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Confira a publicação que acompanha o Prêmio Territórios do Instituto Tomie Ohtake
22 de maio de 2020
publicaçãoConfira a publicação que acompanha o Prêmio Territórios do Instituto Tomie Ohtake
TOMIE EDUCAÇÃO #4
29 de maio de 2026O povo como sujeito é também o povo como objeto, sobretudo ao considerarmos o povo e o território como realidades indissoluvelmente relacionadas.
Milton Santos
Há muitos caminhos para construir ou refazer uma definição dos sentidos da palavra “povo”, e nenhum deles é fácil ou definitivo. Ainda assim, sabemos – ou sentimos – que fazemos parte de algum povo, temos raízes e vizinhanças que nos conectam aos “nossos” e, por vezes, nos afastam de um “outro” que também é povo.
Nos dicionários, as definições de povo estão sempre acompanhadas por palavras que evocam coletividade: conjunto, aglomeração, sociedade, multidão, reunião, entre outras. No verbete destaca-se, ainda, a sugestão de critérios de ajuntamento, como nação, raça, território, língua, família, origem, cultura, religião, tradição, classe social e muitos outros, sejam eles efêmeros ou duradouros. As combinações entre esses elementos são muitas e estão em movimento. Com tantas variações possíveis, a homogeneidade é virtualmente impossível: uma pessoa que se percebe como povo brasileiro, por exemplo, também pode se reconhecer como povo do campo, povo de santo, povo de Deus, povo quilombola, entre tantas outras possibilidades. Esses arranjos estão sempre em relação, por vezes em conflito, alterando-se mutuamente, fragmentando ou fortalecendo ajuntamentos.
O Caderno-ensaio 3: Povo, terceiro volume da série iniciada pelo Instituto Tomie Ohtake em 2024, começa com uma enxurrada de imagens – fotografias realizadas entre os séculos 19 e 21 – que transcendem a definição de povo e alcançam, cada uma a seu modo, a potência de multiplicação de pontos de vista, identidades e modos de leitura. No livro, as imagens foram encadeadas de modo a propor um percurso alinhavado por critérios estéticos, conceituais e contextuais, em que convivem tempos, territórios, sujeitos, memórias e questionamentos diferentes. Além dos significados oriundos do contexto de cada imagem, surgem, ainda, novos discursos de seus avizinhamentos – harmônicos, quase continuidades das imagens ao redor; ou fricções ruidosas, incômodas, que revelam ideias que as palavras não são capazes de materializar.
Nenhuma pessoa percebe “o povo” diretamente, mas, sim, as mediações que o fazem possível: narrativas, símbolos, pertencimentos, memórias, geografias. Cada sujeito constrói a própria noção de povo, atravessado pelo lugar que ocupa na sociedade, pelas vivências, pelas violências sofridas ou praticadas, pelos desejos e pelas possibilidades de ação sobre seu território. Por isso, o Caderno-ensaio 3: Povo apresenta textos produzidos por pessoas de diferentes áreas de pesquisa e conhecimento, como a história da arte, a antropologia, a comunicação, a biologia, a literatura, a religião, a música, a educação, entre outras.
Falar sobre povo em um projeto como o do Caderno-ensaio 3: Povo nos leva, inevitavelmente, a uma sensação de incompletude. Um povo nunca será todos os povos, assim como a ideia de todos está fadada a excluir aquilo que não conhece. O povo é sempre coletivo, um múltiplo formado por inúmeros únicos, conformados pela interseção de marcadores de variadas naturezas. Fazer parte de um povo implica encontrar as diferenças e conviver com elas: ser um entre vários e, ao mesmo tempo, ser parte de um todo.
Como o território onde sua escola e seus estudantes estão inseridos determina as múltiplas identidades de “povo” que eles assumem?
De que maneira as questões do território (suas violências, mas também suas potências) se manifestam no cotidiano e nas falas dos alunos dentro da sala de aula?
Como a sua prática pedagógica acolhe a diversidade de timbres, linguagens e matrizes culturais que formam o povo da sua escola, sem tentar homogeneizá-los?
Este texto é uma adaptação do prefácio do Caderno-ensaio 3: Povo, lançado pelo Instituto Tomie Ohtake em 2025. Acesse aqui o texto original completo e todo o conteúdo do livro.
Todos os livros da série Caderno-ensaio têm audiodescrição, locução, encarte em braile, paisagem sonora feita especialmente para o projeto, versão digital acessível e vídeo de apresentação em Libras, com legendas em língua portuguesa. No Caderno-ensaio 3: Povo, as locuções foram realizadas por 24 vozes diferentes, evocando a diversidade de timbres e sotaques brasileiros. Ouça-as aqui.
Em maio de 2026, lançamos mais um livro dessa série – o Caderno-ensaio 5: Céu. Todas as publicações da coleção estão disponíveis gratuitamente na Midiateca, no site do Instituto Tomie Ohtake. Para adquirir exemplares impressos, acesse a Loja Tomie.