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Confira a publicação que acompanha o Prêmio Territórios do Instituto Tomie Ohtake
22 de maio de 2020
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TOMIE EDUCAÇÃO #6
30 de julho de 2026No Instituto Tomie Ohtake, o ateliê é uma forma de estar no mundo e de se relacionar com suas complexidades. Compreendido como algo além do espaço físico que o abriga, é nele que acontecem processos de experimentação, reflexão, negociação e expressão de subjetividades, ampliando a experiência para além da contemplação das obras.
Desde seu surgimento, em 2001, o Instituto Tomie Ohtake constitui-se como um lugar dedicado à pesquisa sobre educação, entre outros assuntos. Ao longo desses 25 anos, consolidou uma infraestrutura rara entre instituições culturais brasileiras: espaços concebidos para acolher investigações em diferentes escalas e materialidades. Neles convivem desde propostas que envolvem maior concentração e gestos mais contidos até aquelas que preenchem inteiramente o espaço com acontecimentos coletivos e expansivos, entre tantas outras proposições que entendem a prática artística menos como domínio de uma técnica e mais como um campo de investigação. As/os educadoras/es que passaram pelo Instituto Tomie Ohtake já criaram mais de trezentas propostas de ateliê – pesquisa contínua que segue produzindo novas perguntas e que, aos poucos, deixou de orientar apenas as ações educativas e passou a atravessar também as exposições.
Após a experiência da exposição-escola, realizada em 2018, que possuía uma arena central dedicada a receber espetáculos e atividades educativas, demos um passo além, desta vez em direção à criação de um ateliê dentro da exposição Calder+Miró, apresentada no Instituto Tomie Ohtake em 2024. Em diálogo com as equipes de Curadoria, Arquitetura e Produção, o Educativo propôs um espaço de experimentação instalado no próprio percurso expositivo: a sala-ateliê. Ali, enquanto visitantes construíam desenhos tridimensionais com arames, investigavam linhas no espaço e exploravam sombras projetadas por lanternas, assistiam também ao registro de Alexander Calder (1898–1976) produzindo suas esculturas. O gesto do artista e o gesto do público compartilhavam, então, o mesmo ambiente.
Essa convivência produzia uma tensão interessante entre preservar as obras e, ao mesmo tempo, acolher processos materiais de criação. Havia limites impostos pela presença do acervo, pois não era possível alterar a iluminação, reorganizar o espaço ou permitir experimentações que oferecessem risco à integridade das obras. Ainda assim, instaurava-se um estado de ateliê, e quem criava algo ali também passava a fazer parte da exposição, tornando visível um processo que normalmente permanece nos bastidores.
Em seguida, com as exposições Carlito Carvalhosa – A metade do dobro e Mira Schendel – Esperar que a letra se forme, ambas em cartaz entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, essa investigação deu mais um passo. A sala-ateliê passou a ocupar um espaço próprio, concebido desde o início em colaboração entre diferentes equipes. Em vez de dividir lugar com as obras, o ateliê tornou-se uma instalação autônoma, desenhada para acolher diferentes tempos de permanência e modos de participação.
A partir das aproximações entre os universos poéticos de Carlito Carvalhosa e Mira Schendel, surgiu a proposição que fundamentou o projeto: “um gesto instaura o mundo”. No centro da sala, uma grande caixa de areia convidava o público a fazer desenhos efêmeros utilizando rastelos. Havia também caixas menores contendo terras e areias de texturas diferentes, sobre as quais o público era convidado a intervir com pincéis variados.
Sem a condução contínua do Educativo, o próprio espaço assumia parte da mediação. Um breve enunciado impresso na parede dava as boas-vindas a quem chegava, mas eram as entradas e saídas imprevisíveis do público que definiam o ritmo da sala-ateliê. Algumas pessoas permaneciam poucos minutos; outras estendiam a permanência ou voltavam diversas vezes. Havia quem experimentasse os materiais, quem apenas observasse, quem encontrasse ali um lugar para descansar antes de seguir a visita. O espaço era utilizado, ainda, para o acolhimento e a realização de propostas com os grupos escolares atendidos pelo Educativo.
Quando incorporado à exposição, o ateliê tem a potência de criar condições para que diferentes formas de presença sejam igualmente legítimas: experimentar, contemplar, errar, mudar de ideia, conversar, interromper, retomar. Nesse contexto, as experiências de criar e descansar não são percebidas como opostos, mas compõem um mesmo estado de atenção. A exposição torna-se, assim, um espaço onde o conhecimento se produz pelo tempo dedicado a uma ação menos orientada pela resposta e mais aberta ao processo.
Quais outros espaços nos autorizam a experimentar sem a obrigação de chegar a um resultado?
Que tipo de relação entre público, obras e criação emerge quando existe um espaço permanente de experimentação dentro de uma mostra?
Saiba mais acessando as páginas das exposições Calder+Miró, Carlito Carvalhosa – A metade do dobro e Mira Schendel – Esperar que a letra se forme. Nelas, você encontrará também informações sobre a programação e os jornais de cada mostra.
Relembre aqui o texto Aprender sobre arte, com a arte: Alucinações parciais, uma exposição-escola, produzido para a edição de junho de 2026 da newsletter Tomie Educação.