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TOMIE EDUCAÇÃO #7
28 de agosto de 2026Como aproximar jovens da arte contemporânea e, ao mesmo tempo, criar novas formas de pensar o ensino da arte? Essa era uma das questões que moviam o Criatividade: Ação e Pensamento, projeto desenvolvido pelo Instituto Tomie Ohtake entre 2004 e 2006, com duas edições por ano.
A iniciativa começou a ser desenhada em 2002, quando o recém-inaugurado Instituto Tomie Ohtake convidou a artista e educadora Stela Barbieri para criar a área educativa da instituição. Em 2003, o fundador Ricardo Ohtake propôs ampliar essa discussão com uma pesquisa voltada ao desenvolvimento de novas metodologias para a abordagem da arte no Ensino Médio e, em diálogo com Agnaldo Farias, professor e curador do Instituto à época, nasceu o projeto Criatividade: Ação e Pensamento.
A cada edição, sempre partindo de conversas entre Educativo e Curadoria, escolhia-se um/a artista para apresentar uma mostra individual no Instituto, e sua produção se tornava o ponto de partida para um processo de investigação que se estendia por seis meses. O projeto teve, ao todo, seis edições ao longo de três anos, das quais participaram Ana Maria Tavares, Amélia Toledo, Rochelle Costi, Nuno Ramos, Artur Lescher e Carmela Gross. Paralelamente à preparação da mostra, um grupo composto por 36 estudantes e professores, de quatro escolas públicas e duas particulares das proximidades do Instituto, participava de um curso composto por dezesseis encontros, conduzido por educadores. Em seis deles, planejados em conjunto, o próprio artista participava da condução e, de certa forma, isso também alimentava seu processo criativo para a exposição.
A proposta era criar um ambiente em que pesquisa, experimentação e criação tivessem amplo espaço e no qual os participantes pudessem assumir um papel ativo em seu próprio percurso. A partir disso, eram construídas situações que buscavam aproximar estudantes e professores da arte contemporânea – ainda pouco presente na experiência escolar, em comparação com a arte moderna – e também dos artistas, investigando poéticas, referências, materiais e modos de trabalhar.
Essa dinâmica também deslocava papéis. Professores e estudantes compartilhavam a mesma sala de aula e, em determinados momentos, o próprio artista, objeto da investigação, tornava-se professor.
Na sexta edição, realizada em 2006, dedicada à obra de Carmela Gross, o curso foi conduzido pelo educador, artista e museólogo Paulo Portella, que havia sido aluno da artista durante sua formação universitária. Em 2026, ele relembra a experiência do projeto Criatividade: Ação e Pensamento como “uma referência muito sólida a inspirar as novas gerações quanto à chance – entre tantas outras – de compreender o trabalho dos artistas contemporâneos e das instituições culturais, tanto sob possível perspectiva pessoal como em sua dimensão social”. Para Portella, o projeto foi um dos trabalhos mais criativos que presenciou na área de educação e arte contemporânea, pois “transbordava do interior ‘anônimo’ das práticas e interagia com a cidade, demonstrando protagonismo e compromisso com o valor da arte na escola, na educação e, enfim, na sociedade.”
O projeto também deixou um importante conjunto de registros. Fotografias e vídeos documentaram os encontros, experimentações e transformações que aconteciam ao longo do percurso e, ao final de cada edição, esse processo ganhava uma forma pública: enquanto a exposição do artista ocupava o espaço expositivo, os trabalhos desenvolvidos pelos estudantes e professores eram apresentados em outra exposição, realizada perto dos ateliês do Instituto Tomie Ohtake.
Além de aproximar estudantes e professores da arte contemporânea e construir redes que conectavam o Instituto e seu território, Criatividade: Ação e Pensamento propunha que essa aproximação acontecesse pela experiência: pesquisar, experimentar, fazer, pensar e questionar. Ao deslocar papéis e criar um espaço de investigação compartilhada, o projeto transformava o contato com a arte em uma oportunidade para que jovens e professores construíssem, juntos, novos sentidos para aquilo que viam, produziam e vivenciavam.
O projeto Criatividade: Ação e Pensamento contou com os educadores Márcia Cirne Lima, Iza Figueiredo, Cláudio Cretti e Paulo Portella, as educadoras-pesquisadoras Glória Maria Pereira Lima e Yara Lucia Espósito, a produção de Fernanda de Barros Gomes, a documentação fotográfica de Mariana Galender e a curadoria de Agnaldo Farias. A equipe de ação educativa era formada por Doroti Massola, Angela de Buarque Borges, Guilherme Zerwes e Marta Espírito Santo, com direção de Stela Barbieri.