Mira Schendel – esperar que a letra se forme
Exposição
ENTRADA GRATUITA
ACESSO À VISITAÇÃO ATÉ 18H
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: LIVRE
Passada
Curadoria de Galciani Neves e Paulo Miyada
A mostra explora a presença dos signos gráficos, da letra e da palavra linguagem na produção artística de Mira Schendel (1919–1988).
Reconhecida como uma das artistas mais significativas da arte brasileira do século XX, Mira nasceu em Zurique, na Suíça, com ascendência judaica, tcheca, alemã e italiana. Devido à perseguição antissemita, fugiu para o Brasil em 1949, onde viveu e produziu grande parte de sua obra, dialogando com a Poesia Concreta, o Neoconcretismo e as experimentações artísticas das décadas de 1960 e 1970.
A mostra é retrospectiva e convida o público a imergir na presença da palavra na produção artística de Mira e suas interligações. A curadoria pensou a montagem em sete núcleos sustentados de maneira fluida na cronologia da artista (você pode conferir cada um deles nas abas abaixo).
Esta exposição conta com o patrocínio do Nubank, através do Ministério da Cultura, via Lei de Incentivo à Cultura, Programa Nacional de Apoio à Cultura e Governo Federal – Brasil, União e Reconstrução.
Inaugurada concomitantemente à exposição Carlito Carvalhosa – A metade do dobro, ela integra o programa semestral palavra palavra palavra, iniciado com o projeto Poesia em presença – Entre cenas, slam, spoken word e rap, e que contará ainda com o lançamento da publicação Caderno-ensaio 2: Palavra.
É o núcleo que abre a exposição, o público confere o percurso de representações esquemáticas de objetos para composições abstratas e experimentos com elementos gráficos. Destaque para as obras dos anos 1960, quando Mira integra rótulos e textos em seus trabalhos, trazendo a palavra escrita para o centro de suas composições.
Neste núcleo estão desenhos feitos com nanquim e carvão que trazem a relação entre palavra e espaço, combinando letras, signos gráficos e gestos caligráficos. Segundo a curadoria, Haroldo de Campos descreveu essa “arte-escritura” de Mira, na qual o signo gráfico se torna uma questão estética e uma forma de fabulação de espaços.
Aqui estão trabalhos que trazem palavras em diferentes idiomas, sobretudo italiano e o alemão, línguas que a artista herdou dos pais, que aparecem junto ao português, língua oficial do Brasil.
Para a curadoria, “essa diversidade de expressões e pronúncias efetiva a palavra no trabalho da artista como uma espécie de acontecimento de enunciação de algo, como se escrever/desenhar as letras e a sua decodificação fizessem realizar o que ali está posto. A palavra instaura, assim, uma situação.”
Este núcleo dá destaque para os Toquinhos, tanto os feitos em papel de arroz, como os em acrílico. Entre as séries homônimas, os decalques de letraset são o elemento comum.
Já aqui estão os cadernos de Mira Schendel. A curadoria aponta que “essas obras – feitas, em sua grande maioria, no ano de 1971 – são exercícios de composição em papéis encadernados, perfurados, grampeados ou colados, como brochuras ou simples aglomerados de páginas. A artista usufruiu de centenas de conjuntos de folhas, de muitas dimensões, que, compreendidas em sua sequencialidade, formam um percurso no tempo e no espaço”.
Esta vertente complementa a exposição com duas das mais conhecidas séries da artista
Aqui está a apresentação — já sugerida no título — da instalação “Ondas Paradas de Probabilidade”, a obra de Mira Schendel com maior dimensão.