem.
Também ali estão as esculturas produzidas durante residência artística no Europees Keramische Wercentrum (EKWC), na Holanda, exploram formas orgânicas e irregulares, sugerindo transformação constante e o entrelaçamento entre interior e exterior, algo que aparece também nas pinturas sobre espelho.
O núcleo seguinte traz alumínios brancos em diálogo com esculturas de porcelana. Estão ali ainda alguns toquinhos, obras que rememoram as grandes instalações de postes.
Para Stumpf, “as monotipias e pinturas em gesso rebatem os contornos orgânicos das esculturas, que por sua vez ofuscam o olhar do espectador com sua superfície reflexiva”, completa a curadora.
O último núcleo traz os trabalhos do fim da carreira de Carvalhosa.
São obras feitas em cera que dialogam com os dedinhos. Agora menos orgânicas, essas pinturas, que marcam o retorno à cera, foram realizadas a partir de 2017 com o uso de moldes, seguindo esquemas geométricos e usando cores vibrantes.
Luis Pérez-Oramas, um dos curadores da mostra, comenta sobre o assunto: “Se há uma coisa que me parece caracterizar a obra de Carlito Carvalhosa, em todas as suas fases, e em suas realizações mais emblemáticas, é o exercício permanente de chegar não ao fim, mas ao começo, não ao ato final, mas à potência, não à forma clara e definida, mas ao seu estágio larval, impuro, onde residem todas as suas possibilidades”.