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Confira a publicação que acompanha o Prêmio Territórios do Instituto Tomie Ohtake
22 de maio de 2020
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TOMIE EDUCAÇÃO #8
28 de setembro de 2026Como a arte, a moda e o trabalho coletivo podem ajudar a construir autonomia? O projeto Arte, Cultura e Costura, realizado pelo Instituto Tomie Ohtake entre 2017 e 2022, em parceria com diferentes instituições ao longo de suas quatro edições, articulou essas dimensões para criar possibilidades de reconhecimento e autonomia por meio de diferentes linguagens artísticas.
A primeira edição da iniciativa foi voltada a moradoras de centros de acolhida do município de São Paulo para mulheres em situação de rua. A proposta era desenvolver experiências relacionadas ao processo criativo e ao fazer manual, refletir junto ao grupo sobre reconhecimento e construção de identidade e ampliar o trabalho de costura a partir de conceitos das artes visuais, como linha, forma, cor e composição. No decorrer do curso, as participantes costuraram bolsas inspiradas em obras e artistas da exposição Invenções da mulher moderna, para além de Anita e Tarsila, em cartaz no Instituto Tomie Ohtake em 2017.
Nesse contexto, a costura funcionava como uma forma de mediação. Em um espaço como o museu, os repertórios e modos de apresentação podem provocar estranhamento e distanciamento quando não há identificação com aquilo que está sendo exibido – o que acontece, muitas vezes, na relação com a arte institucionalizada. A costura e outras práticas manuais ofereciam, então, um ponto de partida familiar para experimentar novas possibilidades de criação. O trabalho com a linha e o tecido convivia com textos, fotografias, recortes de revistas, retalhos e objetos encontrados na rua, além das obras de artistas da exposição, formando tramas visuais construídas a partir das referências e experiências de cada participante.
O processo colocava em questão a própria ideia de criatividade. O receio de errar, a cobrança pelos resultados e a resistência diante de propostas criativas eram trabalhados coletivamente, com o incentivo à incorporação do erro como parte do processo. Ao valorizar referências pessoais, apresentar repertórios variados e fomentar a experimentação, as atividades ofereciam condições para que as participantes explorassem possibilidades de criação e reconhecessem potencialidades que nem sempre eram percebidas por elas.
Questões sociais, ambientais e de gênero também integraram a formação, assim como uma reflexão sobre os processos produtivos da moda. A sustentabilidade era inicialmente discutida em termos conceituais e depois retomada na prática, por meio de técnicas de corte e aproveitamento dos tecidos, com conversas sobre desperdício, resíduos e responsabilidade sobre os materiais.
A partir da segunda edição, em 2019, o projeto ampliou sua atuação para diferentes espaços de acolhimento e atendimento, incluindo instituições voltadas ao público LGBTQIAPN+. A formação passou a culminar na confecção de roupas e em um desfile final, aproximando o aprendizado técnico da criação de peças autorais e da possibilidade de geração de renda e visibilidade por meio da moda. Na terceira edição, realizada em 2020, o projeto enfatizou as iniciativas que atuam com mulheres refugiadas, criando ambientes culturalmente plurais que favoreceram a ampliação de redes. Em 2022, a quarta edição do Arte, Cultura e Costura expandiu novamente seu público e território de atuação, contemplando também pessoas em situação de vulnerabilidade social residentes no município de Campinas.
Ao longo dessa trajetória, foi construída uma metodologia própria para articular expressão, autonomia, ocupação dos espaços culturais, formação profissional e possibilidades de geração de renda, por meio do aprendizado de diferentes técnicas de costura, moda e fazer manual. Segundo a estilista Vicenta Perrotta, fundadora do Ateliê TRANSmoras e uma das professoras do projeto na segunda edição, as costuras produzidas no curso não serviram apenas à inserção das mulheres no mercado de trabalho; foram também, e principalmente, uma oportunidade para que olhassem para si mesmas, deslocando o foco da vulnerabilidade para a autonomia.
O que acontece quando a costura, ou uma prática conhecida, é tomada como ponto de partida para experimentar outras formas de olhar, criar e ocupar um espaço?
Para saber mais sobre o Arte, Cultura e Costura, veja os minidocumentários das quatro edições:
Domingo, dia 4 de outubro, devido ao primeiro turno das Eleições Gerais, a Casa-ateliê Tomie Ohtake estará fechada para visitação.
O Instituto Tomie Ohtake funcionará normalmente.
Agradecemos a compreensão.